CAVALEIROS DO TEMPLO


Este blog tem como objetivo único, cooperar em leituras e estudos voltados para o segmento Maçônico, com textos de diversos autores e abordagens diferentes para um único tema.

Por Yrapoan Machado






sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OS PRECEITOS DA RELIGIÃO MUÇULMANA

O Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra "Promessas do Islã", publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim resumidos:
1. Profissão de Fé: "Existe um único Deus e Maomé é seu profeta". Nenhuma outra divindade se não Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).2. Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a existência resumida em você." A prece integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho do mirhab designa a direção da Kaaba são assim integrados, por círculos concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro. A ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele se torna seu perfeito espelho.
                                                                                 
3. Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu "eu" e aos seus desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da morte.
4. Zakat. Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma comunidade.
5. A peregrinação a Meca, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em direção ao centro de si mesmo. O tema central do Islã, em todas as suas manifestações, é esse duplo movimento de fluxo do homem em direção a Deus e de refluxo de Deus em direção ao homem, sístole e diástole do coração muçulmano: "Na verdade, somos de Deus e a Ele retornamos" (II, 156)
                                                                     
Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (a grafia "Corão" também é considerada correta), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente político--religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser traduzida realmente como "Guerra Santa". Segundo ainda Roger Garaudy, filósofo franco-argelino convertido ao islamismo, há duas grandes formas de se fazer a Guerra Santa preconizada pelo Profeta. Há a "Grande Jihad" ou luta contra o ego e a "Pequena Jihad" que é a busca de persuasão do infiel aos caminhos do Profeta. Seguindo ainda aquele autor, "idolatria é adorar como se fosse Deus algo que não é Deus". Neste sentido, a egolatria é uma das formas mais condenáveis de idolatria e a Grande Jihad volta-se a dar combate a esta forma de idolatria. A "Pequena Jihad" busca, principalmente pela persuasão, mas à força se necessário, proteger o Islã e trazer novos crentes para o Islã.
 
A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão, as Sunas, coletânea de relatos acerca das práticas adotadas por Maomé e seus seguidores.
BIBLIOGRAFIA
Peça de Arquitetura extraida do blog Templo Maçônico, a quem creditamos todo o texto.

Um beijo no seu coração

                                                                         

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A CHAVE DE HIRAM – OS SEGREDOS PERDIDOS DA MAÇONARIA

Estamos sempre diante da impressão de que algo não foi dito ou não foi bem retratado acerca dos eventos que tiveram lugar ao longo dos séculos. Daí encontrarmos uma série de estudos voltados à redescoberta de verdades históricas. Assim nasceram o materialismo histórico e a mais tarde a chamada “nova história”. Na linha do materialismo histórico a abordagem chamada “crítica”, a “visão dos vencidos” tem sido a mais convincente. A premissa é transparente: os vencedores têm sempre alguma coisa menos dourada, mais complexa, que preferem ou precisam ocultar acerca de sua atuação no cenário histórico. Os vencidos nada têm a perder e somente podem se beneficiar com uma análise histórica profunda, radical. Os IIr.’. britânicos  Christopher Knight e Robert Lomas, em A Chave de Hiram, ed. Landmark trazem-nos aportes impressionantes que, como outras obras deste gênero ao longo dos séculos, coloca em xeque uma série de valores das religiões formalmente estabelecidas no Ocidente Cristão (católicas romana e ortodoxa mas, principalmente as protestantes). Por exemplo: finalmente temos uma explicação convincente para o fato de a Bíblia traduzida ao alemão por Martinho Lutero trazer vários Livros da Bíblia, como os 2 capítulos que compõem a história da resistência dos Macabeus a Antíoco Epifane – aliás a Bíblia de Lutero é letra por letra idêntica à Bíblia Católica Romana – enquanto as versões protestantes (King James em inglês e João Ferreira de Almeida em português) não trazem I e II Macabeus, além de haver ainda uma série de outros expurgos, livros faltando que, segundo os protestantes, “não são livros inspirados, são meramente históricos” ao contrário do que Luteranos e Católicos acreditam.
                                                                                                                       
