CAVALEIROS DO TEMPLO


Este blog tem como objetivo único, cooperar em leituras e estudos voltados para o segmento Maçônico, com textos de diversos autores e abordagens diferentes para um único tema.

Por Yrapoan Machado






segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O CRESCIMENTO MAÇÔNICO NOS GRAUS FILOSÓFICOS

A expressão Graus Filosóficos já se tornou corrente na Maçonaria. Usa-se a mesma em contraposição a Graus Simbólicos. Conquanto já faça parte de nossos usos & costumes, inclusive sendo útil para diferenciar os graus anteriores dos posteriores criados na história dos Ritos, essas expressões objetivam conceitos extremamente inadequados que nos servem de paradigmas inconscientes.Quando nos referimos à Maçonaria, independentemente dos graus dos quais estejamos falando, invariavelmente nos vem à mente a idéia de uma "filosofia". Não há como ser diferente, pois uma instituição que pretende a construção de um determinado modelo de homem, almejando com isso uma profunda transformação social, terá obrigatoriamente uma "filosofia", que é permanentemente atualizada em suas lendas, ritos, mitos, símbolos e doutrinas. Mesmo se estiver de acordo com esse raciocínio, o leitor atento provavelmente estará se perguntando a razão de colocarmos "filosofia" entre aspas. Para diferenciá-la de Filosofia, com "f" maiúsculo. Desejamos defender aqui a tese de que, ao falarmos de Maçonaria, existe uma diferença entre "filosofia" e Filosofia, e que isso é fundamental para nossa práxis.
Estudar e conhecer Filosofia pode ser sinônimo de erudição ou indicação de um status profissional. Erudito, segundo os dicionários, é quem tem instrução vasta e variada, que é sabedor de muitas coisas. Um professor de Filosofia, um filósofo profissional ou alguém com "amor à sabedoria" (que é o que significa o termo) podem ser eruditos em Filosofia; conhecer autores e obras, sistemas filosóficos e história da Filosofia. Isso não faz de nenhum deles um filósofo, no sentido existencial. Assim como conhecer profundamente Teologia não faz de alguém um religioso.  Começa a aparecer a pedra de toque para fazer a distinção que pretendemos. Dois parágrafos acima falávamos de práxis. Devemos diferenciar práxis de prática. Prática se refere, ainda segundo o dicionário, ao ato ou efeito de praticar; à experiência nascida da repetição dos atos. Necessitamos prática para dirigir automóveis ou para realizar uma cirurgia. Já práxis é a totalidade nosso agir enquanto seres humanos. Cada ação humana implica aspectos objetivos (como fazer, falar, produzir) e aspectos subjetivos (como valores, ideologias, condicionamentos de toda ordem e as atitudes deles decorrentes). Prática se refere ao que eu sei fazer; práxis se refere ao que eu sou.   
Paulo Freire, o notável pedagogo brasileiro, já nos ensinava que a atividade essencialmente humana é a reflexão, e a práxis humana deve ser composta de ação « reflexão; assim mesmo: uma ação de mão dupla onde as partes são inseparáveis   com o perdão da redundância. Quando em nossa existência nosso agir está dissociado da reflexão, nos alienamos. Quando alienados, por mais ativos que sejamos, não somos os senhores de nossa história; não estamos na direção de nossas vidas. Somos levados pelas circunstâncias. Para desalienar-se é preciso "filosofar", perquirir, duvidar. Os fatos nos são dados pela existência, e podem ser organizados pela Economia, pela Sociologia, pela Antropologia, mas é "filosofando" que os interpretamos, que os julgamos e que os transcendemos.  Nesse sentido de um compromisso consciente com a existência é que devemos ser seres ativos e reflexivos, isto é, adotar uma postura naturalmente filosófica. Essa postura implica numa atitude inquiridora e cética, sem ser relativista ou cínica. Devemos ser filósofos no sentido do ideal marxiano  de ser pescador pela manhã, poeta à tarde e filósofo à noite, sem que sejamos pescadores profissionais, poetas profissionais ou filósofos profissionais. A Filosofia nos será ferramenta de aprimoramento do olhar e do raciocínio, e para isso é importante conhecer os filósofos e seus pensamentos. "Filosofar", porém, será nossa atitude constante.
Eis porque, meus Irmãos, conceber graus filosóficos e não-filosóficos na Maçonaria é defender uma posição maçonicamente contraditória, pois não pode haver Maçonaria que não seja essencialmente filosófica. E, consequentemente, não pode haver maçom que não seja  filósofo . Se fomos iniciados, então nos basta "saber" sinais, toques e palavras; "conhecer" algumas instruções e princípios. Se somos iniciados, então sinais, toques e palavras servirão para reconhecermos pessoas com as quais teremos uma identidade de interesses, de convicções, de posturas sociais e espirituais; viveremos nossos princípios, pois eles serão coincidentemente compreendidos e livremente aceitos.  A Iniciação é uma conversão, uma metanóia. Os Irmãos que nos acolhem numa Loja, dirigentes ou não, podem apenas nos fazer o convite, nos mostrar o caminho e nos fornecer as ferramentas. O sim terá que ser nosso. A transformação de nossa atitude perante nós mesmos e perante o mundo é tarefa exclusivamente nossa. E responderemos solitariamente às nossas consciências pela nossa decisão. Se não realizarmos essa conversão, continuaremos freqüentando Lojas  simbólicas , onde apenas repetiremos enfadonhos gestos e palavras, e Lojas  filosóficas , onde apenas recordaremos o cobridor e leremos os rituais.  E voltaremos à nossa vida real sem marcas, sem sinais, sem toques e sem palavras.
 
                                                                                          
BIBLIOGRAFIA
Francisco C. L. Pucci
M.'. M.'. - ARLS Profeta Elias, Grande Loja do Paraná, Brasil

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

sábado, 8 de janeiro de 2011

SÃO JOÃO E A TRADIÇÃO MAÇÔNICA


 Na mesma data em que se comemora o solstício de verão, 24 de junho, no Hemisfério Norte, dia de São João Batista, estamos comemorando aqui, o solstício de inverno. Recordemos as festas juninas (São João). No dia 25 de dezembro, comemoramos o solstício de verão e, no Hemisfério Norte, o solstício de inverno. É a data do nascimento de Avatares como: Krishna, Mitra, Hórus, Buda e Jesus Cristo, todos considerados grandes Sóis (Deuses). Perceba que quem trouxe a Maçonaria para o Hemisfério Sul, não se preocupou com isso. Simplesmente copiou seus Templos com as mesmas características, esquecendo-se de “inverter as posições” de suas “estrelas”, seus “planetas” e também o altar de nossas Dignidades. A Terra faz um movimento de translação ao redor do Sol em uma órbita plana, quase redonda, com período definido de um ano. Enquanto isso, ela gira em torno de si mesma, originando os dias. O equinócio (Do latim: aequinoctiu = noite igual; aequale = igual + nocte = noite) é o ponto da órbita da Terra onde a duração do dia e da noite são iguais. É o dia a partir do qual, os dias ou as noites começam a crescer (respectivamente primavera e outono), até que se chegue ao solstício (Do latim: solstitiu = Sol Parado), que é o ponto da órbita da Terra onde existe a maior disparidade entre a duração do dia e da noite. Os solstícios são, então, o dia e a noite mais longos do ano (no verão e inverno, respectivamente).

