CAVALEIROS DO TEMPLO


Este blog tem como objetivo único, cooperar em leituras e estudos voltados para o segmento Maçônico, com textos de diversos autores e abordagens diferentes para um único tema.

Por Yrapoan Machado






quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

POR DEBAIXO DA ARMADURA

Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o Senhor dera vitória à Síria: era ele herói da guerra, porém leproso. LEIA 2º Reis 5.1-19. A Historia de Naamã é um exemplo categórico de que: Nem sempre o que esta debaixo da armadura corresponde ao que pensamos ser o seu conteúdo. Armadura é algo imponente, impressionante e exterior. Analisando de forma conceitual teremos muitos aspectos interessantes da armadura. Exemplo. Ela protege o rosto do guerreiro, porém não impede a visão do mesmo. Ela permite que o guerreiro entre no campo de batalha com vitória total sob os despidos de armadura. Ela impetra medo aos oponentes do guerreiro vestido de sua armadura. Etc. etc. etc. Na palavra de Deus, encontramos vários exemplos interessantes referentes à armadura. Exemplos esses que nos deixam várias micro-lições, porém apenas uma macro-lição que é: O guerreiro é mais importante que a armadura, jamais o contrário. Algumas situações bíblicas elucidam este conceito.
LEIA 1º Samuel 17.24-58. O jovem Davi, ao chegar no campo de batalha israelense e ver o oponente um gigante filisteu (Golias) afrontar um exército inteiro que se mantinha calado. Bradou: Quem é este incircunciso filisteu que afronta o exército do Deus vivo? E pediu ao Rei Saul, para enfrentar o gigante. O rei, sem outra opção, permitiu que o garoto enfrentasse o gigante... Contextualizando. Autorizou a colisão entre fusquinha e caminhão. Entretanto, ofereceu ao fusquinha (Davi) sua armadura, Davi até tentou usá-la, mas não conseguiu, pois era muito grande... Por fim, foi mesmo sem ela e sabemos o fim maravilhoso da história. Sem armadura e com 5 pedras do ribeiro na sacola, enfrentou o Gigante vestido de uma enorme armadura, com apenas uma pedra, girou sua funda, lançou a pedra e abateu o gigante.
LEIA 1ª Reis 22.29-35. O rei Acabe, um homem dissimulado e cruel, ao tentar enganar o Rei Josafá, sabendo que poderia morrer na batalha, conduziu a situação de forma a Josafá entrar na batalha trajado de rei (pois seria alvo fácil diferenciado entre os demais) e ele Acabe entrar na batalha trajado de soldado. Estando em meio a muitos soldados trajados de armadura, como ele estava, seria muito difícil ser descoberto. Porém, um soldado sírio atirou uma flecha ao ocaso, que atingiu o rei Acabe nas juntas de sua armadura... (e ele morreu por este ferimento). Tanto o primeiro como o segundo exemplo elucidam claramente que a armadura pode impressionar, confundir e impor-se aos homens, jamais a Deus. A vitória é daqueles que, por baixo da armadura, têm um coração íntegro guardado em Deus. Não uma aparência de força, espiritualidade ou poder... Pois a Deus ninguém engana; tudo que o homem semear isso também colherá.
                                                                                          
O que tem debaixo de sua armadura? Onde você tem depositado sua confiança? De que importam os resultados que os outros vêem? São perguntas que você deve responder com toda sinceridade, pois destas respostas dependem sua vida, seu futuro. Davi, sem armadura, venceu o gigante; Acabe vestido de armadura, em uma situação bem arquitetada maquiavelicamente, foi atingido por uma flecha lançada ao ocaso. Sua Armadura é de um homem ou mulher espiritual? Você realmente é? Lembre-se: nosso verdadeiro caráter é revelado no escuro. É preciso que possamos, com um espelho frente aos olhos, nos autoconfrontar, e se o resultado desse confronto for dizer: Por fora sou um herói, mas por dentro sou um ladrão; que possamos sair dessa revolta, pensar e voltar, quebrar nossos grilhões, pois Deus tem vida plena e vale à pena retornar e ver, ver o amor antigo, o abraço amigo, a festa começar, pois, arrependidos, nós os filhos de Deus sempre teremos um lar para onde voltar, sempre teremos um rio Jordão para mergulhar.
                                             Importa que não escondamos nossa lepra, porque escondê-la só nos levará ao fim que a lepra pode gerar, que é a carne podre invadindo os limites do corpo e o levando à morte.

Não morra, clame por cura. Deus ama você!

Bibliografia
Preletor Romney Cruz

OSMITH - BRASIL

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O APRENDIZ IMPERFEITO

Aprender a partir do percebimento das imperfeições, não dos outros, mas de si, este é o único e verdadeiro aprender. Aprendiz no sentido de estar apto a aprender, a compreender aquilo que se vivência, para então assimilar como experiência definitiva, que será incorporada a si mesmo. Imagine um paraíso repleto de coisas perfeitas, onde tudo seria regido pela mais perfeita harmonia, sem falhas, sem nada para ser corrigido, ampliado, ajustado, que papel então teria seus inquilinos? Estes não estariam mais sujeitos a aprender coisa alguma, uma vez que não mais existiriam objetivos a serem conquistados, nem falhas a serem reparadas. Quando se observa o crescimento de qualquer coisa, logo se percebem os vários estágios, cada qual com seus aspectos peculiares, que delimitam claramente fases de transição, onde a transformação cíclica é a única certeza. Entre uma fase e outra, há a transferência de um estágio imperfeito para outro mais adequado, mas, jamais perfeito. Uma criança, por exemplo, ao crescer fisicamente, também torna possível ao seu cérebro assimilar novos experimentos, pois ganha nova capacidade mental. Ela não deixa de ser criança, mas se transforma em outra mais capaz. Os limites próprios do primeiro estágio desaparecem, são substituídos por um modelo mais eficaz, mais adequado à nova realidade, que é uma necessidade desse crescimento físico.
O constante e sempre cíclico transformar-se é que caracteriza aquilo que é eterno. Não existe o eterno estático, pois este não poderia escapar das leis de transformação de si mesmo, onde aquilo que não muda, definha e morre. É uma lei natural, o que não se transforma, ou se adequa, ou melhora, se desgasta até o fim. A eterna criança, envelheceria como criança, não passaria pelos demais estágios existenciais, não teria sentido sua existência. Para os pais, não iria diferir em nada de um boneco de plástico desses que já existem nas lojas, que até são capazes de falar, cantar, comer, que simulam com perfeição uma criança pequena. Num mundo de perfeição, um aprendiz não teria nenhum espaço para sua transformação, sua experiência vital e espiritual, onde as falhas são seus verdadeiros mestres de conhecimento. Apenas em condições dessa natureza poderá ele progredir, se qualificar, deixar de ser potencial para se transformar em capaz. Deverá aprender a partir daquilo que é imperfeito, poderá então através desse experimento, através dos devidos ajustes em si mesmo, deixar para trás os estágios de menor capacidade, para os de maior capacidade. Trata-se de um caminho espinhoso, uma vez que todos a sua volta, sem exceções, estarão na mesma trilha, dentro do mesmo modelo de viver imperfeito. Imperfeito quer dizer transitório, e perfeito significaria o permanente. Mas, não existe o permanente estático, por isso não existe o perfeito. Mas perfeito é o eterno ciclo de reciclagem, da transformação do inadequado para o mais adequado.
Perfeito é o aprendiz que se conscientiza disso, em cujo caminho a eternidade se revela, com suas infinitas possibilidades, seu eterno movimento de auto ajustar-se. E tudo isso são coisas perfeitas, o reconhecer-se imperfeito, o incompleto que vê na transformação de si mesmo progresso. Não se trata do transformar-se sem aprender, mas do aprender pelo transformar-se. E assim o aprendiz se percebe imperfeito, por isso não julga nem a si mesmo. Apenas observa, pratica em si mesmo aquilo que aprendeu com suas próprias limitações e falhas. Não vê o perfeito como objetivo derradeiro, pois isto ele não conhece, mas nas próprias imperfeições a possibilidade de mudar. Não julga o mundo imperfeito a partir de si mesmo também imperfeito, mas observa em si tais imperfeições, compreende a necessidade de mudar, aprende com esse mudar. Observe o cíclico movimento da terra em volta do sol, onde nenhum dia é igual ao anterior. Amplie isso aos confins do universo, até onde nossa imaginação é capaz de alcançar, e o que se deduz são os eternos estágios, onde o ponto de origem de qualquer coisa, sempre aponta para sua transformação. Se essa transformação parece menos para nós, deve significar mais para outro, e assim por diante.
Uma pedra preciosa bruta se transforma em mais quando lhe tiram as arestas, logo, para esta, o menos significa mais. Diante da imperfeição, finalmente, o aprendiz se torna capaz de transformar-se, de desenvolver novas qualidades, de migrar para novos estágios existenciais, mas nunca sem antes conhecer seus limites. Afinal de contas, um limite precisa ser percebido claramente, ou não haverá mudanças. Observar, perceber, e finalmente compreender a si mesmo, faculta a transformação, e esta significa que houve aprendizado. Eterno é seu movimento, perfeito o seu ritmo, perfeito a sua causa e efeito, perfeito é o eleger do imperfeito como a força motriz de todas as transformações.
Bibliografia:
Esta Peça de Arquitetura, foi solicitada pelo nosso Venrável Mestre Ailton de Oliveira e enviada pelo nosso Ir.’. Gabriel Campos de Oliveira  - pertencente ao GOB de Divinopolis - MG
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO             