Em síntese, Judas Macabeu instaura uma nova linhagem que, embora heróica, não é reconhecida pelo judaísmo oficial por questões sucessórias (ele não era da tribo de Davi). Os Cavaleiros Templários, quando de suas escavações em Jerusalém, pelo XII século, possivelmente localizaram esta informação em antigos escritos ali depositados e, como o protestantismo recebeu poderosa influência daqueles Cavaleiros cristãos excomungados no século XIV pela Igreja Romana, a visão templária está presente nas bíblias protestantes e não nas católicas. Lutero sofreu pouca ou nenhuma influência dos descendentes intelectuais e espirituais dos Templários, estando assim muito mais próximo da Igreja Romana. Até que surja uma explicação mais profunda ou detalhada, esta hipótese aventada pelos Autores é perfeitamente convincente.
I – A origem da Maçonaria não está nas Guildas de Pedreiros Medievais
Chris Knight e Robert Lomas iniciam seu Trabalho ressaltando ser a Maçonaria uma Instituição tradicional, voltada ao aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade, sob os auspícios de Deus ou Grande Arquiteto do Universo. Ao contrário das religiões formalmente estabelecidas, não há na Maçonaria qualquer referência a entidades ou divindades “das trevas”: é a única Instituição radicalmente Monoteísta do Ocidente. De pronto descartam a hipótese segundo a qual, antes de formalizar-se na Inglaterra no dia 24 de junho de 1717, a Maçonaria ter origem exclusiva ou principal nas guildas de pedreiros medievais. Apresentam 3 motivos para esta conclusão:
Todas as Corporações de Ofício de Pedreiros Medievais recebiam as bênçãos da Igreja Romana o que seria impensável para a Maçonaria. Ficava-se por vezes uma vida inteira, por exemplo, na construção de uma grande Catedral, tornando desnecessários códigos de reconhecimento. Quanto à profissão, se alguém alegasse ser pedreiro sem o ser, sua inabilidade o denunciaria rapidamente.As Antigas Obrigações (Old Charges) da Maçonaria estabelecem, por exemplo que “nenhum irmão deve revelar qualquer segredo legítimo de qualquer outro irmão se isso puder lhe custar a vida ou as posses”. Somente por excomunhão alguém poderia correr este risco naquele tempo. Hereges eram excomungados. Que atividade de construção poderia conduzir pedreiros cristãos à condenação por excomunhão? Mais lógico concluir serem Cavaleiros em fuga – os Templários em cujas cores, símbolos e costumes há tanta reminiscência na Maçonaria. Há ainda, nas Old Charges a proibição peremptória de um irmão relacionar-se sexualmente com qualquer mulher da família de outro irmão. Cavaleiros em fuga que solicitassem proteção precisariam deste cuidado, sem dúvida! Mas o que poderia impedir um pedreiro, por exemplo, de casar-se com a irmã de outro? Há mais, nas Old Charges, mas atenho-me à mais chocante: entre maçons sempre se contaram muitos reis e nobres. O que conduziria reis e nobres a aprender normas de comportamento moral com humildes pedreiros? O argumento apresentado como “definitivo” pelos Autores é o fato de nunca ter havido guildas de pedreiros na Inglaterra, berço da Maçonaria. (Sobre este as reminiscências a “construções” existentes na Ordem há outra explicação muito mais consistente que a fantasiosa hipótese “guildas de pedreiros medievais”, mas fogem ao escopo destas notas. Alhures e oportunamente o desenvolverei ). 
II – Os Segredos Perdidos da Maçonaria
Viajando a 3 continentes (Europa, África e Ásia) os Autores investigam antigas construções, idiomas locais, bibliotecas e reminiscências em histórias populares encontrando explicações fascinantes a praticamente todas as expressões que usamos em Loja – e quem de nós não sentiu o desejo sincero de conhecer profundamente as origens do que dizemos nos Rituais, freqüentemente recebendo a admoestação de que “compreenderíamos mais tarde”, o “mais tarde” vai chegando e os mistérios aumentam sem que expliquem os primeiros, etc? Pois os IIr.’. Knight e Lomas sentem esta pulsão e contam com a possibilidade de pesquisar in loco, trazendo-nos informações precisas e preenchendo esta lacuna.Desde o primeiro contato com a Ordem sabemos que havia segredos originais que foram perdidos por circunstâncias dramáticas envolvendo a morte de um homem lendário – Hiram Abiff, construtor do Templo de Salomão – segredos que foram substituídos ou recriados em época bem remota. Os Autores, com a discrição necessária a uma Obra destinada ao grande público, apontam na direção certa a pesquisarmos.  Detalhes da vida de Sequenenre Tao, rei egípcio do Alto Nilo em período tenso, quando o Baixo Nilo estava sob o controle dos hicsos, apontam na direção da origem exata do mito de Hiram Abiff, ficando como hipótese de trabalho altamente convincente a especulação se o patriarca Abraão seria também um nobre hicsos. Muito do que se vê no interior da Loja Maçônica vem convincentemente explicado em A Chave de Hiram que, cautelosamente, apresenta fatos e dados históricos claramente delimitados das especulações dos Autores – abundam no livro expressões como “talvez”, “provavelmente”, “quase com toda a certeza”, etc. quando se envereda pelo caminho especulativo, mas estas especulações são robustecidas por documentos antigos, fotos e transliterações idiomáticas que realmente nos persuadem. Melhor que a leitura da Obra só mesmo uma visita aos sítios arqueológicos mencionados, de Ur, na Mesopotâmia (atualmente Iraque...) passando pelos monumentos e bibliotecas egípcias, Jerusalém e o Vaticano, chegando à Capela Rosslyn, na Escócia.
III – Alguns aportes
Investigando de perto, com total isenção e sem estar sujeito a qualquer limitação dogmática apriorística, os Autores chegam a conclusões a um só tempo fascinantes e perturbadoras. Cito aqui apenas 7 dentre as muitas arroladas ao longo da Obra. A vinda dos descendentes de Abraão (José e seus irmãos) ao Egito estaria no contexto das chamadas “invasões hicsas” àquele importante centro do Mundo Antigo. A cerimônia de consagração do rei egípcio envolvia um ritual onde se encenava a sua morte e, na encenação de sua ressurreição, ele era erguido pelos sacerdotes que lhe murmuravam ao ouvido: Ma’at neb-men-aa, ma’at-ba-aa que, em egípcio antigo, traduz-se literalmente como “Grande é o Mestre de Ma’at. Grande é o Espírito de Ma’at” – Ma’at é a corporificação institucional da Verdade e da Justiça. Estaria a vida e a morte trágica de Sequenenre Tao na origem do mito de Hiram Abiff? As marcas existentes em sua múmia, em exposição no Museu do Cairo e reproduzidas no livro, reforçam esta tese. Moisés foi iniciado nos mistérios do Egito Antigo e muito da teologia judaica retrata reminiscências egípcias, assim como sumérias, caldéias e babilônias. Os pilares que se destinavam a unir o humano ao divino nos reinos do Alto e do Baixo Nilo são as mais antigas reminiscências ao que mais tarde seriam as Colunas do Templo de Salomão. Há uma ligação estreita entre o simbolismo das pirâmides, a Estrela de Davi e a Estrela da Manhã (Vênus), como o mais importante líder político e religioso dos hebreus definia a si mesmo. Os manuscritos encontrados no Mar Morto trazem informações riquíssimas sobre a história de Israel, o momento em que a Palestina estava sob o domínio romano e os primórdios do cristianismo – manuscritos similares provavelmente tenham sido encontrados pelos Templários quando de suas escavações em Jerusalém tornando-os dignos herdeiros das Tradições Egípcias reproduzidas em Israel assim como precursores da Maçonaria como a conhecemos hoje. A Cabala seria a racionalização matemática e grega do antigo pensamento tradicional dos líderes religiosos hebreus.
IV – O Resgate
A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em Qumram, Palestina e Nag Hammadi, no Alto Egito, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, trouxe luzes incríveis sobre os tempos de dominação da Palestina pelos romanos e os primórdios do desenvolvimento dos ensinamentos de Jesus Cristo. Encontraram-se diversos pergaminhos, em péssimo estado de conservação (alguns com mais de 2.500 anos de idade!) narrando histórias dos hebreus em seu cativeiro na Babilônia, dos primeiros discípulos de Cristo, códigos de legislação e uma série de dados, muitos dos quais frontalmente conflitantes ao que se tornou a história oficial tanto do povo hebreu quanto da Primeira Igreja de Jerusalém sob a liderança de Jesus Cristo e, a seguir, de seu irmão Tiago. Há muito ainda a ser traduzido e compreendido, somente se arranhou a superfície de toda aquela gama enciclopédica de informações; à medida em que nossos corações se tornam capazes de receber a plenitude da mensagem deixada a nós pelos zelosos rabinos da comunidade de Qumram e os primeiros cristãos de Nag Hamadi, mais será revelado. Está provado que documentos similares foram sepultados sob o Templo de Salomão – há inúmeras referências cruzadas a “documentos protegidos debaixo do Santo dos Santos, no Templo de Salomão”. Os Templários os desenterraram e, com o auxílio de intelectuais da época, decifraram. Toda esta informação está incorporada aos rituais maçônicos: há um grau, o do Santo Real Arco, que rememora, por alegorias ilustradas em símbolos, precisamente a descoberta destes documentos. Isto nos traz dados que permitem compreender melhor a história dos primórdios da civilização humana no Oriente Médio e apreender a plenitude do simbolismo maçônico.