Iniciando então no solstício de inverno (noite mais longa do ano), é a partir dessa data que os dias começam a crescer, até que se alcance uma igualdade entre o dia e a noite (equinócio de primavera), e continua até o ápice do dia no solstício de verão (dia mais longo do ano), data a partir da qual os dias diminuirão até que, mais uma vez, a igualdade se faça presente entre dia e noite (equinócio de outono), seguindo, novamente, para o solstício de inverno, onde começamos nossa explicação, em um ciclo perpétuo.  Durante o intervalo de um ano temos dois solstícios e dois equinócios. Desse modo é possível dividir o intervalo de um ano em quatro períodos, a saber: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Esses períodos são chamados de estações do ano. As estações do ano são conseqüência das variações da inclinação do eixo da Terra, girando em sua órbita elíptica em torno do Sol. Não tem a ver com a distância da Terra ao Sol.  O solstício deve ser comemorado com “ágapes solsticiais”. Isso não significa se reunir para comer ou beber, mas sim para compartilhar, agradecer e unir energias a serviço do “Mais Elevado” e da ajuda à humanidade. E por esse motivo,compartilhar uma comida simples.
O historiador José Castellani, explica: “Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista, 24 de junho, e de São João Evangelista, 27 de dezembro, elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje, a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo foi fundada em 1717, no dia de São João Batista.
Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos (à glória do Grande Arquiteto do Universo Deus e em honra a S. João, nosso padroeiro), englobando, aí, os dois santos. No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João. Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio Câncer, já que Capricórnio corresponde ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no Hemisfério Norte, com inversão para o Sul). A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral.
O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamados – como fonte de calor e de luz – o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical. A personificação de tal conceito, no panteão romano, foi o deus Janus, representado como divindade bifásica, graças à sua marcha pendular entre os trópicos; o seu próprio nome mostra essa implicação, já que deriva de janua, palavra latina que significa porta. Por isso, ele era, também, conhecido como Janitur, ou seja, porteiro, sendo representado com um molho de chaves na mão, como guardião das portas do céu. Posteriormente, essa alegoria passaria, através da tradição popular cristã, para São Pedro, mas sem qualquer relação com o solstício.
Janus era um deus bicéfalo, com duas faces simetricamente opostas, cujo significado simbolizava a tradição de olhar, uma das faces, constantemente, para o passado, e a outra, para o futuro. Os Césares da Roma imperial, em suas celebrações e para dar ingresso ao Sol nos dois hemisférios celestes, antepunham o deus Janus, para presidir todos os começos de iniciação, por atribuir-lhe a guarda das chaves. Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no Hemisfério Norte e inverno no Hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no Hemisfério Norte e verão no Hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno .  A importância dessa representação das portas solsticiais pode ser encontrada com o auxílio do simbolismo cristão, pois, para o maçom, as festas dos solstícios são, em última análise, as festas de São João Batista e de São João Evangelista. São dois São João e há, aí, uma evidente relação com o deus romano Janus e suas duas faces: o futuro e o passado, o futuro que deve ser construído à luz do passado. Sob uma visão simbólica, os dois encontram-se num momento de transição, com o fim de um grande ano cósmico e o começo de um novo, que marca o nascimento de Jesus: um anuncia a sua vinda e o outro propaga a sua palavra. Foi a semelhança entre as palavras Janus e Joannes (João, que, em hebraico é Ieho-hannam = graça de Deus) que facilitou a troca do Janus pagão pelo João cristão, com a finalidade de extirpar uma tradição “pagã”, que se chocava com o cristianismo. E foi desta maneira que os dois São João foram associados aos solstícios e presidem as festas solsticiais.
Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João (do inverno), com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João (do verão), com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do Hemisfério Norte). Dentro dessa mesma visão simbólica, podemos considerar a configuração da constelação de Câncer. Suas duas estrelas principais tomam o nome de Aselos (do latim Asellus, i = diminutivo de Asinus, ou seja: jumento, burrico). Na tradição hebraica, as duas estrelas são chamadas de Haiot Ha-Kadosh, ou seja, animais de santidade, designados pelas duas primeiras letras do alfabeto hebraico, Aleph e Beth, correspondentes ao asno e ao boi. Diante delas, há um pequeno conglomerado de estrelas, denominado, em latim, Praesepe, que significa presépio, estrebaria, curral, manjedoura, e que, em francês, é crèche, também com o significado de presépio, manjedoura, berço. Essa palavra créche já foi, inclusive, incorporada a idiomas latinos, com o significado de locais onde crianças novas são acolhidas, temporariamente. Esse simbolismo dá sentido à observação material: Jesus nasceu a 25 de dezembro, sob o signo de Capricórnio, durante o solstício de inverno, sendo colocado em uma manjedoura, entre um asno e um boi. Essa data de nascimento, todavia, é puramente simbólica. Para os primeiros cristãos, Jesus nascera em julho, sob o signo de Câncer, quando os dias são mais longos no Hemisfério Norte.
O sentido cristão, no plano simbólico, abordaria, então, apenas a Porta dos Homens e, assim, só haveria a compreensão de Jesus, como ser, como homem. Mas Jesus é o ungido, o messias, o Cristo – segundo a teologia cristã – e o outro pólo, obrigatoriamente complementar, é a Porta de Deus, sob o signo de Capricórnio, tornando a dualidade compreensível. Dois elementos, entretanto, um material e um religioso, viriam a influir na determinação da data de 25 de dezembro. O material refere-se aos hábitos dos antigos cristãos e o religioso, ao mitraismo da antiga Pérsia, adotado por Roma: Os primeiros cristãos do Império Romano, para escapar às perseguições, criaram o hábito de festejar o nascimento de Jesus durante as festas dedicadas ao deus Baco, quando os romanos, ocupados com os folguedos e orgias, os deixavam em paz. Mas a origem mitraica é a que é mais plausível para explicar essa data totalmente fictícia: os adeptos do mitraismo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, numa festividade chamada – no mitraismo romano – de Natalis Invicti Solis (nascimento do Sol triunfante). Durante toda a fria noite, ficavam fazendo oferendas e preces propiciatórias, pela volta da luz e do calor do Sol, assimilados ao deus Mitra. “O cristianismo, ao fixar essa data para o nascimento de Jesus, identificou-o com a luz do mundo, a luz que surge depois das prolongadas trevas”.