O CONGRESSO DE LAUSANNE E A MAÇONARIA ANGLO SAXÔNICA - PARTE II

A segunda edição alterou o artigo primeiro, passando à seguinte redação: “Um Maçom é obrigado na sua dependência a observar a Lei Moral como um verdadeiro Noaquita, e se entendeu corretamente o Ofício, nunca será um estúpido Ateu nem um Libertino irreligioso, nem agirá contra a sua Consciência. Nos tempos antigos os Maçons cristãos eram obrigados a concordar com os usos cristãos de cada país por onde viajavam ou trabalhavam; mas sendo a Maçonaria fundada em todas as Nações, mesmo as que praticam várias religiões, são eles agora unicamente obrigados a aderir àquela religião na qual todos os homens estão de acordo (cada Irmão vivendo em sua própria e particular opinião), que é a de serem homens bons e sinceros, homens honrados e probos, quaisquer que sejam as denominações, religiões ou crenças que possam distingui-los, por estarem todos de acordo com os três grandes artigos de Noé, que são suficientes para preservar o Cimento da Loja. Assim a Maçonaria é o Centro de sua União e o Feliz Meio de conciliar pessoas que teriam ficado perpetuamente separadas". A segunda alteração veio em 1756 com o Ahiman Rezon ou seja, a Constituição da Grande Loja dos Antigos do irlandês Laurence Dermott, na qual se acusava os modernos de haverem omitido as orações, descristianizado o Ritual e ignorado os Dias Santos. Dermott propõe, então, uma verdadeira reafirmação de fé à Santa Igreja, no caso agora a Igreja Anglicana, apesar de propor no Ahiman Rezon uma prece para o cristão diferente da prece para o judeu que fosse iniciando.  O caminho da volta teísta estava sendo remontado e atingirá o seu ápice com a fusão em 1813 da Grande Loja dos Antigos com a Grande Loja dos Modernos, dando início, assim, à Grande Loja Unida da Inglaterra. A Constituição de Anderson de 1815 será marcadamente teísta, como se verá a seguir:                                                      
“Um Maçom é obrigado, por seu título, a obedecer à lei moral e, se compreender bem a Arte, nunca será ateu estúpido, nem libertino irreligioso. De todos os homens, deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa ao passo que Deus vê o coração. Um maçom é, portanto, particularmente compelido a nunca atuar contra os ditames de sua consciência. Seja qual for a religião de um homem, ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem, se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e se praticar os sagrados deveres da moral...”. A posição da Grande Loja Unida da Inglaterra pode ser sintetizada da seguinte forma: durante um período relativamente curto - entre o final do século XVIII até 1835 - quase toda referencia cristã foi expurgada dos manuais e rituais ingleses - como foi exaustivamente demonstrado por N. B. Cryer - ao mesmo tempo, e talvez como uma compensação, o teísmo passa a dominar o coração e as mentes da maçonaria inglesa. Se o retorno teísta conseguiu cimentar a maçonaria inglesa, no continente causou um retrocesso à visão liberal e à tolerância religiosa contidos na primeira Constituição de Anderson. Assiste-se, daí em diante, a um embate entre o dogmatismo teísta inglês contra os deístas livres-pensadores franceses e belgas. O cobertor era por demais curto. Se, por um lado cobria a ruptura inglesa, por outro, desencadeia o cisma francês. Assim, o Grande Oriente da França, em seus primeiros ‘Estatutos e Regulamentos Gerais’, de 1839, não faz nenhuma referência a Deus e à religião. Em 1849, alguns elementos do Grande Oriente da França, pretendendo um estreitamento de relações com a Grande Loja Unida da Inglaterra, elaboraram uma Constituição com cláusulas que exigiam a crença em Deus e a imortalidade da alma, mas com a recomendação de se respeitar a consciência individual. A supressão do artigo teísta deu-se em 1877, no GOF, quando o pastor Desmons, com a presença de 210 lojas, conseguiu o apoio de 2/3 para retirar a obrigação das lojas de trabalhar à Glória do Grande Arquiteto do Universo. Estava declarada a guerra maçônica entre a França e a Inglaterra que dura até os nossos dias. A Grande Loja Unida da Inglaterra declarou irregular tanto o GOF quanto a Grande Loja da França. Somente em 1911, com a fundação da Grande Loja Nacional Francesa - GLNF, a maçonaria inglesa deu foros de regularidade a uma instituição maçônica francesa. Para a grande parte da maçonaria mundial o que vige é a Constituição de 1815 da Grande Loja Unida da Inglaterra.                           
O Congresso de Lausanne também pagou o seu preito à querela do GADU. Esse Convento, que foi a primeira tentativa de os Supremos Conselhos do R.E.A.A. tentarem uma certa unificação ritualística e a montagem de uma confederação dos Supremos Conselhos que, por sinal não vingou, aconteceu em 1875, dois anos antes do cisma francês cujo clima ainda permitia certo compromisso pré-ruptura. Houve a participação de onze Supremos Conselhos dos seguintes países: Inglaterra (e País de Gales), Bélgica, Cuba, Escócia, França, Grécia, Hungria, Itália, Peru, Portugal e o anfitrião Suíça. O Brasil, apesar de ter um dos mais antigos Supremos Conselhos do mundo, infelizmente não se fez presente. O Congresso de Lausanne havia que definir os princípios do R.E.A.A., em particular, o símbolo fundamental do G.A.D.U. Contrapunham-se, então, duas tendências: i) a tradição da Ordem: espiritualista e cristã contra ii) uma visão da época: liberalista e cientificista. Tentou-se, enfim, estabelecer um compromisso conforme pode se ler tanto no Tratado quanto na Declaração de Princípios e no Manifesto.
No Tratado, o pêndulo oscilava para o deísmo, no seu artigo 1º:
“A franco-maçonaria é uma instituição de fraternidade universal cuja origem remonta ao berço da sociedade humana; ela tem por doutrina o reconhecimento de uma força superior que ela proclama sob o nome de Grande Arquiteto do Universo;”
Na Declaração, assiste-se a uma proposição mais espiritualista:
“A franco-maçonaria proclama, como ela tem proclamado desde a sua origem, a existência de um princípio criador sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”.
Quanto ao Manifesto, reconhece-se, sem ambigüidade, o caráter pessoal do Grande Arquiteto do Universo: “Para elevar o homem a seus próprios olhos, para torná-lo digno de sua missão sobre a Terra, a Maçonaria coloca o princípio que o Criador Supremo deu ao homem, como bem mais precioso, a liberdade; a liberdade, patrimônio da humanidade inteira, raio do alto que nenhum poder tem o direito de apagar nem amortecer e que é a fonte dos sentimentos de honra e de dignidade”.  desenrolar do Conclave começou a complicar, quando na sessão do dia 9, o representante dos Supremos Conselhos da Escócia e da Grécia – Irmão Mackersy - declarou que teria que retornar ao seu país. No dia 13 de setembro, endereçou um comunicado ao Convento informando que não poderia, em nome dos Poderes que representava, dar sua aprovação à Declaração de Princípios, pois os dizeres lhe pareciam pouco espiritualistas, sobretudo a definição reservada ao G.A.D.U. 