BIBLIOGRAFIA
A Loja Cavaleiros do Templo nº 26 parabeniza a este Ir.'. e Mui digno Mestre por esta Peça de Arquitetura

Lázaro Curvêlo Chaves – M.’.M.’. 
Delegado da G.’.L.’.U.’.S.’.A.’. para a região norte de São Paulo e Sul de Minas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

APRENDENDO SEMPRE


Para aprender devemos estar abertos para exercitar nossa
humildade e flexibilidade. Algumas pessoas que já
alcançaram determinado patamar em sua graduação, por orgulho e arrogância, dificilmente acreditam que ainda há o que aprender, pois pensam saber tudo. Da mesma forma uma pessoa rígida em seus valores e padrões têm muita dificuldade em aceitar as mudanças, querendo sempre ter o controle de tudo e todos. Enfim, não temos como saber tudo, pois estamos em constante processo de mudança e evolução, independente de idade ou do quanto já sabemos. Por isso, para que haja mudança, devemos ser flexíveis; e para aprender, devemos ser humildes. A arrogância, o orgulho e a rigidez são verdadeiros obstáculos para o aprendizado e conseqüente crescimento.
Quando nós resistimos, estamos permitindo que os conflitos e a insatisfação venham ao nosso encontro. Agora pensemos sobre as situações passadas que nos permitiram aprender algo, seja sobre nossa vida profissional ou pessoal. Certamente, ao sair de nossa zona de conforto descobriremos o quanto fomos, e ainda somos capazes de aprendermos transmitindo nossos conhecimentos; do contrário, 
vamos vivendo sem muitas reflexões, questionamentos, sem mudanças ou crescimento Mas que saibamos que outras lições virão, e teremos cada vez mais a certeza que tudo acontece para que possamos crescer e subir mais um degrau nessa escada sem fim de nossa evolução.
Texto enviado por nossa cunhada  Dra. Lúcia Helena Rique 
Conselheira-Núcleo  Fioravanti Di Piero                                                                                

A MAÇONARIA E SEUS CAMINHOS

Os registros históricos indicam que, desde o seu surgimento, a Maçonaria defende a liberdade de pensamento, o trabalho livre, a liberdade religiosa e está sempre ao lado dos interesses do povo. A Maçonaria glorifica Deus, o Único Todo-Poderoso Criador do Universo, a quem chama de Grande Arquiteto do Universo (G.:A.:D.:U.:). Utilizando como símbolo universal, o Esquadro, representando a Lei, e o Compasso representando a Justiça, entrelaçados no centro com a letra G (o Geometria), temos o significado da aspiração máxima da Maçonaria:- A Lei e a Justiça de Deus sobre todos os homens. A Maçonaria é uma sociedade iniciática e cultural de livres pensadores. O ingresso na instituição obedece a rigoroso processo e, participar do quadro de obreiros de uma Loja é uma sorte, um privilégio concedido ao candidato que for julgado digno, livre, sensível ao bem e crente em Deus. Pode-se dizer que a Maçonaria é composta basicamente de três elementos: O Iniciático; o Fraternal e o Humano. Nos dois primeiros elementos, ou seja, no Iniciático e no Fraternal reside a essência do espírito maçônico. A Ordem é a mesma, sempre e em qualquer lugar do mundo. Já no terceiro elemento, ou seja, o Humano, a Maçonaria apresenta diferentes aspectos em decorrência da mentalidade de seus membros influenciada pelo meio em que vivem e, também, pelas circunstâncias políticas, econômicas, religiosas ou históricas. Mesmo assim, gira em torno de uma só idéia – a tolerância. Portanto, a Maçonaria nunca se apresenta como a dona da verdade. Não impõe dogmas. Muito pelo contrário. Seus membros têm o livre arbítrio. O livre pensar. Por se encontrar unida espiritualmente em seus diversos princípios a Maçonaria se tornou uma Instituição Universal. Entretanto existe, sob a ótica material e institucional, uma profunda divisão advinda do próprio sentimento maçônico que prefere a adesão crítica à adesão cega, ignorante e irracional.
                                                                               
Em 1717, foram materializadas as Obediências que são potências autônomas e independentes, pois não há governo central da Maçonaria. Muitas delas, apesar de comungarem alguns princípios, não mantêm um contato ou relacionamento entre si, existindo, até mesmo, obediências que estão de relações suspensas ou cortadas. Não obstante isto, a união espiritual está sempre presente entre os maçons principalmente no que tange ao espírito dos rituais e dos Graus Simbólicos, que é o mesmo em toda à parte, por maiores que sejam as divergências verbais e dos ritos entre graus idênticos, trabalhados por obediências diferentes. Antes, as Lojas eram livres não havia subordinação a grandes lojas ou grandes orientes. Hoje, muitas lojas estão voltando às origens, assumindo uma postura de liberdade e independência, buscando praticar a maçonaria de forma pura, solidária e fraterna, com prioridade na elevação do espírito, na busca do conhecimento, valorização do homem como um todo, rumo à paz e ao progresso, despida de vaidades e egoísmo. Ora, em sendo a Maçonaria apologista do livre pensar, da investigação científica, da procura da verdade, nada mais natural que cada irmão, com o passar do tempo, procurasse fazer parte de lojas onde os seus anseios, a sua procura, o seu modo de ser se identificassem. Daí surgiram oficinas que, sem deixar a prática dos Princípios Universais da Maçonaria, direcionaram seus trabalhos com foco específico em decorrência dos interesses do grupo, do momento histórico, da ação social pretendida e em função do meio e da época.
Perquirir a literatura maçônica, vamos encontrar os seguintes tipos de maçonaria:

A Maçonaria Iniciática
                                                                       
É o ingresso na Ordem Maçônica quando o Aprendiz recebe, de forma simbólica, o Cinzel e o Maço instrumentos de trabalho e que o levarão à pesquisa esotérica, no sentido místico. Cabe observar que o simbolismo é uma das ciências mais antigas do mundo. Através dos símbolos, os povos primitivos se comunicavam e registravam sua história. O verdadeiro símbolo é aquele que pode ser interpretado por diversos ângulos, de acordo com a capacidade intelectual e emocional de cada um. De acordo com a Encyclopedia de Mackey, “a maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo”. O Cinzel é o Instrumento do grau de Aprendiz. Representa o intelecto e sugere o trabalho inteligente. Simbolicamente, serve para desbastar a pedra bruta da personalidade. Já o Maço, ou Malho, representa a ferramenta para, alegoricamente, desbastar a pedra ou educar a agreste e inculta personalidade para uma vida ou obra superior. O malho simboliza a vontade, energia, decisão, o aspecto ativo da consciência, necessário para vencer e superar os obstáculos.
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A Maçonaria Filosófica e a MaçonariaTeísta
                               
A Maçonaria congregando todas as manifestações do pensamento humano está sempre a procura da Sabedoria e da Luz que ilumina e dirige tanto o Macrocosmo como o Microcosmo. Neste contexto, ela mergulha em busca de conhecimentos estudando a História das Religiões, da Filosofia e a História e Evolução da Humanidade. Assim, são as Lojas Filosóficas, dos altos Graus e as Lojas em que os Irmãos se dedicam aos estudos religiosos, místicos e espiritualistas, construindo uma rede que une todas as correntes do pensamento humano.

A Maçonaria Fraternal ou Clubista
                                         
As lojas deste segmento têm uma postura mais de clube social, de confraternização entre seus membros, apesar de realizarem programas de grande alcance humanitário. Nos casos da espécie, hão de se ter as cautelas necessárias para que a oficina não se transforme apenas numa associação longe dos objetivos maiores da maçonaria como “Ordem” e Instituição que busca, através da simbologia de seus rituais e no esoterismo, o caminho que leva ao conhecimento e à evolução do ser humano.

A Maçonaria Beneficente
                                                                            
 
Caracteriza pela postura humanística e filantrópica assumida pelos obreiros, alicerçada na tríade fé, esperança e caridade. Compromissados com a melhoria das condições de vida do ser humano, a ação destes Irmãos não se restringe ao mundo maçônico, mas, quase sempre, dão assistência material e espiritual também aos profanos e a todas as pessoas menos favorecidas, que foram abandonadas pela sociedade, esquecidos pelos políticos e que estão por toda a parte, nas ruas, sob as pontes e viadutos, levando uma vida indigna e desumana.

A Maçonaria Política
                                                
A Maçonaria Política consiste na ocupação de espaços na sociedade, participação, atuação cívica e representatividade. A maçonaria está sempre presente na nossa história. Destacou-se, inicialmente, entre alguns revolucionários da Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana no final do século XVIII, período em que assumiu uma posição avançada, representando um importante centro de atividade política, difundindo os ideais do liberalismo anticolonialista. Sua influência cresceu consideravelmente durante o processo de formação do Estado Brasileiro, onde apareceu como uma das mais importantes instituições de apoio à independência, permanecendo atuante ao longo de todo período monárquico no século XIX. A participação da Maçonaria na política está na sua própria razão de ser. A política desinteressada, conduzida com honestidade encontra guarita dentro das aspirações maçônicas e dos princípios de nossa Lei Maior, ou seja, a construção de um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.
A Maçonaria Conspiratória
                                                                                
Ao longo de sua existência a Maçonaria teve que superar enormes obstáculos advindos das perseguições religiosas, políticas e, até mesmo, de incompatibilidades surgidas entre os seus membros no curso da sua evolução histórica. A crença de que não existe verdade pétrea, que a vida é um aprendizado constante e, a cada segundo, conceitos são mudados, novas descobertas são anunciadas, fazem com que o verdadeiro maçon tenha o dever de investigar com habilidade, bom senso, sabedoria e procurar a Verdade com vistas à construção de um futuro melhor, mais humano e que a paz seja alcançada. Desta forma, onde houver um ditador e uma ditadura haverá alguém se opondo. Este alguém poderá ser um maçon ou contar com o apoio da maçonaria. Enquanto a Maçonaria defender a liberdade do ser humano será sempre um alvo de perseguições e intolerâncias. Porém, a Maçonaria e o Ideal Maçônico já provaram que podem ser amordaçados, mas nunca emudecidos. Finalmente, podemos dizer com toda tranqüilidade que ao trazerem para a Loja as suas características pessoais os irmãos constroem um ambiente com o qual se identificam, tornando os trabalhos mais eficientes e eficazes, mas sempre respeitando os símbolos e praticando os rituais de acordo com os mandamentos maçônicos. Concluindo, gostaria de homenagear um personagem histórico que é bastante caro e importante a toda Ordem Maçônica. Assim, peço vênia ao grande poeta de além mar, Fernando Pessoa para, fazendo minhas as suas palavras, dizer que o maçon deve:
                                                                     
Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, e combater, sempre e em toda a parte os seus três assassinos: a IGNORÂNCIA, o FANATISMO e a TIRANIA.