O BATISTA
São João Batista, também dito “o Precursor”, era filho de Isabel, prima da Virgem Maria e, por conseguinte, também parente de Jesus. Ele ganhou o epíteto de “batista” porque, no rio Jordão, “batizava” as pessoas, derramando-lhes água sobre as cabeças, assim limpando-as espiritualmente (batismo significa banho). Era também conhecido por viver no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, vestindo apenas com uma pele de carneiro, andando assim meio nu, meio vestido. Seguramente, pertencia, entre os judeus, ao grupo dos essênios, que vivia em Qunram, perto do mar Morto. Local onde, em 1947, foram encontrados alguns documentos de sua época. Tinha vários seguidores, mas se dizia Precursor de Alguém Maior que ele, e de quem não era digno sequer de “lhe desatar as sandálias.” Vituperava a Herodes Antipas, o rei imposto pelos romanos aos judeus, porque Antipas mandara matar a seu meio-irmão para ficar com a sua esposa. Antipas mandou decapitar a João Batista, atendendo ao pedido de Salomé, sua enteada, filha de seu meio-irmão, acima referido.
O dia 24 de junho foi estipulado pela Igreja Católica como o de sua comemoração.
O EVANGELISTA
O outro São João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus. Chamam-no de Evangelista porque, além de pregar os ensinamentos do Mestre, foi o autor do 4o Evangelho, de três epístolas e do famoso Apocalipse. Essa palavra quer dizer “revelação”. Nele, João relata as revelações que teria tido sobre o fim dos tempos e dos caminhos para a salvação. Por falar no fim dos tempos, catástrofes, guerras, pestes, castigos, a palavra “apocalipse” ganhou a conotação de “algo ruim, apavorante, cataclismático, terrificante”. A linguagem é extremamente simbólica, de difícil compreensão. É comemorado em 27 de dezembro.

MAÇONARIA OPERATIVA
Na verdade, porém, como vem registrado no item XXII, dos Regulamentos Gerais das Constituições de Anderson, de 1723, e com elas publicado, o dia que os maçons operativos do passado tinham escolhido para a reunião anual era o de São João Batista, em 24 de junho, ou, opcionalmente, no dia de São João Evangelista, em 27 de dezembro. Mas, com ênfase ao primeiro. Aliás, notem que a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, ocorreu precisamente nesse dia, 24 de junho. Veja-se como vem redigido esse cânone dos Regulamentos Gerais, aprovados, pela segunda vez, no dia de São João, 24 de junho de 1721, por ocasião da eleição do Príncipe João, duque de Montagu, para Grão-Mestre:
“XXII. Os Irmãos de todas as Lojas de Londres e Westminster e das imediações se reunirão em uma COMUNICAÇÃO ANUAL e Festa, em algum Lugar apropriado, no Dia de São João Batista ou então no Dia de São João Evangelista, como a Grande Loja pensa fixar por um novo Regulamento, pois essa reunião ocorreu nos anos passados no Dia de São João Batista: Provido(…)”
RAZÕES ESOTÉRICAS
Só por uma segunda opção a reunião e festa ocorreria, portanto, no dia 27 de dezembro, na festa do outro São João. Mas, por quê? O porquê dessa alternativa tem uma explicação esotérica, que remonta às prováveis origens da Maçonaria, aos Colegiatti Fabrorum dos romanos. Eles acompanhavam as tropas romanas, para o trabalho de reconstrução e instalação da administração imperial, nas terras conquistadas e colonizadas. E com eles ia a sua religião ou religiões, para ser mais exato, ainda que entre os romanos a predominante fosse a da adoração à Mitra, que era representado por uma figura humana. No lugar da cabeça, um Sol. Havia muitos outros deuses, notadamente, Jano, com suas cabeças que, sabidamente, simbolizavam os solstícios. Esses solstícios estavam sempre presentes nas festas pagãs, porque eram vinculadas à Natureza. É aí que encontramos uma provável explicação histórica para os festejos juninos e natalinos, que a nova religião romano-cristã, não podendo desenraizar dos costumes populares, o mínimo que conseguiu foi a substituição. Todavia, no seio da Maçonaria operativa, mesmo sob tal disfarce, ambas as datas sobreviveram, em face do conteúdo esotérico de seus significados. Os colégios, principalmente os dos construtores, seriam depositários dos conhecimentos e mistérios de antiqüíssimas sociedades iniciáticas, todas praticantes de ritos solares.
                                                                           
BIBLIOGRAFIA
http://blog.madras.com.br/2006/09/05/sao-joao-e-a-tradicao-maconica/
*Wagner Veneziani Costa, Grande Secretário de Cultura e Educação Maçônicas do GOSP.
**Celso Ferrarini - Jornalista


 UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO                                
              

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A MAÇONARIA E A NATUREZA HUMANA

Bem sabemos que a Maçonaria ou as doutrinas maçônicas estão sempre próximas da natureza humana.  Todos sentimos desde a infância o desejo de entendermos o universo. Todos pretendemos construir uma imagem deste Universo, de o ordenarmos ao nosso jeito, à nossa volta, construindo histórias, o gérmen da fonte criadora que culmina, sem o sabermos, na filosofia maçônica. Pelo simples fato que o homem nunca deixará de promover o desejo de conhecer, das exigências da acção, na busca incessante da Verdade.    Se, para a Igreja a Verdade já existe, para a Maçonaria ela é uma busca incessante, absorvendo as necessidades do próprio espírito, sempre num esforço pessoal sobre o Mundo e o destino. Realizado ao longo da vida nas Lojas maçônicas, o maçon continua no seu esforço  à procura da Verdade, quer num inquérito pessoal, quer sobre o Mundo e o seu destino; inquérito silencioso cujas conclusões encontra no seu dia-a-dia, ou nos momentos de calma ou alheamento nas Lojas onde reúne, com mudanças interiores que ficam evidentes e profundamente meditadas. Assim se manifesta a Maçonaria, um genuíno agente de progresso intelectual.                                                
Esta curiosidade superior é muitas vezes confundida com sentimento religioso. Mas ele constitui a aptidão que é própria da nossa espécie. Nela reside o sentimento maçônico, uma vida espiritual por mais humilde que seja é a derradeira ambição das criaturas humanas.  A Maçonaria regular e tradicional não pode pois representar sentimentos religiosos e muito menos a religião, seja ela qual for. Nem confirmar ou definir a existência de uma crença ou de um criador. Mas representa o homem espiritual que se afirma por si mesmo numa procura incessante da Verdade. Uma afirmação que faz progredir a ciência através de todas as formas e experiências. Que coloca as religiões como mais um ponto de partida. Mas esclarecendo que o esforço humano vai para além delas. A consciência humana é a imagem de um Mundo por explicar.  Mas de que mundo falamos? Do Mundo material e do Mundo espiritual. 
O maçon, desta forma, começa por apresentar uma consciência humana de um mundo por explicar e parte desta forma completamente livre para a busca da Verdade. Procura trazer a ânsia da sua curiosidade, da sua certeza intelectual e do seu prazer pela defesa da perfeição moral. Por este desejo de aperfeiçoamento moral e pela certeza intelectual da sua consciência na busca da Verdade, exprime-se conforme a sua época e civilização, sendo certo que deseja ver claro em si e à sua volta.                   
Amar a Maçonaria e defender a sua Escola eqüivale a adotar esta consciência e não se limitar às respostas passadas dos formadores maçónicos. A resposta de cada maçon deve ficar dentro de cada um, mas antecipando-se ao futuro, para poder contribuir diretamente para a construção desse futuro e de forma sistêmica.   Passo a passo a filosofia maçônica conquistará o desconhecido, ultrapassará  os limites do imediato, das certezas religiosas, promovendo o risco das nossas interpretações esotéricas e simbólicas que o espírito nos impõe. Sempre frágeis nos primeiros passos de um maçon, mas proporcionais em compreensão e em função do esforço que o maçon lhe possa dedicar.   Ao retomarmos o caminho das primeiras verdades promovemos o conhecimento e descobrimos novos horizontes. A natureza humana transforma-se num apelo que move o coração de cada maçon. De coragem, de compreensão, de tolerância, rodeados de mistérios próprios da natureza humana sempre disponíveis para a investigação e que a Escola da Maçonaria Regular e Tradicional permite alcançar.