Força Superior, Princípio Criador - expressões que não condiziam com a crença num Deus pessoal. Curioso é que o Supremo Conselho da Inglaterra enviou uma circular, em 26 de maio de 1876, aos seus corpos subordinados, assinado pelos seus dois representantes no Conclave de Lausanne, contendo uma admoestação ao delegado escocês dizendo que se ele tivesse ficado até o final não teria feito a declaração de que o Conclave usou expressões que não se coadunavam com um Deus pessoal. Pelo contrário, o ponto que o Conclave mais fortemente insistiu foi o de colocar, como princípio absoluto e fundamental do R.E.A.A., a crença na personalidade de Deus como o Autor, o Criador, o Criador Supremo, o Grande Arquiteto do Universo, o Ser Supremo! Em 1877, o Grande Oriente de França suprimiu, para as suas lojas, a obrigação de trabalhar à “Glória do Grande Arquiteto do Universo” e teve início o cisma que separou, radicalmente, a maçonaria francesa da inglesa. Apesar de o R.E.A.A. sempre ter mantido a sua filiação cristã e rejeitado terminantemente a inovação do G.O.F. assiste-se a um distanciamento da maçonaria anglo-saxônica que propunha um Deus Pessoal dos cristãos e dos judeus ao invés de um impessoal Princípio Criador. Sem se ater ao radicalismo do GOF, a proposição de Lausanne estava mais para o Anderson de 1723 do que o de 1738. A tendência moderna é que se dê razão às proposições de Lausanne. Alex Horne chega a afirmar que saber se Deus seja visto como um Deus Pessoal ou um Princípio ou Força Criadora impessoal deve ser um questão de escolha pessoal, seja de um indivíduo ou de um grupo.  Quem considera que são ateus aqueles que reduzem Deus a um Princípio Criador impessoal - e esta é a posição de Pike - não deveria, por coerência, aceitar que os budistas pudessem ser iniciados na maçonaria. E, pelo que se sabem os budistas nunca foram impedidos de se tornarem maçons.
A querela do G\A\D\U\ teve uma conclusão provisória em 1877 pela reunião em Edimburgo dos Supremos Conselhos da Escócia, da Grécia, dos EEUU (Jurisdição Sul), da Irlanda e da América Central. Tendo em vista o Cisma francês, estes últimos demandaram que a interpretação dada pelo Supremo Conselho da Inglaterra à definição do G\A\D\U\ fosse reconhecida pelo conjunto dos Supremos Conselhos Confederados em Lausanne. Após uma troca de notas, os dois grupos - o de Edimburgo e os restantes - e sob a pressão conciliadora do Supremo Conselho da Suíça, cedeu-se às exigências do grupo de Edimburgo, afim de realizar a unidade do escocesismo. A querela, pois, ainda não terminou. Deísmo, teísmo, descristianização, etc. são termos que tenderão a manter a polêmica na maçonaria por um longo tempo. Em suma, Lausanne mantém a tradição cristã  do R.E.A.A. nos seus diversos graus, mas, em termos de princípios, caminha para uma posição conciliadora entre o  deísmo e o teísmo.
V - CONCLUSÃO    
A principal conseqüência positiva do Conclave de Lausanne foi a de abrir as reuniões periódicas de grande parte dos Supremos Conselhos, chamados daí por diante de Conferências. Os únicos Supremos Conselhos que não aderiram a estas Conferências foram os da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Na Conferência de Bruxelas de 1907, participaram 20 Supremos Conselhos, incluindo as duas Jurisdição dos EEUU, e muitos entendimentos foram alcançados mais por consenso pragmáticos do que por força de texto legal. Estabeleceu-se a liberdade de cada Supremo Conselho adotar a versão revista das Constituições de 1786 como proposta em Lausanne. Foram publicadas versões de Lausanne em francês, principalmente na Bélgica, havendo, contudo, um desconhecimento do Conclave por parte dos países de língua inglesa, a não ser por aqueles comentários de Albert Pike sobre a querela do GADU. No geral, a maçonaria norte-americana desconhece completamente Lausanne. Os principais pontos do Conclave foram a revisão das Constituições de 1786, geralmente aceitas hoje em dia e a proclamação de um Princípio Criador chamado GADU. O Princípio Criador permeia, até hoje, os principais documentos do GOB e do Supremo Conselho. O art. 2º da Constituição do GOB reza o seguinte: Um dos principais pontos do Conclave foi a proclamação de um Princípio Criador chamado G.A.D.U. O Princípio Criador permeia, até hoje, os principais documentos do GOB e do Supremo Conselho do Brasil para o R.E.A.A. O art. 2º da Constituição do GOB reza o seguinte: 
“São postulados universais da Instituição Maçônica:
I - a existência de um princípio criador: o Grande Arquiteto do Universo”.
Os Estatutos do Supremo Conselho do Brasil para o R.E.A.A. afirma o seguinte, no seu preâmbulo: Sua doutrina, que tem por base as Grandes Constituições de 1786 e os Regulamentos Gerais de 1762, é fundamentada na hierarquia de 33 (trinta e três) graus, com o objetivo de desenvolver entre os maçons os seguintes princípios: 1) a existência de um Princípio Criador, o Grande Arquiteto do Universo... Outro ponto importante foi que o Conclave permitiu a todas as jurisdições do Rito Escocês ter idênticas Constituições apesar da diferença de rituais. O consenso não foi estabelecido em torno dos três primeiros graus: graus vermelhos ou azuis? E aqui a divisão ficou entre os latinos e os anglo-saxônicos: os latinos usando o avental vermelho do Mestre Maçom e os anglo-saxônicos continuando com os seus aventais azuis. O Brasil seguiu a tendência anglo-saxônica, a partir da ruptura de Bhering em 1927, tanto no GOB quanto nas Grandes Lojas. O Monitor (Tuileur) Escocês, editado em 1876 pelo Supremo Conselho da Suíça não teve nenhum caráter obrigatório. Documento único de referências, preciso e completo, fez diversas e, em alguns casos, profundas alterações no tocante à tradição dos graus escoceses. Desnecessário dizer que o Monitor coloca o avental maçônico do Mestre Maçom na cor do rito, isto é, vermelho. Um ponto também de suma importância foi que os corpos presentes ao Conclave seguiram a definição deística do GADU mais como um Princípio Criador do que como um Ser Supremo. Dizem que o mote - Ordo ab Chao - foi reforçado em Lausanne para simplesmente expressar o alívio dos delegados por terem conseguido colocar alguma ordem no caos que reinava antes no R.E.A.A.
Os maçons ibero-americanos assim como os franceses tinham uma longa história de perseguição por parte da Igreja Católica e, portanto, estavam desejosos de um vago requerimento “deístico” que os colocasse em guarda frente às atitudes anti-clericais prevalecentes então naqueles tempos. De um ponto de vista sul-americano e, principalmente, brasileiro, o Conclave de Lausanne representou um marco referencial. Desde 1875 o R.E.A.A., aceitando francamente princípios mais democráticos e realizando as reformas que exigiam o estágio da nossa civilização, deixou de ser o que tinha sido até aquele momento, isto é, uma associação mística, eminentemente aristocrática e autoritária, que se intitulando maçônica, colocava-se freqüentemente em oposição aberta aos reais princípios sustentados pela verdadeira maçonaria. Lausanne representou, mesmo que isto ainda não tenha aportado no Brasil, um verdadeiro espírito filosófico que tinha vindo para substituir a até então vigente massa informe de doutrinas místico-religiosas e de lendas jesuítico-templárias de todo gênero que, durante muito tempo, desviaram as inteligências maçônicas de seu verdadeiro caminho da Arte Real. Já não existe no R.E.A.A. um Poderoso Soberano Grande Comendador absoluto e eterno ditando regras absolutas para serem cumpridas por um bando de carneiros amestrados. Trata-se, agora, de fazer com que este sopro democrático lançado em Lausanne prossiga, oxigenando as estruturas dos Supremos Conselhos de todo o mundo. Neste limiar do século XXI, a Internet poderá ser um instrumento poderosíssimo para dar um sentido mais participativo ao R.E.A.A.
Se a sociedade do século XVIII era analógica, supersticiosa e religiosa e a nossa sociedade é mais analítica, racionalística e agnóstica no dizer de Michel Brodsky ex-venerável da Loja de Pesquisa Quatuor, Coronati, a nosso ver, Lausanne está mais para a sociedade moderna do que para a tradicional, pois começa desmistificando a lenda de ter Frederico II redigido as Grandes Constituições do R.E.A.A.; propõe uma visão moderna do G.A.D.U. e busca uma certa unidade na diversidade então vigente.
Bibliografia
Texto extraido da Wikipédia - Enciclopedia livre
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O CONGRESSO DE LAUSANNE E A MAÇONARIA ANGLO SAXÔNICA - PARTE I