Bibliografia 
1. As associações Secretas – Analise Serena e Minuciosa a um Projeto de Lei apresentado ao Parlamento, Pessoa, Fernando, Diário de Lisboa, 04.02.35.
2. Tipos de Maçonaria, Júnior, Edmir Mármora, Revista Trolha nº 226. ago/05
3. A Maçonaria e sua Política Secreta, Castellani, José ,Traço Editora - 1982
4. Das Origens e Essência da Maçonaria e do seu Contributo Judaico, Pessoa, Fernando, Editora Princípio 1993.
5. Sociedades Secretas, Cabral, José, Editorial Império Lisboa, 1935.
6. A Ordem na Visão de Fernando Pessoa, Calado, Antônio Alves Rodrigues, Revista A Trolha, julho de 1999.
7. Constituição da República Federativa do Brasil (Preâmbulo).

UM BEIJO NOS CAMINHOS DE SEUS CORAÇÕES

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL

Para falar da influência da Maçonaria na independência dos países da América do Sul, é de justiça começar pelo educador ideológico dos próceres americanos, chamado o precursor Francisco Antonio Gabriel de Miranda e Rodríguez, nascido em Caracas em 28 de março de 1750. Miranda foi iniciado em 1780 na Loja América de Virginia (USA), nada menos que pelo Irmão George Washington. Na sua vida teve glórias e distinções das mais altas, concedidas por personalidades da Europa, EEUU e Rússia, mas nunca se deixou levar pela vaidade e, em todo momento, com fé de um verdadeiro maçom, manteve latente seus ideais de independência para as colônias espanholas da América. Foi em Londres que o Irmão Miranda começou a fazer seu trabalho de doutrinar os patriotas americanos. Em 1797 fundou a "Loja Grão Reunião Americana" que funcionava na Grafton Street, 27, Fitzroy Square, perto de Piccadilly Circus. O Irmão Miranda morava nesse mesmo endereço e desenvolvia algumas atividades particulares que lhe garantiam a sobrevivência o que, na realidade, servia mais para disfarçar seus trabalhos para selecionar as pessoas certas para a causa americana.
                                                                                    
É grande e importante a lista de patriotas que receberam a luz maçônica do malhete do Irmão Miranda e que logo se espalharam pelo Continente levando a semente revolucionária, explicando-se deste modo, porque a Revolução da Independência foi simultânea no Continente, fenômeno que tem chamado a atenção dos historiadores. Somente para citar alguns dos maçons preparados pelo Irmão Miranda, temos: Bernardo O´Higgins Riquelme, Libertador do Chile, sua pátria; Carlos Montúfar, ilustre militar equatoriano; Vicente Rocafuerte, Presidente da República do Equador; Bernardo Monteagudo, notável estadista argentino; José Cecílio del Valle, político e jurisconsulto hondurenho que foi eleito Presidente da sua pátria mas morreu antes de tomar posse; Pedro José Caro, político cubano; Servando Teresa de Mier, jurisconsulto mexicano; José Miguel Carrera, o primeiro dos Presidentes do Chile (O´Higgins o antecedeu mas com o título de Diretor Supremo); Mariano Moreno, jurisconsulto argentino; Pedro Fermín de Vargas, ilustre filho de Socorro que hoje é o departamento de Santander, Colômbia; Simon Bolívar, o Libertador; Antonio Narino, o precursor da emancipação de Nueva Granada a Colômbia de hoje desde 1831 (data da divisão da Gran Colômbia) até 1858, quando tomou o nome de Confederação Granadina; Andrés Bello, famoso educador, poeta, jurisconsulto e diplomata venezuelano posteriormente naturalizado chileno; José de San Martín, argentino e libertador de três países. A lista é longa e para não estende-la em demasia, podemos completar com os nomes do venezuelano Luis Méndez, dos chilenos José Cortés de Madariaga, Manuel José de Salas, Juan Antonio de Rozas, Gregorio Argomedo, Juan Antonio Rojas, os granadinos (colombianos) Francisco Antonio. Devemos esclarecer aos nossos leitores que devido a discrição própria da Maçonaria, e que sendo a finalidade da Loja Grão Reunião Americana decididamente revolucionária, os historiadores tem encontrado informações divergentes, mas a lista anterior tem o apoio de muitos deles. Como exemplo, citaremos três casos de divergências: o Irmão Carlos de Montúfar e Larrea teria sido iniciado em Paris; e quanto ao Irmão Simon Bolívar há historiadores que dão sua iniciação em Cádiz (1803) existindo ainda uma ata de uma Loja francesa em poder da Grande Loja da Venezuela, que cita que sua Iniciação e Elevação teriam acontecido nesta Loja, em Paris em 1805. O Irmão José de San Martín teria sido iniciado na Loja Legalidade de Cadíz, em 1808.

PRIMEIROS MOVIMENTOS NA EUROPA
Os patriotas começaram a se movimentar na Europa para obter apoio político. Foram instaladas outras Lojas como filiais da Grande Reunião Americana, em Paris e em Madri com o nome de Junta das Cidades e Províncias da América Meridional e, em Cadíz, como Sociedade de Lautaro ou Cavalheiros Racionais, tendo esta última uma grande importância devido a ser Cádiz o porto de enlace com a América do Sul. Daí os patriotas levavam e traziam notícias referentes a causa americana. Porém, era de Londres que emanavam todas as ordens para dar cumprimento ao Plano Emancipador de toda a América espanhola, conforme inspiração de Miranda. O Rei da Espanha, Fernando VII, de triste lembrança, odiava a Ordem e estava informado do papel que a Maçonaria desempenhava na Independência; sua maior preocupação era com a própria maçonaria espanhola que atuava principalmente através da imprensa, semeando sua mensagem de liberdade.   É bom lembrar que, anteriormente, o mais ilustre maçom da Espanha, o Irmão Pedro Pablo Abarca de Bolea, Conde de Aranda, como Primeiro Ministro de Carlos III, tinha proposto dar independência às colônias americanas e associá-las a Espanha numa espécie de "commonwealth". Numa nova etapa, a Maçonaria patriota estendeu sua ação ao próprio continente americano e, em diversas cidades, começaram a serem instaladas as célebres Lojas Lautarinas. O irmão Miranda viajou para os EEUU onde preparou a primeira expedição libertadora a Venezuela em 1806; a expedição foi um fracasso militar, mas conseguiu comover profundamente o sistema colonial espanhol.
AS LOJAS LAUTARINAS
                                                                                    
San Martin regressou a Buenos Aires no início de 1812, quando o processo da independência tinha começado e colocado sua espada ao serviço da causa, enquanto secretamente instalava junto com os Irmãos Carlos Maria de Alvear e Matias Zapiola, a Loja Lautarina de Buenos Aires. É bom lembrar que na Argentina já existiam desde 1775 Lojas Maçônicas independentes dos Orientes da Irlanda e da França, mas em 1812 as citadas Lojas estavam totalmente desorganizadas.O nome de Sociedade de Lautaro ou Loja Lautarina ou Lautariana, este último nome conforme o léxico argentino, teria surgido numa conversação entre Miranda e O'Higgins em Londres, na qual este último mencionou o nome do toqui (chefe índio) militar dos índios araucanos do Chile na luta contra os invasores espanhóis na metade do século XVI e que ficou como exemplo de espírito libertário. Muito se tem discutido se as Lojas Lautarinas foram ou não maçônicas, ficando, finalmente, o consenso que não foram Lojas maçônicas regulares. Formadas com a finalidade de lutar pela liberdade dos povos americanos, eram autônomas, não submetidas a nenhuma Potência Maçônica regular. Possuíam um ritual muito similar ao de uma Loja regular, prestavam juramento e tinham 5 graus, a saber:
a) No 1º Grau, o iniciante comprometia-se com a vida e seus bens, a trabalhar pela Independência Americana.
b) No 2º Grau, fazia confissão de fé democrática;
c) No 3º Grau pedia-se ao filiando trabalhos de propaganda em prol dos novos ideais;
d) No 4º Grau o filiando era comissionado para influir sobre os funcionários públicos que, no momento supremo, poderiam favorecer a causa; e
e) No 5º Grau de caráter secreto e reservado aos grandes chefes, discutia-se a ação militar e a futura administração e governo político dos países a ser libertados. Este Grau tinha o nome de "Comissão do Reservado". A lenda mística das Lojas estava simbolizada por três letras U. F. V. que significavam União, Fé, Vitória. O'Higgins preparou o Regulamento e as Obrigações dos Irmãos os quais eram rigorosos especialmente os referentes ao segredo e a obediência às disposições da Loja, contemplando para os infratores até a pena de morte.  Este detalhe que tem criado muita polêmica por parte dos eternos inimigos da Ordem tem apresentado as Lojas Lautarinas como sociedades que mantiveram a coesão de seus membros mais por temor que por convicção aos seus princípios.
                                                                                       
Autores maçônicos de prestigio, como Bartolomé Mitre (argentino) indicaram que estas penas eram somente de caráter moral ou simbólico (aliás, similar a como hoje é), não existindo antecedente de alguma eliminação física de pessoas devido a divulgação de segredos. De qualquer maneira, devemos levar em consideração que os costumes da época eram diferentes das atuais, mostrando os homens um desapego a vida que atualmente chama a atenção. Estando em jogo interesses tão elevados até que poderia ter sido normal a implantação de disciplinas tão rigorosas. Dando prosseguimento à tarefa de formação de uma base de apoio à causa revolucionária, San Martín muda para Mendoza, a cidade argentina que fica mais perto de Santiago, capital chilena, onde instalou uma Loja Lautarina. Incorporou-se nela Bernardo O'Higgins, que tinha sido parcialmente derrotado pelo exército espanhol na batalha da cidade chilena de Rancagua. Unidos os patriotas chilenos e argentinos, fundou-se mais uma Loja Lautarina em Tucumán. San Martín prepara seu plano para organizar um exército Libertador com chilenos e argentinos que iria a expulsar as forças espanholas definitivamente de Chile e Peru, como única forma para que o processo de Independência de Argentina, Chile e Peru fosse irreversível.

LIBERTAÇÃO DO CHILE 
O Chile foi libertado e O'Higgins tomou posse como Diretor Supremo da nova República. Começou a administrar um país pobre saindo de uma guerra estando com sua produção, administração, educação e estrutura social e jurídica atrasada ou nula. O'Higgins tomou diversas medidas, afetando seriamente as classes abastadas e as pertencentes à nobreza e em boa parte, a Igreja Católica, orientado pelo pensamento dos livres pensadores laicos agrupados nas Lojas Lautarinas. O sentimento contra O'Higgins ganhou força na crença que existia um poder superior que nas sombras tomava decisões e aplicava políticas, ficando as autoridades legítimas com simples "testas de ferro". Temos que reconhecer que houve erros, tais como o assassinato do herói popular Manuel Rodríguez, de posição política radical, o fuzilamento dos irmãos Carrera, dirigentes de um partido político antagônico e outros, próprios da inexperiência dos novos governantes.
                                                                                
San Martin desenvolveu a campanha do Peru, apoiado pelo mar por Lord Thomas Cochrane. Nesta etapa teve a oportunidade de demonstrar o seu humanismo maçônico quando se negou a abrir fogo contra a cidade de Lima, ganhando a inimizade de Cochrane e o risco de ter um motim na esquadra e no exército, obtendo, entretanto, a rendição de Lima sem derramar uma gota de sangue. Voltemos nossa atenção à Venezuela que em 19/04/1810 proclamou sua autonomia com o pretexto do exílio de Fernando VI; foi enviada uma comissão a Londres formada por Simon Bolívar, Luis López Méndez e Andrés Bello (todos maçons) que foi apresentada por Miranda ao governo inglês, mas sem resultados positivos. Os quatro voltaram a Caracas, onde Miranda em 05/07/1811 assinou a Declaração da Independência da Venezuela, numa reunião da Sociedade Patriótica (uma Loja maçônica que funcionava na clandestinidade), com a presença de Simon Bolívar, Peña, Iznardi, Espejo, Roseto, Yañez, Penalver e outras importantes figuras patrióticas, todos convictos de pertencer à maçonaria.
Simon Bolívar Na mesma data, outra sociedade secreta funcionava numa fazenda de Bolívar, que contava com a participação de Vicente Matias, Mariano Montilla, Francisco Iznardi, todos iniciados na Europa e Roscio, iniciado nos EEUU. Em 1811 fundou-se em Cumaná a Loja Perfeita Amizade No 74 sob os auspícios da Grande Loja de Maryland, EEUU. No seu quadro figuravam os nomes de Antonio José de Sucre, Santiago Mariño, Manuel Rivas, Miguel Aristeiguieta, Andrés Caballero, Agustín Armário, Diego Montes e José Francisco Bermúdez. Fala-se que Miranda, Bolívar, Rodrigues e outros maçons haveriam fundado em Barcelona a Loja Protetora das Virtudes No 1, em 01/07/1812. A reação dos realistas frente a independência da Venezuela foi forte. Miranda, solicitado pelos patriotas a assumir o governo como ditador, o que não condizia com seus ideais de liberdade, ocasionou clamoroso fracasso; capitulou em 25/07/1812 em San Mateo, acabando sua vida na prisão de La Carraca, Cádiz.
                                                                                                 