BIBLIOGRAFIA

Peça de Arquitetura dos IIrr.'. Álvaro Carva e José Prudêncio, ambos Obreiros da Grande Loja Nacional Portuguesa e membros do Supremo Conselho de Portugal do Rito Escocês Antigo e Aceito.
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

HERMETISMO E MAÇONARIA

                                                                        
APONTAMENTOS SOBRE HERMETISMO E CIÊNCIA
Doutrina, História, Atualidade
Freqüentemente nos encontramos com o tema das relações entre Hermetismo e a ciência experimental em diversos autores, a ponto de ser hoje uma referência habitual na História da Ciência. Efetivamente, as disciplinas que formarão a Ciência Moderna, quer dizer a Cosmologia, Matemática, Geografia, Física, Medicina, Farmacopéia, Química e Engenharia em geral, etc., ou seja, o conjunto de matérias, com a inclusão de algumas disciplinas recentes como a Psicologia, que formam a civilização ocidental  e que outras tradições elaboraram igualmente e das quais somos herdeiros foi o produto de uma corrente sapiencial de energias postas sob a avocação do deus Hermes, tanto quanto outras realizações culturais que mencionamos em outros artigos. Neste caso o tema atual teve para nós, como fator desencadeante, a investigação sobre o catálogo de duas grandes bibliotecas, a denominada Colombina, que se acha depositada em Sevilha, e a Biblioteca Chemica terminada de classificar por John Ferguson em 1906. Vários séculos separam a ambas as bibliotecas, que refletem, por esta circunstância, duas maneiras de abordar o tema da Ciência, embora com abundantes pontos em comum: referimo-nos à visão medieval do Conhecimento, e à renascentista (Hermético-Alquímica), que constituiu uma adaptação da primeira (consideramos um pouco forçada a divisão entre a Idade Média e o Renascimento, tanto quanto a oposição Platão-Aristóteles feita de modo radical), que por sua vez o era da Antigüidade greco-romana-alexandrina, à qual se somam as contribuições com bizantinos e árabes para novos tempos e circunstâncias, e que terminará desembocando num conjunto que, totalmente invertido com respeito às citadas concepções medieval e renascentista (e clássica), que tinham como meta final o descobrimento e a experiência do mistério, da sacralidade da revelação, negará suas origens e nos conduzirá ao desolado e catastrófico mundo atual. Embora, para alguns "sábios" oficiais que não são capazes de ver além de um palmo de seus narizes, a situação é tão boa que é quase paradigmática e seguem sustentando a "crença" em um progresso indefinido (especialmente baseado nas conquistas médicas e tecnológicas), apesar de que a iminente destruição da Civilização ocidental, que arrasta o Oriente, é óbvia para qualquer leitor de periódicos ou telespectador habitual, enquanto o "sábio" oficial, conjuntamente com a massa, à qual representa, não é capaz de abandonar suas ilusões, às quais venera, pois as considera seu ser e a marca distintiva de um tempo e um meio ao qual tem a honra de pertencer e que deve ser respeitado por todos se não quer ser marginalizado, enterrado em vida.
Aqui devemos fazer a ressalva de que não nos ocuparemos da ciência atual, mas sim de suas origens, e se deve tomar este artigo, segundo seu título indica, como simples notas para um estudo que acaso algum dia escrevamos. Quanto a novas perspectivas da ciência de vanguarda, (exemplificada pela gnose de Princeton), que constituem uma forma que toma a ciência ocidental, assinalamos seu interesse e suas boas intenções, assim que são capazes de relacionar seus conteúdos com a metafísica oriental, etc., embora seu método, e os supostos mentais em que se apóia, não são os mesmos da Alquimia nem da cosmologia tradicional (mas continuam sendo profanos e racionalistas, apesar da repulsa que pretendem destes valores), nem os da física do Newton, nem da medicina do Paracelso, etc., quer dizer os da concepção da ciência como possibilidade de desenvolvimento num mundo concebido como inacabado, mas sempre sacro, tal como a inserção do homem nele, e não meras constatações empíricas, ou seja concepções profanas devidas à conquista de um ser humano que se permite descobrir, ou melhor, inventar, uma realidade autônoma que a antigüidade ignorante já suspeitava. Tampouco se pode generalizar sobre estes aspectos, pois esta forma de ver também poderia manifestar-se como uma simbólica de enorme interesse que está esperando seus hermeneutas; embora não sabemos se na atualidade, por circunstâncias cíclicas, há tempo material para isso.  Em qualquer caso o nascimento da História da Ciência, tal qual hoje a conhecemos, está relacionado com as idéias da Tradição Hermética e as investigações e experiências dos hermetistas, autênticos sábios sempre perseguidos pela ignorância e pelos personagens oficiais que a encarnam– que têm supremo respeito pelos ensinos do Corpus Hermeticum, que definem uma atitude clara com respeito ao homem e seu papel na Criação segundo o manifesta este texto:                                                                      
O cosmo está pois submetido a Deus, o homem ao cosmo, os seres sem razão ao homem: Deus, Ele, está acima de todos os seres e vela sobre todos. As energias são como os raios de Deus, as forças da natureza como os raios do cosmo, as artes e as ciências como os raios do homem. As energias atuam através do cosmo e alcançam ao homem pelos canais físicos do mundo; as forças da natureza atuam por meio dos elementos, os homens através das artes e das ciências.
De todas as maneiras, qualquer trabalho sobre a origem da hoje chamada ciência, deve estudar e destacar a Roger Bacon (Somerset c.1214, Oxford 1294) como o melhor representante medieval, precursor de uma atitude de abertura para as ciências da natureza e da experimentação, que se acostumou a vincular com determinadas invenções, como a lente de aumento e o microscópio, a observação do tamanho dos planetas, das nebulosas espaciais, a criação de engenhos mecânicos, obras hidráulicas e de engenharia, etc. etc.                        