A segunda tentativa de promover-se a união e a organização internacional, antevista e abortada em 1834, foi o Convento que se realizou em Lausanne na Suíça período de 06 a 22 de setembro de 1875, tendo como principais objetivos revisar e reformar as Grandes Constituições de 1786. Visou, também, à definição e à proclamação de princípios e à elaboração de um Tratado de Aliança e Solidariedade. Onze Supremos Conselhos se fizeram representar neste Convento: Inglaterra (e País de Gales), Bélgica, Cuba, Escócia, França, Grécia, Hungria, Itália, Peru, Portugal e o anfitrião Suíça. A Escócia e a Grécia, ambas representadas pelo mesmo Irmão se retiraram antes do término dos trabalhos, fato que levou a assinatura dos documentos finais a somente nove países. Os Supremos Conselhos dos Estados Unidos (jurisdição sul), Argentina e Colômbia deram seu assentimento, mas não puderam mandar representantes. O do Chile mandou dizer que daria seu assentimento às resoluções do Conclave. Após numerosas reuniões de trabalho em comissão e onze sessões plenárias, o Conclave foi encerrado em 22 de setembro de 1875.
Foram basicamente discutidos os seguintes temas:
a) uma revisão das Grandes Constituições de 1786, retirando toda referência a Frederico II, tendo como base a versão latina, considerada como a carta fundamental do R.E.A.A.;
b) a conclusão de um Tratado de União, de Aliança e de Confederação dos Supremos Conselhos;
c) a proclamação de um Manifesto solene;
d) uma Declaração de Princípios do Rito, nos quais os cinco primeiros parágrafos foram incluídos no Tratado de Aliança;
e) adoção de um Monitor (Tuileur) Escocês, especificando para cada grau do 1º ao 33º, as especificações sobre a decoração da Loja, os títulos dos oficiais, os sinais de ordem e de reconhecimento, os toques, as baterias, as aclamações, as marchas, as idades simbólicas, as palavras sagradas e de passes, as jóias, painéis, alfaias, etc.
f) apresenta uma relação dos Supremos Conselhos regularmente reconhecidos no mundo: Estados Unidos: Jurisdição Norte e Sul, Costa Rica, Inglaterra, Bélgica, Canadá, Chile, Cuba, Escócia, Colômbia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, México, Peru, Portugal, Argentina, Suíça, Uruguai e Venezuela. O Brasil não aparecia na lista e segundo Prober “o S.C.BRAS., na verdade um dos mais antigos do mundo, não figurava nesta relação dos 22 ‘reconhecidos’, por certo uma represália por não ter participado”. A Ata da décima sessão faz menção à questão do reconhecimento do Brasil: o Convento reconhece a existência de um Supremo Conselho no Brasil. Porém, como existiam duas autoridades pretendendo este título, seriam enviados, pelo Supremo Conselho da Suíça, os documentos para que ambas chegassem a um acordo. Caso contrário, o assunto deveria ser remetido ao tribunal criado pelo artigo VII do Tratado de Aliança para que pudesse ser julgado.
                                                                                  