Bolívar começa sua triunfal epopéia militar que o leva a fama para toda a posteridade. No comando das tropas venezuelanas e colombianas libertou e proclamou a República da Colômbia, constituída por Nueva Granada e Venezuela, incorporando posteriormente Equador. Olhou para o sul e igual que San Martín percebeu que a liberdade da América não seria definitiva enquanto a Espanha ainda lutasse no Peru, onde San Martín já governava por um ano, realizando grandes reformas, porém sem conseguir expulsar totalmente o exército espanhol, que reforçara consideravelmente suas forças no interior do país. A viagem de Bolívar ao Peru foi um passeio triunfal. Sua entrada nas cidades parecia o regresso de um Imperador vencedor. Em Lima, aconteceu a famosa reunião com San Martín, a portas fechadas, na qual para evitar lutas fratricidas, San Martín cedeu a Bolívar a honra e a glória da eliminação das tropas espanholas do Perú e a libertação da Bolívia. O messiânico venezuelano, o Libertador, vai mudando para uma ambição sem limites. O contraste entre Bolívar e San Martín, do ponto de vista maçônico, é grande. Bolívar desprendeu-se de seus juramentos maçônicos quando significaram um entrave aos seus projetos. San Martín respeitou seus juramentos de nunca revelar os segredos maçônicos, negando-se a revelar os detalhes de suas brigas com a maçonaria, tendo regressado a Argentina e posteriormente partiu para o exílio.

A BATALHA FINAL
                                                                                 
A libertação da América espanhola chegou a sua culminação com a batalha de Ayacucho no dia 09-dez-1824, que teve fatos de fraternidade e generosidade e elevados limites e que nunca serão esquecidos pelos maçons. Na noite anterior à batalha, as Lojas que funcionavam em ambos exércitos foram citadas separadamente em uma reunião para procurar uma solução que evitasse o derramamento de sangue, mas essa solução não foi encontrada. Foi feita, em seguida uma reunião em conjunto, mas também com o mesmo resultado negativo. No dia seguinte um maçom espanhol solicitou a permissão para que familiares e maçons que militavam em diferentes exércitos fossem autorizados a abraçar-se pela última vez. Uma centena de soldados americanos e espanhóis avançaram para se cumprimentar; no lado esquerdo ficaram os maçons, que após se abraçaram por três vezes, participaram de uma fraternal reunião que durou quase uma hora e foi emocionante. Encontraram-se, entre outros, os irmãos Rodil, Espartero, Vergara, Virrey José de la Serna, Venerável Mestre General Canterac, Past Master Marechal Jerônimo Valdez, General Monet, Antonio Tur e General Ballesteros, no lado espanhol, e os irmãos José Faustino Sanchéz Carrión, General Antonio José de Sucre, General José Maria Córdova, Tenente Coronel Vicente Tur (espanhol, mas pertencente ao exército patriota e irmão carnal de Antonio Tur) e General Antonio Valero de Bernabé, no lado americano. Ficou o exemplo da fraternidade maçônica, que não reconhece raças nem nacionalidades, ainda que nas circunstâncias mais dramáticas. Terminou a batalha com a vitória das armas americanas e quando o chefe espanhol, o maçom La Serna, ferido seis vezes, entregou sua espada ao General maçom, Sucre, este não aceitou, solicitando que continuasse nas mãos do bravo militar. As atenções que os prisioneiros e, especialmente os feridos, receberam, foi outra amostra de fraternidade extrema, como igualmente a Ata de Capitulação, em que a generosidade do vencedor ultrapassou as demandas do vencido.
                                                                                     
Sucre foi nomeado Presidente Vitalício da nova República da Bolívia, ficando somente até 1828, quando solicitou demissão e voltou para Venezuela. Em 1830 foi chamado para presidir a República do Equador. Viajando para tomar posse, foi surpreendido pelos seus inimigos, na Colômbia, morrendo assassinado.
BOLÍVAR DESENTENDE-SE COM A MAÇONARIA 
Bolívar, envaidecido pela sua glória, recorreu aos países aos quais deu a independência, tentando manter á Confederação sob as suas mãos. Mas as ambições de seus próprios comandados vão contra ele, passando a ser o alvo de numerosos "complots" em meio a profundas desavenças políticas. Até que aconteceu o atentado mais sério, em Bogotá no dia 25 de setembro de 1828, perpetrado por uma sociedade secreta dirigida pelo frei Arganil. Bolívar salvou-se por milagre e reagiu violentamente emitindo em 8 de novembro de 1828 um decreto que fechava todas as associações secretas, evidentemente incluindo à Maçonaria. Todo o ministério que acompanhava Bolívar era maçom, com exceção de um, mas contra a vontade de Bolívar não adiantava discutir e foram inúteis todas as argumentações dos Ministros. Começou assim o desentendimento e que seria definitivo de Bolívar com a Maçonaria. E bom lembrar que da vida maçônica de Bolívar no Peru ou em outros países, fora da Venezuela, não existem provas tangíveis. Somente existe uma confissão ao escritor maçom, oficial francês, Luiz Peru de la Croix, na qual Bolívar reconhece que, por simples curiosidade, ingressou na Maçonaria, tendo recebido o grau de Mestre em Paris, mas afastou-se posteriormente.