A este filósofo hermético-alquímico medievalo tem por discípulo do Pitágoras, Euclides e Ptolomeu. Deixou uma extensa obra que inclui: Quaestiones supra libros Physicorum Aristotelis; Quaestiones supra indecimum prime philosophiae Aristotelis; Id. supra librum de generatione et corruptione; id de animalibus; id. de causis; id. de caelo et mundo; Opus maius; Opus minus; Opus tertium; id., Speculum alchimiae; De mirabili potestate artis et naturae; Speculum astronomiae; Compendium studii philosophiae; Communia naturalium; De multiplicatione specierum; Compendium studii theologiae; De secretis operibus artis et naturae et nullitate magia. Desta abundante produção queremos mencionar alguns fragmentos que expressam sucintamente seu pensamento, totalmente revolucionário para sua época; basta-nos recordar que seu livro Opus Maius, do qual selecionaremos estas citações, foi publicado no mesmo ano que a Suma Teológica de Tomás de Aquino, cujo mestre, Alberto Magno, escreveu, como ele, sobre Alquimia. De outro lado, recordaremos que "para o Roger Bacon, Hermes era o 'pai dos filósofos'," segundo L. Thorndike:
- Expostas as raízes da sabedoria dos latinos nas línguas, na matemática e na perspectiva, quero agora pôr ao descoberto as raízes da mesma pela ciência experimental, já que, sem a experiência, nada se pode saber suficientemente. De fato, dois são os modos de conhecer, ou seja, pela argumentação e pela experiência. A argumentação conclui e nos faz conceder a conclusão, mas não nos deixa certos sem fazer desaparecer toda dúvida, de maneira que fique o ânimo aquietado com a contemplação da verdade, se não a encontrar pela via da experiência: muitos têm argumentos para provar as proposições, mas como não têm experiência, desprezam-nas, e assim não evitam o mal, nem vão atrás do bem. Se alguém que nunca viu o fogo demonstrou com argumentos suficientes que o fogo queima e ataca às coisas e as destrói, nunca por só isso se aquietaria o ânimo do que lhe ouvisse, nem fugiria do fogo antes de pôr a mão ou um objeto combustível ao fogo, para comprovar assim pela experiência o que o raciocínio lhe tinha demonstrado. Mas uma vez obtida a experiência do fato da combustão, fica com certeza, o ânimo descansa com a evidência da verdade. Logo não basta o raciocínio, mas sim se requer a experiência.  Mas como esta ciência experimental é ignorada por completo da massa dos que estudam, não posso, por isso, tratar de lhes convencer de sua utilidade se antes não faço ver sua eficácia e sua índole especial. Pois bem: esta é a única que sabe muito bem por experiência o que se pode fazer pelas forças naturais, e o que se pode pelo esforço da arte, pela fraude, que pretendem e que sonham os poemas, as conjurações, as invocações, as deprecações, os sacrifícios, tudo isso de arte da magia, e o que neles se faz, para eliminar toda falsidade, e reter somente a autêntica arte.                            
Entretanto esta experimentação da qual trata R. Bacon não é só física, como se poderia pensar, ele mesmo se encarrega de nos transmitir isso já que seu grau mais alto é a Revelação; quer dizer que o Conhecimento do Sagrado é a maior experiência, embora também inclua a magia em suas duas vertentes: a que se apóia na natureza das coisas, e a que se utiliza de truques que de algum jeito violentam essa natureza, ou seja, que há uma magia "boa" e outra "má", ou melhor, há duas formas de atuar com relação à natureza, uma é lícita e a outra não é. Há algo de profético nesta divisão, caso se tenha em conta o posterior desenvolvimento da civilização ocidental, e a supremacia atual da segunda sobre a primeira, quer dizer do empirismo, da racionalização, do método estatístico e da falsa idéia de uma evolução e de um progresso indefinido, material e técnico, capaz de solucionar todos os males. Para o pensamento de R. Bacon, se a experimentação for uma forma da magia natural e a alquimia uma forma da teurgia aplicada ao Conhecimento e à obtenção de uma conquista total – a Panacéia Universal – todo o processo de aprendizagem (matemático, cosmográfico, físico, médico, de laboratório) é parte de um Saber Único, a Ciência Sagrada. Embora pareça curioso, este tipo de conceitos materializaram finalmente na Ciência Moderna, cujos supostos, como expressamos, estão totalmente invertidos com respeito a estas conclusões e a toda idéia relacionada direta ou indiretamente com o sagrado, discutindo, ou negando, inclusive, suas origens históricas, como já assinalamos.  Entretanto, aos efeitos deste trabalho tomaremos o final do século XV como ponto de referência para tratar do tema das origens das ciências da Natureza, em estreita relação com o pensamento esotérico e com a magia natural. De fato, daremos início a nosso breve itinerário nos centrando na Academia de Florença, fundada por Cosme de Medici, no castelo de Careggio, imediatamente depois de que se reunira nessa cidade o concílio de 1436-1439 celebrado para a união das Iglesias cristãs, com a presença de Gemisto Pleton e J. Bessarion, entre outros, o que permitiu um enorme fermento nos estudos sobre a antigüidade clássica, e abriu as portas do Renascimento, desde esta Academia dirigida por Marsílio Ficino, secundada por uma plêiade de filósofos, artistas, literatos, homens públicos e de Estado, comerciantes, etc., iniciativa que, por outra parte, começou a se emular em outros círculos italianos, começando pelo papado, os duques de Ferrara e Milão, e em geral pelas bibliotecas, cenáculos e os príncipes e suas cortes.                                            
No artigo "Os Livros Herméticos" mostramos o que são as doutrinas herméticas, que contidas no Corpus Hermeticum, e em consonância com as idéias de Pitágoras, Platão, do Neoplatonismo e Neopitagorismo, do cristianismo de Dionísio Areopagita e da Cabala Hebraica, descrevem as emanações que, a partir da Unidade, por um processo de opacidade ou materialização, descendem formando distintos planos ou mundos, que vão do invisível e incriado, passando por distintos graus mais ou menos sutis de manifestação, ou angélicos, até a mais grosseira solidificação material. Ao contrário, os ensinos herméticos nos mostram como é possível remontar esta ordem e, a partir de determinadas substâncias, que guardam em si o mistério de seu ser, chegar à própria Origem, por meio de uma série de transmutações que os alquimistas, postos sob a avocação do deus Hermes, realizavam partindo da matéria, especialmente a metálica, à qual relacionavam com as energias dos astros, ou regentes. Certamente esta atitude, que por outra parte não é exclusiva do Ocidente, pois se produziu em outras tradições, possibilitou a investigação e a experimentação e portanto fundamentou o nascimento das ciências aplicadas ao estudo e a modificação da natureza. De fato, a História da Ciência não deixou jamais de advertir esta origem pré-científica e "mágica" das ciências, por mais racionalista que fora seu enfoque ou por mais asséptico que pretendesse ser o método sustentado, pelo simples fato de que é muito difícil negar evidências perfeitamente documentadas, em que pese qualquer intenção do contrário.