Um ponto polêmico do Congresso de Lausanne foi a querela sobre o Grande Arquiteto do Universo que será discutido, em seguida, num item específico deste trabalho. O artigo 3º do Tratado de Aliança e de Confederação estipulava que os Supremos Conselhos se reuniriam em Convento geral em 1878 em Roma ou Londres e de dez em dez anos a partir desta data. Contudo, como este Convento de Lausanne não foi ratificado como previsto, somente em 1900, por iniciativa do Supremo Conselho da França, um novo, mas, modestíssimo Conclave estabeleceu-se em Paris. O Conclave, previsto para se reunir em Bruxelas em 1902, teve seu início em 10 de junho de 1907, 32 anos após o Conclave de Lausanne, com o pomposo título de Primeira Conferência Internacional dos Supremos Conselhos. Depois deste Conclave é que se assiste às reuniões regulares, somente interrompidas pelas duas guerras mundiais: a IIª Conferência em Washington - 1912, a IIIª em Lausanne - 1922, a IVª em Paris - 1929, a V.ª em Bruxelas - 1935, a VIª em Boston - setembro de 1939, a VIIª em Havana - 1956, a VIIIª em Washington - 1961, a IXª em Bruxelas - 1967, a Xª em Barranquilha na Colômbia - 1970, a XIª em Indianápolis nos EEUU - 1975, a XIIª em Paris - 1980, a XIIIª em Washington - 1985, a XIVª no México - 1990, a XVª em Lausanne - 1995 e a XVIª será no Rio de Janeiro em 2000.
O artigo 7º do referido Tratado criava um tribunal composto de cinco Soberanos Grandes Inspetores Gerais, membros ativos de cinco Supremos Conselhos, com a competência para julgar, em primeira instância, diferenças que pudessem ser suscitadas entre os Supremos Conselhos Confederados, resguardado o direito de apelação à Confederação, que decidiria em última instância o direito de apelação, por maioria de votos, no Conclave mais próximo a se realizar. Chegaram a nomear os cinco primeiros Conselhos, mas com o tempo, restou letra morta. Os EEUU sempre se posicionaram contra uma Confederação com o incisivo argumento de que uma Confederação existiu uma vez no seu país e que exigiu uma guerra sangrenta para eliminá-la e uma Confederação Maçônica não seria, pois, desejável pela ojeriza que os americanos têm a este nome!
No texto revisional das Grandes Constituições o artigo II mantinha o caráter vitalício dos membros dos Supremos Conselhos, ou seja, os Grandes Inspetores Gerais seriam nomeados ‘ad vitam’. O artigo III limitava em nove anos o período de mandato dos cargos para os quais fossem eleitos. O artigo V limitava em 33 o número máximo de membros ativos de cada Supremo Conselho. O artigo X prescrevia que o Soberano Grande Inspetor Geral não poderia, valendo-se de sua autoridade privada, conferir qualquer Grau maçônico nem expedir diplomas ou patentes. O artigo XI  anulava todos os então Consistórios e Conselhos de Kadosh, vez que os graus 30, 31 e 32 somente poderiam ser conferidos na presença de três Soberanos Grandes Inspetores Gerais. O artigo XVI ab-rogava os artigos XII, XIII e XIV das Grandes Constituições de 1786, desvestindo cada Supremo Conselho da soberana autoridade da Maçonaria, pela impossibilidade de exercer os soberanos poderes maçônicos de que se achava revestido Frederico II, bem como a perda também do poder legítimo de deputar um Soberano Grande Inspetor Geral para estabelecer um Supremo Conselho no grau 33 em qualquer país, observadas as prescrições das Grandes Constituições. A versão revista das Grandes Constituições de 1786, elaborada em Lausanne, foi, na prática, seguida por todos os Supremos Conselhos, incluindo aqueles que não aceitaram oficialmente o dito Conclave. Convém salientar que, em 1880, os Supremos Conselhos da Inglaterra e da Bélgica denunciaram o Tratado. O Brasil não soube se posicionar em relação ao Congresso de Lausanne, ficando numa situação dúbia e confusa, ora aceitando ora negando. Seus rituais mantiveram a posição da lenda de Frederico II, sem nenhuma explicação crítica, causando uma confusão entre os membros dos graus filosóficos. Isto pode ser constatado pelo prefácio da sétima edição das Grandes Constituições Escocesas editada pelo Supremo Conselho:
“Tendo as “Constituições, Institutos e Regulamentos Maçônicos” adotados em Bordeaux em 1762 e em Berlim em 1786, bem como as Resoluções do Congresso de Lausanne em 1785 (sic), as de Bruxelas em 1907 e as de Washington em 1912 do Decreto do Sob. Gr. Comend. General Thomaz Cavalcanti de Albuquerque, se tornado as Leis que regulamentavam o R.E.A.A. no Brasil, foram elas anexadas aos Estatutos do Supremo Conselho e publicadas como “Leis que regem o Escocismo no Brasil”.
Verificava-se, mais tarde, o inconveniente de tal junção, pois os Estatutos podem sofrer alterações, na dependência das necessidades, como vem acontecendo até a presente data. Destarte serem aqueles Documentos imutáveis em sua forma, quer pelo tempo quer pela tradição, baixou o Sob. Gr. Comend. José Marcelo Moreira o Decr. 122, em 19/08/64, determinando a publicação em separado de ambos os Documentos.
Assim, como conseqüência, foi publicada com o Título “Antigas Constituições Escocesas de 1762 e 1786”, bem como as Resoluções de Lausanne (1875), deixando de figurar as de Bruxelas (1907) e de Washington (1912). Outras Edições têm vindo sucessivamente à luz, à medida que as anteriores vão sendo esgotadas. As últimas Edições surgem com um Título novo, sem qualquer justificativa “Grandes Constituições Escocesas”.
Como, com o decorrer do tempo, as Resoluções de Lausanne (1875), bem como as de Bruxelas e mesmo as de Washington caíram em desuso, deixaremos de publicá-las na presente Edição, ficando a mesma constituída apenas pelas duas primeiras que foram a fonte orientadora do Rito.
A QUERELA DO G.A.D.U. 
Muita tinta já foi gasta para se refletir sobre o conceito de Deus na maçonaria mundial e a questão ainda não está clara. Vamos tentar enfocar a questão, sobretudo, nas Constituições de Anderson e no Congresso de Lausanne quando se reuniram os principais Supremos Conselhos do mundo do R.E.A.A. em 1875. No período operativo, a maçonaria hauriu o conceito de Deus da Igreja Católica Apostólica Romana. Tanto nas Antigas Obrigações (Old Charges) inglesas quanto em documentos mais recentes, ou seja até a fundação da Grande Loja de Londres em 1717, prescrevem-se orações à Santíssima Trindade, à Virgem Maria, aos Santos Patronos. Somente nos manuscritos do final do século XVI, a Reforma Anglicana começou a retirar o culto dos Santos e da Virgem Maria. Convém salientar que as Antigas Obrigações nunca usaram a expressão Grande Arquiteto do Universo nos seus textos. Tal expressão somente passou a ser usada pelo pastor presbiteriano Anderson, que por sinal modificou substancialmente a fundamentação católica das Antigas Obrigações. Considera-se o período especulativo, a partir da fundação da Grande Loja de Londres, as Constituições de Anderson despontam como o documento basilar.
A Constituição de Anderson de 1723 no capítulo Deveres de um Franco-maçom reza o seguinte: 
I - O que se refere a Deus e a Religião
“O Maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral, e se compreender seus deveres, nunca se converterá em um estúpido ateu nem irreligioso libertino. Apesar de nos tempos antigos os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observara nos países em que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não impor-lhes outra religião senão aquela que todos os homens aceitam, o dar-lhes completa liberdade com referência as suas opiniões particulares. Esta religião consiste em ser homens bons e leais, quer dizer, homens honrados e probos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções. Deste modo a Maçonaria se converterá em um centro de unidade e é o meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que, fora dela, teriam permanecido separadas”.Neste parágrafo de Anderson, encontram-se as seguintes diretrizes: I) acredita em Deus; II) é um ser religioso e III) pratica uma forma de religião natural, podendo ser cristã ou não. Estaria Anderson querendo substituir o cristianismo por uma religião natural ou propondo a coabitação dos dois?
Não se deve esquecer que Anderson era um pastor presbiteriano trinitário. Clarke levanta uma tese interessante ao notar que, na edição da Constituição de Anderson de 1738, ele faz referência a quatorze irmãos eruditos que leram, emendaram e finalmente aprovaram o texto escrito em 1723. Anderson estaria passando por sérias dificuldades financeiras na década de 20, pois apesar de ter casado com uma mulher de posses, perdeu parte considerável de suas propriedades no escândalo da South Sea Bubble em 1720. Precisava trabalhar arduamente com sua pena para fazer algum dinheiro extra e Clarke considera que Anderson era um simples secretário daquele comitê dos quatorze que teriam tido a responsabilidade de dar os princípios e idéias da Constituição de 1723. Muitos desses quatorze pertenciam à Sociedade Real, a primeira organização científica do mundo. Não se deve esquecer que Desaguliers era um membro da Real Sociedade (Fellow of Royal Society - FRS) e amigo pessoal de Isaac Newton. Payne, Bayle e Desaguliers seriam, assim, os principais mentores além dos elementos de sangue real.
O espírito do texto é completamente deísta. Aqui convém fazer uma distinção entre deísmo e teísmo. Segundo Alberton “teísmo é a doutrina de escola filosófica que admite a existência de Deus pessoal, primeiro princípio e fim último de tudo o que existe; deísmo é um sistema filosófico-religioso ou espécie de religião natural. Não nega a existência de Deus. Entretanto, Deus só pode ser alcançado por argumentos puramente racionais. Não há, pois, revelação e o Cristianismo se torna desnecessário. A intervenção de Deus no mundo também é desnecessária, negando, por conseguinte, sua Providência. Por isto, também, repugna-lhe o milagre, bem como toda intervenção sobrenatural: a Revelação e a Graça ou auxílio de Deus”. Teístas seriam aqueles que, no Ocidente judaíco-cristão, aceitassem como seu Deus, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó e deístas seriam como os cientistas que aceitam como Deus, o Deus de Leibniz e Spinoza.
Assiste-se, pois, a uma guinada na maçonaria inglesa, em termos religiosos, começando no catolicismo romano na fase operativa, passando pelo protestantismo (religião anglicana) até desembocar numa religião natural. Contudo, a reação teísta não se fez esperar. Já que a segunda edição da Constituição de Anderson de 1738 repõe a questão que tinha sido muito radical para o espírito teísta inglês e o concomitante ataque da primeira bula papal contra a maçonaria.

CONTINUA....
Um beijo no seu Coração

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PERAÍ VOLTAMOS JÁ JÁ

                                                                                  
No momento não podemos atender, após o sinal (que vem do alto) deixe o seu nome e o seu recado,  tão logo possa, entraremos  em contato com voce.
Que GADU te ilumine e a nós não desampare. tu tu tu tu tu ....



BOAS FESTAS - BOA PASSAGEM DE ANO - NÃO BEBA MUITO - NÃO FAÇA BOBAGENS - NÃO CHUTE O BALDE  ETC, ETC, ETC...

Em nome de todos os Irmãos não só da Cavaleiros do Templo nº 26, mas de toda as nossas Lojas que congregam a nossa Família, desejamos MUITA PAZ, UNIÃO e FORÇA para este ano de 2011. 




            UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SERÁ ESTE O TEMPO?

Que bom chegou o natal!
Vamos comprar presentes para todos, vovô, vovó, mamãe, papai, enfim, todos ganharão presentes, que gracinha, é natal!
Tempo de passar e deixar uma moedinha para os pedintes na esquina ou no sinal de trânsito, até porque, temos que demonstrar a boa ação nesta época. Nem vou citar a bebida antes, só para na noite de natal ninguém reclamar que estamos enchendo o pote, puxa é natal e natal sem bebida fica sem graça. Vamos comprar logo o presente do amigo oculto da empresa, mandar uns cartões eletrônicos nos e-mails dos amigos, distribuir umas garrafas de vinho pra uns e isto tudo porque chegou o natal.
                                                       
Na igreja nem chegamos na porta, até porque, vamos beber mesmo e preferimos assistir a missa do Galo em casa, ao lado do pratinho de rabanada e cá entre nós, essa missa é um saco, mas fazer o que né, chegou o natal. Tempo de comprarmos uma roupa nova, um sapato, qualquer coisa para ficar mais atraente, mais bonitos, mais charmosos e isto tudo é porque chegou o natal.
Ih! Esqueci de falar do cara da cruz, eh eh, foi mal, não pegou legal. Acho até que ele não pensou nada disto quando deu a sua vida por nós. Com certeza, ele não pensou que seria um feriado só para  encher o pote e trocar presentes, não, não acredito que ele tenha pensado nisto, acho que ele estava além, do tipo nos salvar e pedir para nós fazermos o mesmo pelo próximo, sem precisar dar uma moedinha, porém, dar aquele calor humano, sem a pretensão de toma-lo de volta. Pior é que não fazemos nenhum esforço de tira-lo da Cruz, quando rezamos olhamos este caboco no mesmo lugar, sangrando por nós e ao mesmo tempo, orando por nós.
                                                                                     
Contudo, te peço, vamos tirá-lo desta cruz, vamos fazer este exercício, me ajude a faze-lo. Comece Pegando uma escada, suba olhando para ele, se aproxime do braço esquerdo e comece a retirar o prego desta mão, faça devagar por favor, ele ainda sente as dores por nós. Muito bem, agora vamos retirar o da mão direita, isso bem devagar e vá conversando com ele, diga que voce o ama e que não se esqueceu de nada que ele nos ensinou. Agora os pregos dos pés, devagar, isso, deixe ele se apoiar em seu corpo, com calma voce não irá cair com ele. Muito bem, deixe ele sentar na terra mesmo e apoie a cabeça dele em seu colo. Viu como não foi difícil, agora pegue um pouco de água fresca e passe em seu rosto e nas suas feridas, ele está com sede de tudo, principalmente do seu coração . Enxugue as mãos, cuidado para não tocar em suas feridas, isto, agora diga para ele que voce o ama, que voce sofre também por ele e de um abraço bem gostoso, isso, não fica com vergonha dele não, abrace ele com vontade, mas não aperte muito, ele está ali a 2010 anos tão cansado e esperando que voce diga FELIZ ANIVERSÁRIO MEU TODO.




                                                                     

Como voce esta se sentindo?
 

Um beijo no coração de todos e
FELIZ NATAL meus Irmãos, Cunhadas e Sobrinhos
Yrapoan machado
Obreiro da Cavaleiros do Templo nº 26

AS ORIGENS INICIÁTICAS

MOISÉS
A iniciação hebraica revestiu-se de uma forma decerto mais sombria e mais feroz  que as iniciações egípcias e gregas, é certo que ela deve a sua forma atual à direção deste grande homem que foi inspirado por Deus. O legislador de Israel, era filho de um israelita, mas, no momento de seu nascimento, a quantidade de meninos judeus fez o Faraó temer que o Egito fosse destruído. Havia dado ordem bárbara de que todas as crianças dos hebreus do sexo masculino fossem mortas, logo no momento de nascer. As mulheres que eram destinadas a estes cuidados sempre cheias de repugnância, infringiam as ordens da autoridade. A criança chamada Asarsiph por sua mãe, não podia ser escondida por mais tempo; um grito ouvido por um guarda egípcio poderia perde-lo. Eis porque a mãe, confiante na bondade dos poderes superiores, colocou-o em uma cesta de rosas e deixou-o flutuar sobre o Nilo, perto do lugar onde a filha do Faraó, Termutos, tinha o costume de se banhar com suas damas. Era em 1705 A . C. Como a mãe havia secretamente esperado, a jovem princesa viu a criança e teve piedade; procurou uma ama para lhe proporcionar os cuidados e a mãe sentiu-se assaz feliz por isso. Recebeu, então, o nome de Moisés (salvo das águas) e deram-lhe como protegido da filha do Faraó, uma instrução muito vasta nos santuários do Egito.
A iniciação hebraica se relaciona diretamente com a iniciação egípcia, e isto não foi um mistério para os Judeus, pois que vemos nos Atos dos Apóstolos (cap.VII, v. 22): “Moisés, tendo sido instruído em toda a Sabedoria dos Egípcios, era um homem poderoso em obras e palavras”.

Estrabão, visitando o Egito, recebeu dos sacerdotes a mesma revelação. Afirmou-se que Moisés tinha sido sacerdote de Osíris. Eis o texto de Estrabão que se refere à existência de Moisés antes que o êxodo tenha tirado os hebreus da terra do Egito: “Moisés era um padre de Osíris que ocupava uma parte do país meridional”. “Em dissidência com o culto exterior, deixou o nomo, seguido de uma multidão de homens que adoravam a Divindade à sua maneira. Ele professava que o simbolismo zoológico mantinha o povo no erro, a respeito das coisas sagradas; que o simbolismo andrológico dos Libios e dos Gregos, tinha o mesmo inconveniente; que, se o Deus vivo se manifesta através do Universo inteiro, é uma razão para não particulariza-lo, emprestando-lhe uma das formas parciais do Cosmos”.  “Ajuntava que se devia limitar a adorar o Inefável em um templo digno dele, circundado de um território consagrado, mas desprovido de qualquer imagem representativa, de qualquer signo e de qualquer atributo figurado”. Recomendava que homens escolhidos dormissem no Templo, para receber as comunicações oneirocríticas 
ou outras que interessassem ao indivíduo ou à sociedade. “Segundo Moisés, o homem da sabedoria e da Justiça merecia esta graça, e devia colocar-se sempre em estado de receber o benefício, sempre digno de ser honrado pela manifestação da Suprema Vontade”. “Nada, em Moisés, indicava intolerância”. “Deus e as ciências que se ligavam a seu culto: eis qual era a sua força”. “Um território neutro para fundar um Templo, uma Universidade de Deus: eis qual era o seu fim”. “Prometia instituir uma religião, uma síntese social, sem exação sacerdotal, sem as fantasias imaginativas, sob o pretexto de revelação, sem sobrecarga de formalismo, sem o impudor das práticas”. “Moisés adquiriu um grande poder sobre a opinião pública destas paragens”. Há, pois, apesar das profundas semelhanças nas doutrinas, uma grande diferença na realização entre a iniciação do Egito e a que Moisés levou ao povo hebreu.
Bibliografia
Pedro Neves
e-mail neves.pedro@gmail.com.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Site maçônico (www.pedroneves.recantodasletras.com.br)

        Um beijo no seu coração                                       

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O SURGIMENTO DA MAÇONARIA ESPECULATIVA

Para pesquisar este complexo tema faz-se necessário examinar algumas lendas enraizadas no imaginário maçônico, para as quais não existe nenhuma comprovação documental. A primeira delas descreve o nascimento da Maçonaria Especulativa como sendo a descendente direta da Guilda de Ofício correspondente, que teria deixado entrar os não operativos ou aceitos em suas Lojas. Estes novos membros acabariam por dominar a guilda de ofício, não só em número, mas também na sua administração, transformando-a na organização maçônica que conhecemos a partir de 1717. Sem dúvida, a Maçonaria moderna muito deve à instituição chamada de Venerável Companhia dos Maçons Livres da Cidade de Londres, como era chamada nos documentos oficiais, a corporação que reunia os que praticavam a arte de construir. Não é sem razão que a instituição atual é a sua sucessora, quase sem mudanças, no nome e em muitos dos seus princípios de governo. A Maçonaria atual herdou nos nomes dos Oficiais e Dignitários mais importantes, o método de auto-sustentação financeira, a taxa de admissão, e outros usos, A bem da verdade, estes usos eram típicos de todas as corporações medievais, Entretanto, tudo isto não explica por quê os não operativos teriam solicitado a sua admissão, especificamente nesta corporação de oficio.
                                                                              
Uma explicação inicial, que Anderson foi buscar na antiguidade, consistiria no fato de que a admissão à corporação era atrativa em termos de “status social”, ou seja, por ser um ”símbolo de distinção”, como atualmente o é a admissão em associações do tipo Rotary ou Lions Clubs. Assim sendo, tratar-se-ia da atração que uma Companhia de Ofício, rica e poderosa, teria exercido sobre os homens que profissionalmente não pertenciam à corporação. Na realidade, isto é altamente improvável. De fato, devemos considerar que já no inicio do séc. XVII a Companhia de Ofício tinha perdido toda a sua importância e poder efetivo (causada pela falta de grandes obras, geralmente patrocinadas pela Igreja, cujo prestigio e poder econômico estava em decadência e já não era o mesmo da alta Idade Média). Qual seria então a atração que uma corporação em declínio poderia exercer sobre homens em busca de realizar suas ambições sociais? Uma segunda explicação sustenta que os não operativos foram atraídos para a corporação devido aos segredos esotéricos que esta possuía. Aqui também, devemos ressaltar que não existe nenhum documento das lojas operativas que ateste a existência de qualquer tipo de mistério que não fosse aquele ligado aos segredos de profissão, do mesmo tipo que se podem encontrar em qualquer outra corporação do gênero. A propósito, recordamos a suposta existência, na Inglaterra, de um grupo da chamada sobrevivência operativa, com um ritual com sete graus, que dividiam os Irmãos conforme o grau, em maçons do esquadro e maçons do arco, hipótese tão cara a René Guénon, o que é uma mistificação que apareceu e logo desapareceu no século XX. No que se refere à assim chamada Compagnonage, organização que só existiu na França, e na qual os Maçons não tinham a predominância, sabe-se que a sua parte ritual e esotérica é posterior à da Maçonaria Especulativa. Quanto aos famosos Mestres Comacinos, não existem documentos que atestem que tenham existido sob a forma de corporação. Os éditos longobardos que os mencionam são dos séc. VII e VIII, enquanto que os sistemas corporativos, com os seus juramentos, só aparecem no início do séc. XII (O Estatuto de Bolonha, de 1248). 
                                                                                        
Os artigos dos éditos de Rotari e de Luitprando, falam somente dos regulamentos a serem aplicados nos casos de eventuais acidentes no exercício da profissão de construtor. Falam também das compensações a serem atribuídas aos acidentados ou às suas famílias. Por outro lado, não se encontra nestes éditos nada que possa sugerir algo de misterioso ou de esotérico na profissão dos Mestres Comacinos. Também não é conhecido nenhum documento medieval das Guildas de Ofício que mencione qualquer forma de ensinamento esotérico, partilhado por seus membros. Especificamente em relação à Inglaterra, ninguém que já tenha lido os manuscritos Regius, Cooke, etc. encontrou neles quaisquer segredos, a não ser os relativos à profissão, a par de uma forte influência cristã, além da atenção dispensada aos problemas práticos, econômicos e referentes à administração do pessoal operativo. Assim sendo, não se conhece nenhum documento que contenha referências àqueles que são os pontos fundamentais do esoterismo maçônico atual, ou seja: Palavras, Sinais, Toques, a Lenda do Terceiro Grau ou similares. Na realidade, todos os documentos afirmam exatamente o oposto, isto é, que só depois do ingresso dos membros não operativos, no séc. XVII, foi que começaram a encontrar-se indícios de que algo misterioso estava acontecendo no interior da corporação. A propósito, mencionamos algumas datas:
                             
Já nos anos de 1520/21 os registros contábeis da corporação mencionam pagamentos efetuados por alguns membros e oficiais operativos, que tinham sido feitos maçons aceitos. É de ressaltar que nesta altura alguns membros aceitos eram já membros “ativos e quotistas” da Corporação de Ofício (embora a primeira admissão oficial, na Saint Mary’s Chapell Lodge, só tenha sido registrada em 1600). Deste modo, estamos diante de acontecimentos exatamente opostos àqueles que sempre se supôs acontecerem, isto é, que são os membros operativos que são admitidos entre os Aceitos, e não o inverso. De tal fato, podemos supor a existência de uma estrutura organizada e independente. Assim, fazer parte da organização operativa não significava pertencer automaticamente à organização especulativa. Outro fato significativo é que nos anos de 1655/56 a Companhia de Ofício decidiu retirar a palavra “freemasons” (Pedreiros Livres) de seu título, passando a chamar-se somente Companhia dos Maçons. Este fato permite supor que a mudança no nome da Companhia de Ofício visava oferecer cobertura a uma nova organização surgida em seu interior. O certo é que os primeiros sinais dos não operativos são todos posteriores ao início do séc. XVII. Na Escócia, em Edimburgo, os primeiros sinais aparecem em 1634. Em Atchison”s Haven, em 1672, 1677 1693. Em Kilwinning, em 1672 e em Aberdeen, em 1670. Na Inglaterra, já em 1621 os registros comprovam a existência de uma Sociedade de Maçons, em conjunto com a corporação de ofício regular. Esta nova sociedade recebia capitações dos maçons Aceitos, tanto dos construtores de ofício, quanto dos que não tinham nenhuma relação com a profissão.
   
Deste modo, é pode-se perfeitamente admitir que durante o séc. XVII tenha sido constituída uma fraternidade oculta, dentro da corporação profissional. Os seus membros ditos Aceitos seriam os efetivos possuidores do esoterismo e da maior parte da ritualidade que nos é hoje conhecida. Os membros desta nova fraternidade foram gradativamente assumindo a sua condição maçônica perante o público externo, a partir da segunda metade do mesmo século. A partir deste ponto, devemos procurar as origens deste novo grupo, a possível data de sua constituição, os seu conteúdo filosófico e esotérico, os seus fundadores, e o motivo pelo qual decidem ocultar-se dentro da corporação dos construtores. Todos os pesquisadores concordam em que o esoterismo maçônico, com a sua tradução em rituais, símbolos e ensinamentos, é uma criação desenvolvida ao longo de algumas dezenas de anos, e é obra dos Especulativos. Quem seriam os homens que possuíam este tipo de conhecimentos ? Sem dúvida, eram homens de condição social média/alta, pertencentes à burguesia iluminada e que, nos dias de hoje, poderiam ser chamados de “liberais”. Eram pesquisadores e estudiosos das culturas da antiguidade, colecionadores de manuscritos e de livros raros. Muitos se tornaram membros da Sociedade Real (Royal Society). Fazia também parte do seu projeto social a difusão do conhecimento científico, visando melhorar as condições de vida das populações mais humildes. Sob o ponto de vista religioso, numa época conturbada da história da Europa ( a Inquisição ) estes homens manifestavam uma forte tendência para a tolerância, a partir de um forte teísmo do tipo judaico-cristão.
                                                                  
Características muito importantes são as relações que muitos deles tinham com os sobreviventes do movimento Rosa-cruz da Alemanha, que se refugiaram na Inglaterra depois da dissolução do reino da Boêmia, em 1619. Os primeiros documentos que atestam a existência dos Aceitos, são datados de dois anos depois, isto é, de 1621. Deve-se notar que a Inglaterra era, na Europa de então, o único país que os colocaria a salvo dos processos e dos autos de fé da Inquisição Católica. Mesmo na Inglaterra a situação político-religiosa estava em transição, e ainda era bastante perigosa a divulgação dos conhecimentos esotéricos, filosóficos e sociais que os haviam inspirado. Nestas condições, era bastante atraente a oportunidade de se ocultarem dentro da organização, de modo a resguardar a permanência do conhecimento não ortodoxo, bem como a sua transmissão, de modo velado. O simbolismo geométrico-arquitetônico era utilizado para exprimir o conteúdo do conhecimento esotérico e filosófico. Assim, nada melhor para assegurar a continuidade da transmissão velada deste conhecimento do que a utilização de uma corporação de ofício, em declínio e de fácil manejo. Deste modo, a mensagem rosa-cruz foi introduzida na corporação dos maçons operativos ingleses, com a criação de rituais que asseguraram a sua sobrevivência e a sua transmissão futura.
                                                                                              
Como já dito, estes rituais – Aprendiz e Companheiro – foram sendo desenvolvidos durante todo o séc. XVII e início do séc. XVIII. Não se conhecem com exatidão as datas em que foram concluídos estes rituais, por dois motivos: em primeiro lugar, os rituais não eram escritos. Em segundo lugar, porque eram escassos os registros das reuniões das Lojas. Os registros existentes das reuniões deste período referem-se, basicamente, aos aspectos administrativos das reuniões. Jamais, em relação aos aspectos ritualísticos. A mensagem rosa-cruz tinha duas componentes: uma exotérica e outra esotérica. A primeira é facilmente reconhecida, e ainda hoje é uma das colunas de apoio do ensino maçônico. Propõe a tolerância religiosa, a ação social em favor dos necessitados, a difusão da cultura, a preferência pelos sistemas democráticos de governo, a aversão por toda a forma de despotismo, o compromisso com o social em todas as suas formas, e a obrigação de manter um comportamento ético irrepreensível. A componente esotérica e metafísica começa a ser conhecida com o aparecimento dos Aceitos. Inicialmente se tem conhecimento da expressão “Palavra Maçônica”, cujo significado era desconhecido, e cujo segredo os Aceitos defendiam de maneira quase feroz. A esse respeito, Henry Adamson escreveu em 1638: “Nós temos a Palavra Maçônica e a segunda vista”. Henry Home assim se expressava em 1640: “Existem muitas palavras e sinais Maçônicos que vos serão revelados e de cujo segredo vos pedirei contas diante de Deus, no grande e terrível dia do Juízo Final. Deveis manter sempre o segredo sem revelá-lo a ninguém, a não ser aos mestres e companheiros da Sociedade dos Maçons”.
                                                 
Além disso, encontramos referências nos juramentos de que essa Palavra jamais devia ser escrita, nem sequer na areia, sob pena de terríveis punições. Assim, parece certo que esta palavra devia consistir de algum tipo de conhecimento que nunca foi revelado. Neste ponto, é inequívoca a influência rosa-cruz. Vejamos ainda alguns pontos que ajudarão em nossas conclusões. Sem imitar o trapalhão Ragon, analisemos as características do maçom aceito mais conhecido do séc. XVII. Referimo-nos a Elias Ashmole, iniciado em Warrington a 16 de outubro de 1646, aos 29 anos, como consta em seu próprio diário, no qual o termo usado não é “iniciado”, mas “aceito”. Em outro de seus diários ele escreveu, a 13 de maio de 1653, que o seu padrinho na Ordem, o senhor Blackhouse, lhe revelou no leito de morte, por sílabas, o nome da matéria da Pedra Filosofal. Em 1663, Ashmole tornou-se membro da Sociedade Real. O segundo ponto a ressaltar consiste nas freqüentes referências, nos rituais, à assim chamada Lenda Críptica e às suas conexões com o simbolismo do Templo de Salomão. Convém lembrar que o ritual maçônico do grau de Aprendiz, praticamente na forma em que o conhecemos, foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo da segunda metade do séc. XVII e, provavelmente nas primeiras décadas do século seguinte. Devemos também lembrar que a definição de Deus como Grande Arquiteto do Universo não é, como se poderia pensar, de origem maçônica, mas sim de uma antiga versão de uma lenda Alquímic0/Rosa-cruz. L”Andréa, conhecido por ter divulgado os Manifestos Rosacruzes em Londres, já usa esta expressão em um trabalho de 1623. Portanto, muito antes do desenvolvimento dos rituais maçônicos.
                                                                        
No que se refere ao sistema ritual que contém o Real Arco, muito apreciado pelos maçons, deve-se ressaltar que a lenda críptica é repetida, em várias versões, e que as referências alquímicas nos graus superiores ao terceiro são bastante explícitas, sem esquecer que um dos graus mais importantes do sistema é o Príncipe Rosa-Cruz. Os argumentos acima expostos permitem concluir que o ensinamento dos Aceitos tem por base os conhecimentos alquímicos dos rosa-cruzes, com todas as suas conseqüências filosóficas e metafísicas. Assim, concluímos também que o conhecimento esotérico e ocultista esteve presente nos primórdios da Instituição Maçônica atual e que a evolução do ritual e do simbolismo, ocorrida ao longo do séc. XVII e início do séc. XVIII, foi a maneira encontrada para manter vivo e compreensível todo este acervo de conhecimentos, cujo objetivo maior é o aperfeiçoamento moral e espiritual do ser humano.
                                                                               

BIBLIOGRAFIA
Freemasonry - Bernard Jones
The Compagnognage and the Craft - C.N. Batham
Historiae Patriae Monumenta - Edita Langobardorum
Medieval Masters and their Secrets - W.W. Conery-Crump
Speculative Masonry - Harry Carr
The Transition from Operative to Speculative Enlightenment - F.A. Yates
The pre-eminence of the Great Architect in Freemasonry - R.H.S. Rottenburg




 


Os nossos respeitos ao valoroso Ir.'.
ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.'.I.'., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB - Brasil


UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO                           

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

AS LOJAS DE SÃO JOÃO

Quando os trabalhos são declarados abertos, há referência a São João, dito nosso padroeiro. Porém, qual o São João?  São muitos, na Igreja Católico-Cristã, os santos com o nome de São João "disso e daquilo, etc." Os regulamentos maçônicos recomendam se festejar a dois, a São João, "o Batista", e a São João, "o Evangelista".

O BATISTA
São João Batista, também dito "o Precursor", era filho de Isabel, prima da Virgem Maria e, por conseguinte, também parente de Jesus. Ele ganhou o epíteto de "batista" porque, no rio Jordão, "batizava" as pessoas,derramando-lhes água sobre as cabeças, assim limpando-os espiritualmente(batismo significa banho). Era também conhecido por viver no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, vestindo apenas com uma pele de carneiro, andando assim meio nu, meio vestido. Seguramente, pertencia, entre os judeus, ao grupo dos essênios, que vivia em Quram, perto do mar Morto. 
                                                                                    
Local onde, em 1947, foram encontrados alguns documentos de sua época. Tinha vários seguidores, mas se dizia Precursor de Alguém Maior que ele, e de quem não era digno sequer de Lhe desatar as sandálias. Vituperava a Herodes Antipas ¾o rei imposto pelos romanos aos judeus ¾ , porque Antipas mandara matar a seu meio-irmão para ficar com a sua esposa. Antipas mandou decapitar a João Batista, atendendo o pedido de Salomé, sua enteada, filha de seu meio-irmão, acima referido. O dia 24 de junho foi estipulado pela Igreja Católica como o de sucomemoração. 
O EVANGELISTA
O outro São João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus. Chamam-no de Evangelista porque, além de pregar os ensinamentos do Mestre, foi o autor do 4o. Evangelho, de três epístolas e do famoso Apocalipse. Essa palavra quer dizer "revelação". Nele, João relata as revelações que teria tido sobre o fim dos tempos e dos caminhos para a salvação. Por falar nos fins dos tempos, catástrofes, guerras, pestes, castigos, a palavra "apocalipse" ganhou a conotação de "algo ruim, apavorante, cataclismático, terrificante". A linguagem é  extremamente simbólica, de difícil compreensão.
É comemorado a 27 de dezembro.
MAÇONARIA OPERATIVA
Na verdade, porém, como vem registrado no item XXII, dos Regulamentos Gerais das Constituições de Anderson, de 1723, e com elas publicados, o dia que os maçons operativos do passado tinham escolhido para a reunião anual era o de São João Batista, em 24 de junho, ou, opcionalmente, no dia de São João Evangelista, em 27 de dezembro. Mas, com ênfase ao primeiro. Aliás, notar que a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, ocorreu precisamente nesse dia, 24 de junho. Veja-se como vem redigido esse cãnone dos Regulamentos Gerais, aprovados, pela segunda vez, no dia de São João, 24 de junho de 1721, por ocasião da eleição do Príncipe João, duque de Montagu, para Grão-Mestre:
"XXII. Os Irmãos de todas as Lojas de Londres e Westminster e das imediações se reunirão em uma COMUNICAÇÃO ANUAL e Festa, em algum Lugar apropriado, no Dia de São João Batista, ou então no Dia de São João Evangelista, como a Grande Loja pensa fixar por um novo Regulamento, pois essa reunião ocorreu nos Anos passados no Dia de São João Batista: Provido(...)"
RAZÕES ESOTÉRICAS
Só por uma segunda opção a reunião e festa ocorreria,portanto, no dia 27 de dezembro, na festa do outro São João. Mas, por quê? O porque dessa alternativa tem uma explicação esotérica, que remonta às prováveis origens da Maçonaria, aos Colegiatti Fabrorum dos romanos. A esses colégios de artesãos, de diferentes ofícios, pertenciam também os da construção. Eles acompanhavam as tropas romanas, para o trabalho de reconstrução e instalação da administração imperial, nas terras conquistadas e colonizadas. E com eles ia a sua religião ou religiões, para ser mais exato, ainda que entre os romanos a predominante fosse a da adoração à Mitra, que era representado por uma figura humana. No lugar da cabeça, um Sol. Havia muitos outros deuses, notadamente, o de Jano, uma figura   de duas cabeças coladas e opostas, cada uma olhando em sentido contrário a da outra, e que simbolizavam: uma, o solstício da entrada do verão (24 de junho, hemisfério norte); a outra, o solstício da entrada do inverno (27 de dezembro, hemisfério norte). Esses solstícios estão sempre presentes, nas festas pagãs, porque vinculadas à Natureza. 

É aí que encontramos uma provável explicação histórica para os festejos juninos e os natalinos, a que a nova religião romano-cristã, não podendo desenraizar dos costumes populares, o mínimo que conseguiu foi a substituição. Todavia, no seio da maçonaria operativa, mesmo sob tal disfarce, ambas as datas sobreviveram, em face do conteúdo esotérico de seus significados. Não esquecer que os colégios, principalmente, os dos construtores, seriam depositários dos conhecimentos e mistérios de antiguíssimas sociedades iniciáticas, todas praticantes de ritos solares. Se você, leitor e freqüentador da Loja Virtual, tiver algo a acrescentar, ou mesmo a reparar, por favor, escreva para nós.

BIBLIOGRAFIA
ESTA PEÇA DE ARQUITETURA  É UM FRASCO DE PERFUME RARO.
Ir. Silva Pinto.   Email :   silpinto@uol.com.br 
Loja Virtual da Arte Real Brasil
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