O OCASO DOS HÉROIS
                                                                                                 
A América estava liberada do domínio espanhol. O trabalho dos maçons estava terminado e a América já não necessitava de seus heróis. Miranda morre numa prisão em Cádiz; San Martin exilou-se na França onde morre longe da pátria por ele libertada; O'Higgins morre exilado no Peru; Sucre é assassinado na Colômbia; Bolívar doente, morre desterrado na ilha de Santa Maria (Venezuela) protegido nos seus últimos dias por um espanhol. Todos morreram pobres, abandonados por quem tanto lutaram.

A LUTA IDEOLÓGICA NO BRASIL 
De forma similar aos patriotas da América espanhola, os brasileiros que iriam a dirigir o processo da Independência da sua Pátria desenvolveram seus estudos na Europa, principalmente em Portugal, onde toda a intelectualidade da época achava-se altamente influenciada pela Revolução Francesa com sua Declaração dos Direitos do Homem, pelas idéias dos enciclopedistas franceses liderados por Diderot e pela ação da Maçonaria com a sua filosofia liberal. Os dois principais patriotas brasileiros foram os maçons Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Após seus estudos na Europa, regressaram ao Brasil e desenvolveram uma política ativa de engajamento libertário, com metas diferentes entre si, os que os tornou rivais. Ledo propunha um rompimento total com Portugal e Bonifácio, como conservador e vinculado ao poder econômico, queria a união com o reino de Portugal. A luta ideológica das duas facções começou nos Templos maçônicos, assumindo posteriormente caráter público através da imprensa e dos institutos constitucionais da época. O grupo de Ledo obteve de Dom Pedro I  a decisão do "Fico" e concedeu-lhe o título de Defensor Perpétuo do Brasil, conforme proposta da Loja Comércio e Artes, em 1822. A fundação, por Ledo, do Grande Oriente do Brasil, em 17 de Junho de 1822, procurou o envolvimento definitivo de Dom Pedro I na luta libertária dentro dos princípios do grupo liberal. Dom Pedro I foi eleito Grão Mestre em substituição a José Bonifácio.
                                                         
As brigas entre Ledo e José Bonifácio prosseguiram cada vez mais encarniçadas, provocando, infelizmente, uma cisão na família maçônica, incluindo o fechamento de todas as sociedades secretas. Ledo partiu para o exílio e quando regressa ao Brasil e ao Legislativo, vê perdido seu antigo prestigio e vai isolar-se em sua fazenda, onde morre em 19 de maio de 1847. Da sua parte, José Bonifácio sofreu os embates das ambições políticas e foi destituído do cargo de tutor do futuro Dom Pedro II, ficando preso na sua casa na ilha de Paquetá, falecendo em 6 de abril de 1838.

BIBLIOGRAFIA
Compilado da Revistas Maçônicas do Chile e Revista A Verdade
Publicado na Revista A Verdade de Janeiro/Fevereiro de 1987

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO E VIVA A NOSSA AMÉRICA

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O QUE É MAÇONARIA ?


A Maçonaria, Ordem Universal, é constituída por homens de todas as raças e nacionalidades, acolhidos por iniciação e congregados em Lojas,  nas quais, auxiliados por símbolos e alegorias, estudam e trabalham para o aperfeiçoamento da Sociedade Humana. É fundada no Amor Fraternal e na esperança de que, com amor a Deus, à pátria, à família e ao próximo, com tolerância e sabedoria, com a constante e livre investigação da Verdade, com a evolução do conhecimento humano pela filosofia, ciências e artes, sob a tríade da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e dentro dos Princípios da Moral, da Razão e da Justiça, o mundo alcance a felicidade geral e a paz universal.  
 
Desse enunciado deduz-se que: 
I  - a Maçonaria proclama, desde a sua origem, a existência de um Princípio Criador, ao qual, em respeito a todas as religiões, denomina Grande Arquiteto do Universo; 
II - a Maçonaria não impõe limites à investigação da verdade e, para garantir essa liberdade, exige de todos a maior tolerância; 
III - a Maçonaria é acessível aos homens de todas as raças, classes e crenças, quer religiosas quer políticas, excetuando as que privem o homem da liberdade de consciência, da manifestação do pensamento, restrinjam os direitos e a dignidade da pessoa humana e exijam submissão incondicional; 
IV - a Maçonaria Simbólica compõe-se de três Graus universalmente reconhecidos e adotados: Aprendiz, Companheiro e Mestre; 
V - a Maçonaria adota a Lenda do Terceiro Grau; 
VI  -  a  Maçonaria, além de combater a ignorância em todas as suas modalidades, constitui-se numa escola, impondo-se o seguinte programa: 
    a) obedecer às leis democráticas do País;  
    b) viver segundo os ditames da honra;  
    c) praticar justiça;  
    d) amar o próximo;  
    d) trabalhar pelo progresso do homem. 

VII - a Maçonaria proíbe discussão político-partídaria e religioso-sectária em seus Templos
VIII - a Maçonaria adota o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, considerados como suas Três Luzes Emblemáticas, que deverão estar sobre o Altar dos Juramentos.  
A par dessa definição e da declaração formal da aceitação dos "Landmarks", codificados por Albert Gallatin Mackey, proclama, também, os seguintes princípios: 
     I - amar a Deus, a Pátria, a Família e a Humanidade; 
     II - praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhar; 
     III - praticar a solidariedade maçônica, nas causas justas, fortalecendo os laços de fraternidade; 

 IV - defender os direitos e as garantias individuais; 
 V - considerar o trabalho lícito e digno como dever do homem; 
 VI - exigir de seus membros boa reputação moral, cívica, social e familiar, pugnando pelo aperfeiçoamento dos costumes; 
 VII  -exigir tolerância para com toda forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia, cujos objetivos sejam os de conquistar a verdade, a moral, a paz e o bem social; 
 VIII - lutar pelo princípio da eqüidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, obras e méritos; 
 IX - combater o fanatismo, as paixões, o obscurantismo e os vícios.  Os ensinamentos maçônicos orientam seus membros a se dedicar à felicidade de seus semelhantes, não só porque a razão e a moral lhes impõem tal obrigação, mas também porque esse sentimento de solidariedade os faz irmãos.  

Bibliografia
Este texto foi extraido do site http://www.livrariamaconica.com.br a quem creditamos esta mensagem.