As cosmogonias mais autenticamente científicas e "modernas", como as de Galileu ou Newton, sem contar a de Giordano Bruno, revelam sua origem hermética, considerada como ignorância durante vários séculos pelo "pensamento científico", oposto à Cosmogonia Unânime de distintos povos, à sua Ciência Sagrada, o que deu lugar, valha o paradoxo, à própria ciência profana que, apesar de derivada dela, logo a seguir a nega, em virtude de determinados desenvolvimentos que tem que adotar, afastando-se cada vez mais de seus propósitos e origens. O tema é complexo e delicado, mais ainda pelos enganos básicos que tem nosso enquadramento moderno, acrescentados desde o século XIX, em relação ao que hoje se entende por "cientista" – e ainda filosófico –, mas nos basta por agora assinalar que uma corrente muito forte de historiadores nascidos no próprio campo científico, investiga sem preconceitos, na atualidade, este processo que desemboca nos descobrimentos e inventos da sociedade técnica contemporânea. Como antecedente importante e de algum modo pioneiro destacaremos "A History of Magic and Experimental Science", de Lynn Thorndike, em seis volumes, editada pela Columbia University Press de 1923 a 1941.  Mais recentemente, e para citar um só exemplo, mencionaremos a polêmica obra "Mentalidades ocultas e científicas no Renascimento" editada por Brian Vickers, que reúne uma série de trabalhos interdisciplinares sob este sugestivo título, produto de um simpósio organizado em 1982 pelo Center of Renaissance Studies, Zurich, e publicada pela Cambridge University Press. Dentre os professores de diferentes universidades americanas e européias que debatem e esclarecem estes assuntos em época recente, devem ser mencionados Thomas S. Kuhn, Gastón Bachelard, Gilbert Durand, Karl Popper, A. C. Crombie, A. Asti Vera, L. W. Hull, E. Garin, P. O. Kristeller, A. Koestler, e os já nomeados neste artigo, etc. Sobre a História e Filosofia da Ciência há hoje uma abundante literatura, grande parte dela já traduzida ao castelhano. Igualmente deve se destacar outra coleção com um título da mesma forma sugestivo, Alchemy Revisited: Proceedings of the International Conference on the History of Alchemy, atas de uma conversa celebrada em 1989 em Gröningen, em que igualmente participa B. Vickers e distintos autores que, de uma ou outra maneira, chegaram a este tipo de investigações por distintos caminhos e em diferentes níveis. Na realidade, só desejamos assinalar estas publicações com o ânimo de indicar o interesse atual pelo tema, que se expressa também em duas revistas: Ambix, e Renaissance Quarterly.                             
De nossa parte pensamos que este tema das origens "mágicas" da Ciência  é o suficientemente importante para tratá-lo, já que de fato se trata, como em outros casos, da influência da Tradição Hermética na cultura do Ocidente, a ponto de constituir uma corrente subterrânea, secreta, que a alimentou com seus acertos e enganos até o dia de hoje, em perfeita simultaneidade com os ritmos e os ciclos que fazem o tempo e a historia em que se manifestam as Idéias. Além disso, é óbvio o valor filosófico, e gnoseológico, que pode ter um debate desta natureza, e as inumeráveis perspectivas que se podem abrir por seu intermédio. De fato, o desenvolvimento científico facilitou ao homem contemporâneo numerosas vias que até muito recentemente não sonhava sequer em conhecer –a aceleração, neste sentido prodigiosa, é geometricamente proporcional a esse desenvolvimento, à par que se foram fechando outros ângulos de visão e que, ao multiplicar as possibilidades de controle e domínio sobre a "matéria", começou a se ter sobre ela uma perspectiva cada vez mais limitada e excludente; as diferentes técnicas e seus diversos usos são o exemplo mais destacado a respeito. Em todo caso não seremos nós os que insistirão sobre este problema, hoje em dia convertido numa ameaça constante à humanidade, advertido já faz mais de oitenta anos por diversos autores, entre os quais devem nomear-se em primeiro lugar as críticas ao mundo moderno de René Guénon, e que hoje tomam características de uma gravidade tão monstruosa como os sinalizados todos os dias pela ecologia através de valentes grupos de choque, surgidos no calor das circunstâncias.
Como dizíamos, foi mostrado por numerosos autores que se referem a isto de distintas maneiras. Do ponto de vista da História da Ciência, e particularmente do método científico, Elías Trabulse se expressa assim:
A experiência, ou seja a constatação empírica dos fenômenos, é a primeira característica básica de nosso esquema e, por extensão, de todos os paradigmas científicos que apareceram do século XVIII até nossos dias.  O desenvolvimento de técnicas de precisão admirável permitiram "dominar racionalmente o curso da experiência", o que conduziu à repetição, provocada e controlada, dos fenômenos que se desejavam observar. Está claro que esta atitude que vai desembocar na multiplicidade absoluta está implícita no Renascimento e nos desenvolvimentos científicos posteriores se faz patente. Por outra parte isso se observa em todas as manifestações, sejam estas sociais, econômicas, artísticas, culturais, e sua eclosão vertiginosamente acelerada se deve a temas relacionados com o ciclo pelo qual a humanidade atravessa. Por isso muitos –com alguma razão– fixaram a Idade Média como o período limite em que ainda era obtida uma comunicação direta entre céu e terra. Entretanto, vimos que a Tradição Hermética subsistiu até nossos dias, embora certamente em forma oculta e minoritária, havendo inclusive passado por momentos de glória e grandeza durante muitos séculos, adotando diversas formas. De fato, a permanência da Ciência Sagrada permitiu o atraso do caos total e reordenou, na medida de suas possibilidades, uma e outra vez o pensamento do homem no Ocidente, iluminando-o com sua sabedoria, em suma, revelando-se nele.

Entretanto, e na mesma época em que aparece o racionalismo, a ciência troca intempestivamente o rumo, cortando a conexão que mantinha unidos os três mundos, espiritual, anímico e material, simplificando tudo, fazendo só uma distinção binária: corpo e alma como antagônicos, sempre excludentes. Este processo de inversão fica documentado não só na "filosofia" e no racionalismo de Descartes, mas também passa a ser parte da bagagem do homem moderno como o atesta a história dessa Ciência que, a pouco de seu desenvolvimento, nega suas próprias origens e rompe as raízes que a mantinham ainda unida com a Cosmogonia e a Ontologia, com o Ser Universal e com a Metafísica.

BIBLIOGRAFIA:
FEDERICO GONZÁLES

             UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO
                                   

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A DIGNIDADE HUMANA - UMA VISÃO MAÇÔNICA

A maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suas modalidades; é uma escola mútua que impõe este programa: trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano...Reza o ritual do Aprendiz Maçom do R.E.A.A. adotado pela Grande Loja do Estado Do Rio Grande Do Sul, que a "maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suas modalidades; é uma escola mútua que impõe este programa:  trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano ". Mais adiante, uma frase, que particularmente reputo como uma das mais ricas e mais representativas de nossos verdadeiros objetivos: "  A Maçonaria é uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião". "Felicidade do gênero humano" e " tornar feliz a humanidade". Não raro, em todas as obras e rituais maçônicos, deparamo-nos com a palavra "humanidade". A idéia do valor intrínseco da pessoa humana encontra suas origens no pensamento clássico e no ideário Cristão. Na cultura ocidental, diversas referências encontramos sobre a criação do homem " à imagem e semelhança de Deus", premissa de que foi extraída a idéia de que todo ser humano é dotado de um valor próprio, intrínseco, na figura de uma só pessoa humana está representada toda a humanidade.
Ao longo da história, podemos comparar a evolução da espécie humana com a idéia do que a humanidade pensa sobre sua própria condição existencial. No pensamento estóico, verificado nas clássicas tragédias gregas, , já estava patente que o ser humano possuía uma dignidade que o distinguia das demais criaturas, no sentido de que todos são portadores da mesma, em que pese as diferenças sociais e culturais. Mesmo durante o medievo, Tomás de Aquino continuou sustentando a divindade da "dignitas humana". Immanuel Kant sustenta que o homem não pode ser tratado - tem mesmo por ele próprio - como objeto, pois em si está representada toda a humanidade. Os ideais da revolução francesa, com seu tríplice "Liberdade, igualdade e fraternidade", foram uma espécie de condensação de todo um pensamento filosófico produzido pela humanidade ao longo de sua existência. No moderno pensamento filosófico e social, a questão da dignidade da pessoa humana está  cada vez mais, ocupando espaço como a questão fundamental, pilar de toda existência social, não obstante flagrantes situações de desrespeito individual à condição humana, como bem vimos nos recentes conflitos que permearam o Séc XX. Mas, repito, desrespeito individual, uma vez que praticados por grupos contra grupos. A utópica realização plena da dignidade da pessoa humana continua a ser incansavelmente buscada pelas relações sociais e jurídicas de grupos de nações e grupos de pessoas, mesmo que entre este último, inconscientes de sua própria busca. Quanto à característica utópica dessa busca, lembro-me vagamente das palavras de Galleano, que situa a utopia no horizonte de suas intenções. A cada dez passos que tenta aproximar-se desse horizonte, dez passos ele se afasta. Vinte passos, e vinte passos afastados. Pergunta-se: "Mas afinal, porque a busco? Qual o objetivo de sua existência, se já me convenci de que é inalcançável?" E responde-se: "Seu objetivo é exatamente este, obrigar-me a dar os passos."        
E a Maçonaria atual, em que ponto desta busca utópica se situa? Qual sua atuação no sentido de colaborar, enquanto Ordem, no reconhecimento universal da Dignidade da Pessoa Humana? A história é rica em relatar a participação de Maçons enquanto indivíduos, e da Maçonaria enquanto instituição, na petrificação dos ideais humanitários. A revolução Francesa, o abolicionismo da escravatura no Brasil, os diversos fatos e atos de ilustres maçons no reconhecimento e na implementação de um Estado igualitário, justo e perfeito. Ao lapidar a pedra bruta em que se reconhece, o Maçom tem por dever aparar as mundanas arestas que o tornam falível enquanto indivíduo, para que em si possa espelhar todo o valor da humanidade plena. Tem por dever absoluto preparar-se para ser o ponto reflexivo de tudo que em si representa esta idéia. Ao jurarmos “ conservar-me sempre cidadão honesto e digno, nunca atentando contra a honra de ninguém...", estamos perante o Grande Arquiteto do Universo, prometendo envidar todos os esforços no sentido de valorizar um dos aspectos mais marcantes inerentes à dignidade da pessoa humana: A honra. Honra e Dignidade são palavras quase que sinônimas, pois encerram valores magnos pertinentes e exclusivos do ser humano. Dignidade, ou honra neste caso, são amplamente garantidas na Carta Constitutiva do Brasil, e em quase todas as Constituições do mundo livre, em suas cláusulas imutáveis, ou pétreas. Mas como transformar a utópica afirmativa impressa na Constituição em fatos concretos, no nosso dia a dia? Não podemos mais, a exemplo do passado, destinar o Tronco de Solidariedade para a compra e alforria de um escravo, ou fomentar revoluções libertárias no interior de nossos templos.                                                                                                                                                                                                       
Não podemos mais ficar adstritos aos Templos, enquanto lá fora a sociedade a qual pretendemos modificar através de nosso interior aperfeiçoamento, peca pela omissão quanto ao respeito a essa Dignidade. Quantas e quantas vezes, ao final de uma sessão, após um lauto ágape, embarcamos em nossos carros e, na primeira esquina, olhamos indiferentes ao ser humano, descalço, que implora ao "tio" uns trocados? Quantas e quantas vezes, enquanto cidadãos, encaramos impotentes e apáticos a ação do Estado contra as minorias menos abastadas? Quantas e quantas vezes, passamos por um animal maltratado e ficamos penalizados com sua situação, e quando olhamos nosso semelhante, não damos a devida atenção? Ora, direis, contar estrelas... Quão inócua é a observação dos problemas sem a devida apresentação de soluções práticas, e quão fáceis é o tratamento filosófico a uma situação real. Mas a Maçonaria, se não esquecesse que a utopia é inatingível e não desse os primeiros passos rumo ao horizonte utópico, não teria como contabilizar entre seus feitos, uma revolução francesa, uma abolição da escravatura, e tantas outras ações tomadas a partir de um ideal humanitário. A nós, modernos Maçons, restam ainda muitos caminhos a serem trilhados. Se, unidos tal nossa simbólica Cadeia de União, agregar esforços conjuntos e reconhecermos nosso papel na luta pela Dignidade da Pessoa Humana em termos contemporâneos, ou seja: a garantia à vida, à saúde, à alimentação, à moradia, e à uma existência plena, estaremos justificando às gerações maçônicas passadas, e quiçá, às futuras, nossa razão de existir.
A proposta atual, e factível, é a educação da geração vindoura. Que nossas Lojas, nossos Maçons, aproveitem instituições já consagradas como apoio à  educação infanto-juvenil, tais como o escotismo, os De Molay, as APJ's, os Amigos da Escola, as Filhas de Jó, e outras, para que através de doações individuais ou enquanto Ordem - e tais doações não necessariamente financeiras - possam trabalhar valores que, num contexto a médio e longo prazo, farão a diferença na plena, e aí sim, concreta, valorização da Dignidade da Pessoa Humana.

Que assim seja.

Bibliografia extraída  do site www.comunidademaconica.com.br

Autor desta Peça de Arquitetura

Ir.’. Marcio Ailto Barbieri Homem
A.'.R.'.L.'.S.'. José Carlos Bergman nº 175 (GLMERGS)
PORTO ALEGRE  - RS

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

POR DEBAIXO DA ARMADURA

Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o Senhor dera vitória à Síria: era ele herói da guerra, porém leproso. LEIA 2º Reis 5.1-19. A Historia de Naamã é um exemplo categórico de que: Nem sempre o que esta debaixo da armadura corresponde ao que pensamos ser o seu conteúdo. Armadura é algo imponente, impressionante e exterior. Analisando de forma conceitual teremos muitos aspectos interessantes da armadura. Exemplo. Ela protege o rosto do guerreiro, porém não impede a visão do mesmo. Ela permite que o guerreiro entre no campo de batalha com vitória total sob os despidos de armadura. Ela impetra medo aos oponentes do guerreiro vestido de sua armadura. Etc. etc. etc. Na palavra de Deus, encontramos vários exemplos interessantes referentes à armadura. Exemplos esses que nos deixam várias micro-lições, porém apenas uma macro-lição que é: O guerreiro é mais importante que a armadura, jamais o contrário. Algumas situações bíblicas elucidam este conceito.
LEIA 1º Samuel 17.24-58. O jovem Davi, ao chegar no campo de batalha israelense e ver o oponente um gigante filisteu (Golias) afrontar um exército inteiro que se mantinha calado. Bradou: Quem é este incircunciso filisteu que afronta o exército do Deus vivo? E pediu ao Rei Saul, para enfrentar o gigante. O rei, sem outra opção, permitiu que o garoto enfrentasse o gigante... Contextualizando. Autorizou a colisão entre fusquinha e caminhão. Entretanto, ofereceu ao fusquinha (Davi) sua armadura, Davi até tentou usá-la, mas não conseguiu, pois era muito grande... Por fim, foi mesmo sem ela e sabemos o fim maravilhoso da história. Sem armadura e com 5 pedras do ribeiro na sacola, enfrentou o Gigante vestido de uma enorme armadura, com apenas uma pedra, girou sua funda, lançou a pedra e abateu o gigante.
LEIA 1ª Reis 22.29-35. O rei Acabe, um homem dissimulado e cruel, ao tentar enganar o Rei Josafá, sabendo que poderia morrer na batalha, conduziu a situação de forma a Josafá entrar na batalha trajado de rei (pois seria alvo fácil diferenciado entre os demais) e ele Acabe entrar na batalha trajado de soldado. Estando em meio a muitos soldados trajados de armadura, como ele estava, seria muito difícil ser descoberto. Porém, um soldado sírio atirou uma flecha ao ocaso, que atingiu o rei Acabe nas juntas de sua armadura... (e ele morreu por este ferimento). Tanto o primeiro como o segundo exemplo elucidam claramente que a armadura pode impressionar, confundir e impor-se aos homens, jamais a Deus. A vitória é daqueles que, por baixo da armadura, têm um coração íntegro guardado em Deus. Não uma aparência de força, espiritualidade ou poder... Pois a Deus ninguém engana; tudo que o homem semear isso também colherá.
                                                                                          
O que tem debaixo de sua armadura? Onde você tem depositado sua confiança? De que importam os resultados que os outros vêem? São perguntas que você deve responder com toda sinceridade, pois destas respostas dependem sua vida, seu futuro. Davi, sem armadura, venceu o gigante; Acabe vestido de armadura, em uma situação bem arquitetada maquiavelicamente, foi atingido por uma flecha lançada ao ocaso. Sua Armadura é de um homem ou mulher espiritual? Você realmente é? Lembre-se: nosso verdadeiro caráter é revelado no escuro. É preciso que possamos, com um espelho frente aos olhos, nos autoconfrontar, e se o resultado desse confronto for dizer: Por fora sou um herói, mas por dentro sou um ladrão; que possamos sair dessa revolta, pensar e voltar, quebrar nossos grilhões, pois Deus tem vida plena e vale à pena retornar e ver, ver o amor antigo, o abraço amigo, a festa começar, pois, arrependidos, nós os filhos de Deus sempre teremos um lar para onde voltar, sempre teremos um rio Jordão para mergulhar.
                                             Importa que não escondamos nossa lepra, porque escondê-la só nos levará ao fim que a lepra pode gerar, que é a carne podre invadindo os limites do corpo e o levando à morte.

Não morra, clame por cura. Deus ama você!

Bibliografia
Preletor Romney Cruz

OSMITH - BRASIL

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O APRENDIZ IMPERFEITO

Aprender a partir do percebimento das imperfeições, não dos outros, mas de si, este é o único e verdadeiro aprender. Aprendiz no sentido de estar apto a aprender, a compreender aquilo que se vivência, para então assimilar como experiência definitiva, que será incorporada a si mesmo. Imagine um paraíso repleto de coisas perfeitas, onde tudo seria regido pela mais perfeita harmonia, sem falhas, sem nada para ser corrigido, ampliado, ajustado, que papel então teria seus inquilinos? Estes não estariam mais sujeitos a aprender coisa alguma, uma vez que não mais existiriam objetivos a serem conquistados, nem falhas a serem reparadas. Quando se observa o crescimento de qualquer coisa, logo se percebem os vários estágios, cada qual com seus aspectos peculiares, que delimitam claramente fases de transição, onde a transformação cíclica é a única certeza. Entre uma fase e outra, há a transferência de um estágio imperfeito para outro mais adequado, mas, jamais perfeito. Uma criança, por exemplo, ao crescer fisicamente, também torna possível ao seu cérebro assimilar novos experimentos, pois ganha nova capacidade mental. Ela não deixa de ser criança, mas se transforma em outra mais capaz. Os limites próprios do primeiro estágio desaparecem, são substituídos por um modelo mais eficaz, mais adequado à nova realidade, que é uma necessidade desse crescimento físico.
O constante e sempre cíclico transformar-se é que caracteriza aquilo que é eterno. Não existe o eterno estático, pois este não poderia escapar das leis de transformação de si mesmo, onde aquilo que não muda, definha e morre. É uma lei natural, o que não se transforma, ou se adequa, ou melhora, se desgasta até o fim. A eterna criança, envelheceria como criança, não passaria pelos demais estágios existenciais, não teria sentido sua existência. Para os pais, não iria diferir em nada de um boneco de plástico desses que já existem nas lojas, que até são capazes de falar, cantar, comer, que simulam com perfeição uma criança pequena. Num mundo de perfeição, um aprendiz não teria nenhum espaço para sua transformação, sua experiência vital e espiritual, onde as falhas são seus verdadeiros mestres de conhecimento. Apenas em condições dessa natureza poderá ele progredir, se qualificar, deixar de ser potencial para se transformar em capaz. Deverá aprender a partir daquilo que é imperfeito, poderá então através desse experimento, através dos devidos ajustes em si mesmo, deixar para trás os estágios de menor capacidade, para os de maior capacidade. Trata-se de um caminho espinhoso, uma vez que todos a sua volta, sem exceções, estarão na mesma trilha, dentro do mesmo modelo de viver imperfeito. Imperfeito quer dizer transitório, e perfeito significaria o permanente. Mas, não existe o permanente estático, por isso não existe o perfeito. Mas perfeito é o eterno ciclo de reciclagem, da transformação do inadequado para o mais adequado.
Perfeito é o aprendiz que se conscientiza disso, em cujo caminho a eternidade se revela, com suas infinitas possibilidades, seu eterno movimento de auto ajustar-se. E tudo isso são coisas perfeitas, o reconhecer-se imperfeito, o incompleto que vê na transformação de si mesmo progresso. Não se trata do transformar-se sem aprender, mas do aprender pelo transformar-se. E assim o aprendiz se percebe imperfeito, por isso não julga nem a si mesmo. Apenas observa, pratica em si mesmo aquilo que aprendeu com suas próprias limitações e falhas. Não vê o perfeito como objetivo derradeiro, pois isto ele não conhece, mas nas próprias imperfeições a possibilidade de mudar. Não julga o mundo imperfeito a partir de si mesmo também imperfeito, mas observa em si tais imperfeições, compreende a necessidade de mudar, aprende com esse mudar. Observe o cíclico movimento da terra em volta do sol, onde nenhum dia é igual ao anterior. Amplie isso aos confins do universo, até onde nossa imaginação é capaz de alcançar, e o que se deduz são os eternos estágios, onde o ponto de origem de qualquer coisa, sempre aponta para sua transformação. Se essa transformação parece menos para nós, deve significar mais para outro, e assim por diante.
Uma pedra preciosa bruta se transforma em mais quando lhe tiram as arestas, logo, para esta, o menos significa mais. Diante da imperfeição, finalmente, o aprendiz se torna capaz de transformar-se, de desenvolver novas qualidades, de migrar para novos estágios existenciais, mas nunca sem antes conhecer seus limites. Afinal de contas, um limite precisa ser percebido claramente, ou não haverá mudanças. Observar, perceber, e finalmente compreender a si mesmo, faculta a transformação, e esta significa que houve aprendizado. Eterno é seu movimento, perfeito o seu ritmo, perfeito a sua causa e efeito, perfeito é o eleger do imperfeito como a força motriz de todas as transformações.
Bibliografia:
Esta Peça de Arquitetura, foi solicitada pelo nosso Venrável Mestre Ailton de Oliveira e enviada pelo nosso Ir.’. Gabriel Campos de Oliveira  - pertencente ao GOB de Divinopolis - MG
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO