CAVALEIROS DO TEMPLO


Este blog tem como objetivo único, cooperar em leituras e estudos voltados para o segmento Maçônico, com textos de diversos autores e abordagens diferentes para um único tema.

Por Yrapoan Machado






quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TESEU E OS CORREDORES DA MAÇONARIA


Na Mitologia Grega, os heróis eram semideuses, filhos de um deus e uma mortal (ou de uma deusa e um mortal), encarregados de cumprir tarefas para a humanidade. Os heróis gregos são homens, com exceção de Atlanta, heroína grega que participou da caçada ao javali de Caridon. Esses seres possuíam certos poderes, que os tornavam mais que humanos, mas menos que deuses, ficando à mercê desses – e, eram mortais. Assim era Teseu, o maior herói ateniense, filho de Egeu e Etra, e que venceu o Minotauro, no labirinto de Creta.

O rei Egeu, de Atenas, não conseguia ter um filho, e resolveu consultar o Oráculo de Delfos. O Oráculo respondeu-lhe que “não soltasse a boca do odre de vinho”, na volta a Atenas. No caminho, Egeu parou em Trezeno, para pedir ao rei Piteu que desvendasse a resposta da pitonisa. Piteu, que compreendera logo o sentido da mensagem, embriagou Egeu e colocou Etra, sua filha, na cama de Egeu. E assim Teseu foi gerado. Teseu passou a viver com sua mãe.
Aos dezesseis anos, já tendo tornado-se famoso por seus feitos, vai a Atenas, e não foi reconhecido por seu pai. Egeu era casado com Medeia, a feiticeira, que lhe dera um filho, Medo. Medeia compreendeu logo quem era o recém chegado, e resolveu envenená-lo. Mas Teseu, percebe a armadilha e, no jantar, puxou de sua espada – Egeu, imediatamente, reconheceu-o.
Quando os primos de Teseu, os “palântidas”, os cinqüenta filhos de Palas, irmão de Egeu, que sonhavam com a sucessão, souberam do acontecimento no jantar, resolveram tentar ainda conquistar o poder, mas Teseu conseguiu vencê-los.  A grande tarefa de Teseu foi matar o Minotauro, no labirinto de Creta: Minos encomendou a Dédalo a criação do labirinto de Cnossos, para aprisionar o Minotauro, fruto da infidelidade de Pasífae, esposa de Minos. Essa traição aconteceu por vingança de Posseidon, o rei dos mares, que dera um touro branco de presente a Minos, para sacrifício. Minos ficou com o touro para si, e Posseidon, fez com que Pasífae sentisse desejo pelo touro. Dessa relação nasceu o Minotauro, que se alimentava de jovens atenienses. Dédalo confiou o segredo de como sair do labirinto à Ariadne, filha de Minos, que o contou a seu amante Teseu.  Quando, pela terceira vez, Atenas forneceria o tributo de jovens destinados ao alimento do Minotauro, Teseu decidiu fazer parte do grupo, para matar o monstro. Teseu derrotou-o e seguiu o conselho de Ariadne: amarrar um fio na entrada do labirinto e levá-lo consigo para depois poder achar o caminho de volta. O herói acaba com a obrigação do sacrifício de sete moças e sete rapazes.
O navio que transportava de volta Teseu e as setes moças e sete rapazes, estava com velas negras. “Se eu for vitorioso, disse Teseu a seu pai, içarei as velas brancas”. Mas, com a alegria da vitória, esqueceu a promessa feita a seu pai e não trocou as velas. Quando Egeu percebeu o navio com as velas negras, persuadido de que seu filho tinha morrido, suicidou-se, jogando-se no mar.  As antigas culturas que conhecemos, tinham sem exceção, uma coisa em comum: símbolos e rituais. A partir de símbolos elas criavam rituais, não só para as principais fases de transição da vida (ritos de passagem), mas também para o dia a dia e suas exigências. Em nossa sociedade e cultura, os ritos de passagem foram perdidos (adolescência-maturidade, solteiro-casado, etc..), e a Maçonaria cumpre esse papel, ritualizando simbólica e filosoficamente, a senda do iniciado. Essa estrutura simbólica e ritual da Maçonaria identifica numerosas heranças inconscientes coletivas, procedentes de diversas e antigas tradições. Os arquétipos ou símbolos são uma linguagem metafórica. Os rituais são cerimônias de transformação interior, e estão carregados de alegorias que se impõem desvendar e assimilar. Os símbolos utilizados pela Maçonaria têm origens diversas, e a espada, o número sete e o labirinto são alguns deles.
O mito de Teseu é, claramente, a descrição de um ritual de passagem: do profano ao sagrado. Do homem profano, ao maçom. Pode-se compreender esse mito como o caminho que faz o indivíduo, a partir do momento que decide ser maçom: é o caminho do iniciado.  A espada que Teseu usa no banquete, é símbolo da energia solar, do falo, da Criação e do Logos. Representa a força, a energia masculina e a coragem. É também um símbolo de justiça, da divisão entre o bem e o mal, da decisão. Uma espada dentro da bainha significa temperança e prudência. Acessório muito usado nas cerimônias maçônicas, geralmente como símbolo do poder e autoridade, e emblema dissipador das trevas da ignorância. Nas reuniões de banquetes ritualísticos, é o nome que se dá à faca. O número sete é místico - as sete cores do arco-íris, as sete notas musicais, os sete estados de consciência do homem, os sete raios cósmicos, etc. O número da vida - a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os sete espíritos ante o trono de Deus. Os sete Sacerdotes da Lei Cósmica. Os sete Senhores do Carma. Os sete ciclos da terra (quatro ciclos lunares com duração de sete dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (sete em sete anos). Os sete orifícios do rosto humano. A plenitude, a ordem perfeita. A medida reguladora da coesão universal: sete planetas, sete divindades, sete metais, sete cores, sete dias da semana, sete chakras, sete pecados capitais e sete virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados. Quando Teseu se coloca entre os jovens que seriam devorados pelo Minotauro, passa a fazer parte da magia do número sete.
No mito de Teseu, o ápice de sua história é a entrada no labirinto, que representa sua alma, seu interior - ele vai até seu âmago destruir o mal ainda escondido. Somente Teseu conseguiu a façanha de sair vivo do labirinto, com a ajuda de Ariadne, que sabia o segredo. Esotericamente, por seus caminhos tortuosos e desconhecidos, o labirinto é considerado um símbolo da iniciação e representa a descoberta do centro espiritual oculto, a dissipação das trevas para o renascimento na Luz, a superação dos obstáculos e o encontro com o caminho da verdade.
Teseu passou por todas as fases de um ritual: separação, purificação, morte e renascimento. Teseu simboliza as transformações que acontecem com o aspirante a maçom. Ele vai crescendo, enfrentando vários inimigos, até deparar-se com o mais terrível deles: sua própria fraqueza, seu labirinto. A Maçonaria ensina que, ao sair de ca da labirinto, o maçom estará enriquecido, mais experiente e mais determinado – e que sempre haverá outros labirintos a serem conquistados, e não destruídos. O maçom é um Teseu, que sempre se aventurará nos labirintos de suas escolhas.

BIBLIOGRAFIA
Texto extraído do site www.formadoresdeopiniao.com.br onde parabenizamos o autor Helio P. Leite pelo brilhante trabalho.
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO



VIVÊNCIA DO AMOR FRATERNO


A Maçonaria recebe novos membros por intermédio da iniciação, o que a diferencia de sociedades profanas. Naquele psicodrama é exigido do recipiendário o juramento de que tudo fará para defender seu irmão na ocorrência de infortúnios. É algo muito diferente ao irmão de sangue, que nos é dado de forma compulsiva. O irmão maçom é resultado de escolha consciente e racional, daí as amizades resultantes serem coladas com o cimento do amor fraterno. Um sábio maçom, quando inquirido sobre sua interpretação do significado de fraternidade, usou a seguinte parábola: "Encontrava-me nas proximidades de uma colina coberta de neve e observava dois garotos que se divertiam com um pequeno trenó. Quando os dois meninos chegavam embaixo da encosta, depois de haverem escorregado, o rapaz mais velho colocava o mais novo às costas e subia pelo aclive puxando o trenó por uma corda. 

O garoto mais velho chegava ao topo ofegante sob carga tão grande. E isto se repetiu várias vezes, até que resolvi inquirir: - Mas não é uma carga muito pesada esta que levas morro acima? - O garoto mais velho respondeu sorrindo: - De forma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão!" Para o sábio irmão esta foi a definição exata de fraternidade. Para ele, o amor fraternal exige espírito elevado, consta até de sacrifícios, mas não o considera como tal, e sim algo natural, a carga é transportada com alegria e sem reclamar - este sábio maçom foi o presidente norte-americano Abraham Lincoln. Na escolha de um profano a ser iniciado, procura-se estimar no perfil emocional do proposto sua capacidade de desenvolver a vivência do amor fraterno. No questionário de sindicância existem perguntas assim: "o profano vive em harmonia no lar?" "Qual sua reputação no mundo profano?" "Entre colegas de trabalho?" "Demonstra ser pessoa capaz de adaptar-se com facilidade ao meio e ter bom convívio social?" Significa então que todo aquele que for considerado limpo e puro, aprovado e iniciado, tem o amor fraterno como característica. Ele tem a capacidade de superar eventuais dificuldades de relacionamento interpessoal, isto já faz parte dele. E para melhorar mais ainda, esta qualidade distintiva fundamental é depois sacramentada por juramento solene! A conseqüência é o aquecimento do amor fraterno que reina depois entre os irmãos em loja.

Na iniciação o recipiendário recebe um avental branco, considerado seu ornamento máximo, e lhe é dito que deve mantê-lo imaculado, limpo. Não se trata aqui de sujeira literal, esta pode até ocorrer para o diligente obreiro. Mancha que pode até sair com água, e basta lavar. Aquele paramento do zeloso maçom deve ficar isento de qualquer nódoa moral ou comportamental, que só a água do amor fraterno limpa. Nenhum iniciado deve jamais usar seu avental e adentrar numa loja, se lá houver irmão que esteja odiando. Isto suja seu avental de forma indelével e afeta as energias que envolvem a todos. Deve considerar a dificuldade de resolver problema de relacionamento interpessoal como se fosse o escalar de uma encosta íngreme e coberta de neve, com aquele irmão às costas. Não é fácil! Mas, mesmo ofegante, e sob carga tão grande, deve fazê-lo sorrindo. A razão deve suplantar a emoção, haja vista que isto já faz parte dele como iniciado. Se inquirido do peso da carga, este irmão deve exclamar: - Deforma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão! 
Egoísmo e indiferença são sintomas de falta de amor, pois o contrário de amor não é ódio, é a indiferença! Quando existem situações de disputa ou mágoa, é importante que os envolvidos resolvam as querelas fora das paredes do templo, e só então coloquem seus aventais e adentrem. Ao superarem suas diferenças, a benção do Grande Arquiteto do Universo, a divindade dentro dos iniciados, lhes proporcionará o aglutinante místico do amor fraterno que cimentará de forma brilhante as duas pedras que ambos representam na grande edificação da humanidade. Isto é vivência real do amor fraterno, o aglutinante místico que mantém unidos os irmãos numa loja. Num agrupamento assim constituído é certa a presença do Grande Arquiteto do Universo.

                                      
Poderá haver bem maior que um amor fraternal bem vivido? O Grande Arquiteto do Universo certamente só está onde existem pessoas que se tratam como verdadeiros irmãos espirituais e onde cada um nutre profundo amor fraterno pelo outro. Todo irmão que passar por uma situação onde eventualmente ocorre disputa ou ofensa, deve colocar aquele que considera ser seu ofensor às costas e carregá-lo para o alto de seu coração. E, se inquirido do peso, deve exclamar: - De forma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão.

BIBLIOGRAFIA
Peça de Arquitetura do Irmão Charles Evaldo Boller
Extraída do seu blog http://segredomaconico.blogspot.com

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A MAÇONARIA E A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

É a família a célula máter das nações, a ser defendida a todo custo. A ordem maçônica tem na instituição familiar um dos seus sustentáculos. Sendo uma de suas utopias o advento da família universal, uma só pátria, um só governo. Segundo Mardok, a família é um grupo social caracterizado por residência comum, cooperação econômica e reprodutiva. Atribui-se a família quatro funções fundamentais: a sexual, a econômica, a reprodutiva e a educacional. Tem-se que a primeira (sexual) e a terceira (reprodutiva) são importantes para a manutenção da própria sociedade, a segunda (econômica) para a manutenção da vida e a quarta (educacional) para a manutenção da cultura.
Na antiga Grécia, a mulher era objeto de uma iniciação especial. Recebia o ensino sagrado de ser esposa e mãe, e de sacerdotisa do lar, dedicada ao seu marido e carinhosa educadora de seus filhos. Sua tarefa era transformar o lar num templo de amor e beleza. No ensino grego, indicavam-se ás crianças as imperfeições dos pais, a fim de que, em caso de desentendimentos ou aparentes injustiças familiares, em lugar de entrarem em conflito contra os seus, deveriam elas desenvolver esforços para esclarecer, a fim de atenuar suas imperfeições e melhorar a sua sorte. O culto à família, comportando o amor dos ancestrais, a fundação de um lar, a criação dos filhos, surge-nos como um dos fatores primordiais do progresso humano, porque a individualidade não se realiza plenamente senão criando a grande obra que se chama família, isto é, o lar, templo do pai, da mãe e dos filhos.
Felizes os lares cujos filhos tenham mais que amor, mais adoração pelos pais, quando estes cumprem a sua missão divina, que consiste em dar aos filhos a suprema educação física, intelectual e, mormente, espiritual, porque desta educação depende o porvir do fruto de seus amores. Se há casais que não tenham tempo ou coragem de oferecer a seus filhos uma educação primorosa, que renunciem em concebê-los. O teatrólogo Jeremy Taylor, que viveu no século XVII, afirma: “O matrimônio, digam o que disserem os detratores, dá à vida mais garantia que o celibato. É possível que, enquanto a velhice não chega, o homem solteiro tenha mais liberdade, mas também exposto aos mais graves riscos. Há no matrimônio mais alegria, embora nele se encontrem tristezas também. É cheio de penas, mas igualmente abundante de gozo; tem mais pesadas obrigações, porém, alegradas e aliviadas pela forca do amor. O matrimônio é a mãe das nações, alegra a vida e engrandece os povos”.
É inacreditável que a Igreja Católica não permita a realização desse sagrado dever que Deus impôs ao homem e à mulher, ao impedir que os seus sacerdotes formem núcleos familiares, como faz a Igreja Protestante e todas as demais religiões. O homem moderno, diante do extraordinário avanço da ciência, da tecnologia e, em razão das suas ocupações de ordem profissionais está sendo, por estas, quase que absorvido totalmente, reduzindo dessa forma o seu tempo e o espaço para afazeres familiares. Por outro lado a mulher, outrora quase que exclusivamente a rainha-do-lar, vem assumindo posições perante o âmbito da sociedade, as quais antes pertenciam tão-somente ao homem. Claro que a participação da mulher no desenvolvimento sócio-político-econômico-científico-cultural da humanidade é uma questão de justiça, que já se fazia tardia.
Há, entretanto, se considerar que em razão do avanço da mulher para o exercício pleno de todas as suas faculdades, tomou-se quase obrigatório o seu distanciamento dos afazeres domésticos e, consequentemente dos filhos, os quais já não contavam muito com a proximidade do pai, este absorvido pelos deveres profissionais. Em virtude de tais situações a criação e a educação dos filhos têm sido relegadas aos cuidados de terceiros, se não totalmente, quase na totalidade dos casos Tem início a separação entre pais e filhos. Daí a desunião e o desmantelamento de muitas famílias modernas, já que falta ao lar o calor permanente da esposa e mãe, que aquecia de afeição e iluminava de amor a maioria dos lares passados.                              
O casamento encontra-se em estado pré-falimentar, ante o aviltamento dos seus reais fundamentos e objetivos, e pelo vilipêndio diante do casa-separa encenado pelas novelas e meios artísticos, assistidos e consagrados no Brasil, cujos comportamentos, além de contribuírem para debilitar a união matrimonial, conseguem o seu grande objetivo, qual seja o de induzir o jovem à promiscuidade sexual e ao descaso total pela formação futura de uma família, nos moldes tradicionais, éticos e morais. Diante dessa lamentável realidade, urge que as instituições sociais, como a Maçonaria, se postem atentas para evitarem o aniquilamento da família brasileira. Empreendendo ações conjuntas, visando o reordenamento nas condutas éticas e morais, de modo a restabelecer a dignidade e os objetivos familiares, como procedimentos de salvaguarda à sua sobrevivência e à formação das futuras gerações.
BIBLIOGRAFIA
Esta Peça de Arquitetura pertence ao nosso valoroso Ir.’. Helio Pereira Leite da ARL União e Silêncio N°1582 – GOB do Rio de Janeiro, onde parabenizamos pela não só importante, como também, fundamental  mensagem.

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ÉTICA - DO MODERNO AO PÓS-MODERNO - UM RITO OU UM MITO?!

Nos últimos anos, quando se fala em cultura, economia, política há sempre o debate sobre a ética. Na expressão ‘ética’ o homem define seus caminhos. Segundo Valls (2003, p. 07), "A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”. A Ética encara a virtude como prática do bem e esta como a promotora da felicidade dos seres, quer individualmente ou coletivamente, onde são avaliados os desempenhos humanos em relação às normas comportamentais pertinentes, é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto” (HOLANDA, 1975). O caminho da virtude é sempre possível. Enquanto o homem existir, tem ele a possibilidade de modificar sua conduta e imprimir direção diferente às suas ações. E todos os homens orientam-se na vida por um critério valorativo, conferindo assim um sentido pessoal em suas vidas.
Aristóteles (322-384 a.C.) fundamentou a maior parte de seu postulado teórico no empirismo onde, baseado no tipo de sociedade, desenvolveu algumas obras que enfoca as questões Éticas daquele tempo: Ética a Eudemo, Ética a Nicômaco e uma Magna Moral . Aristóteles não descarta a relação entre Ser e o Bem, porém enfatiza que não é um único bem, mas vários bens, e que esse bem deve variar de acordo com a complexidade do ser. Para o homem, por exemplo, há a necessidade de se ter vários bens, para que este possa alcançar a felicidade humana. A virtude em Aristóteles, está entre os melhores dos bens. Diz ainda que o homem não pode apenas viver, “mas ele precisa viver racionalmente, isto é, viver de acordo com a razão”. (VALLS, 2003 p. 30) O apreciar individual propicia nortear adequadamente a procura de felicidade própria , que não será integral se não se harmonizar com a de todos os homens, isto é, a prática do bem é a felicidade e como ela deve ser praticada como ideal e como ato consciente. Platão (427-347 a.C.), postula em sua teoria que a questão central da ética está na busca da felicidade pelo homem. Platão era um poeta. A sabedoria para Platão, não está expressa no saber pelo saber, ou melhor, não se identifica o sábio pela sua grandeza de conhecimentos teóricos, mas pela sua grandeza de virtudes. O homem virtuoso tende a encontrar e contemplar o mundo ideal. A prática da virtude como Sumo Bem.
Historicamente a civilização tem períodos de ascendência e descendência aonde é possível identificar crises éticas. Sempre que a questão ética entra em crise, a civilização tende a desaparecer. Não são somente as questões políticas ou econômicas que forçam uma civilização ao declínio, mas também seus valores. Kant no final do séc. XVIII, nega a existência da "bondade natural". Nos corações dos homens só existem sentimentos negativos e para conseguirmos superar todos esses males, devemos almejar uma Ética racional e universal identificada no dever moral. Hegel encara a questão Ética de um outro prisma. Opondo-se ao argumento do coração como determinante da vontade individual e a da moral racional de Kant, Hegel diz que somos seres indissociáveis. O ser humano é histórico e vive o coletivo em todas as suas ações, associado aos seus costumes e as suas manifestações culturais.                                                  
É por esse ângulo que Hegel argumenta sobre a vontade coletiva que guia nossas ações e comportamentos. A família, o trabalho, a escola, as artes, a religião etc. norteiam nossos atos morais e determinam o cumprimento do dever. Podemos seguir a linha de pensamento de Hegel para tentar direcionar nosso raciocínio enfocando as relações éticas no contexto político-social expondo a relativização do comportamento ético na direção do dever à responsabilidade? A ética como conjunto de normas e valores que rege uma sociedade deve necessariamente refletir a consciência e as ações das pessoas e trazer um tipo de organização sustentável. Na pós modernidade nos deparamos com situações que não refletem valores de uma ética universal, onde pessoas injustiçadas perdem a vida, morrem de fome, passam as piores necessidades e situações de constrangimento por serem negras ou pobres.

A sociedade do século XX atingiu um alto grau de desenvolvimento tecnológico e científico. Nos últimos 100 anos a humanidade evolui mais tecnologicamente do que em toda a história humana. No pós-moderno podemos observar o paradoxo entre o grande desenvolvimento tecnológico e a decadência dos valores humanos. A falta de ética se instaura a partir do momento em que o homem utiliza de sua tecnologia para a destruição em massa e, no âmbito social, fomenta a exclusão. De um lado os avanços inegáveis da ciência e da tecnologia e do outro lado mais da metade da população passando fome. Estamos em declínio? Estamos passando por uma grande crise ética? Em termos de ética a sociedade não evoluiu. Nos tempos atuais, não há mais afetividade, sentimento solidário. Hoje, pode-se dizer que tudo tem um preço. O ser humano perdeu a referência ética. A pós-modernidade é inerente às sociedades industriais, porque é inimaginável sem a mercadoria e o consumo. O significativo avanço tecnológico foi condição sine qua non para a massificação da informação, conforme pondera Santos: “o ambiente pós-moderno significa basicamente isso: entre nós e o mundo estão os meios tecnológicos de comunicação, ou seja, de simulação (....) hiper-realizamos mundo, transformando-o num espetáculo.” (SANTOS, 2000, p. 13)
                                                                   
A mercadoria exerce um poder de sedução sobre o indivíduo, que muitas vezes compra o produto porque gostou da imagem desse produto e não por se tratar de uma real necessidade. Adquiriu o simulacro, pois acreditou que aquele objeto foi criado especialmente para ele. Com característica consumista, volta-se para o prazer, para o modismo, cuja principal preocupação é consigo mesmo. Só interessa a imagem, pois o indivíduo é aquilo que usa. No pós-moderno o coerente é ser incoerente. Santos (2000) admite que o pós-moderno está inserido em um contexto no qual o indivíduo se encontra fragmentado, pois caos e ordem se mesclam de tal forma que não podemos distinguir o que é um e o que é outro. Não há uma definição precisa, um único estilo que possa definir a pós-modernidade; tudo é multifacetado, múltiplo. A arte busca “inspiração” em mais de uma fonte, elimina fronteiras entre o erudito e o popular, utiliza a intertextualidade, imbrica estilos.
Santos (2000, p. 12) fala sobre a essência da pós-modernidade quando “preferimos a imagem ao objeto, a cópia ao original, o simulacro (a reprodução técnica) ao real. (...) Mas o simulacro, tal qual a fotografia a cores, embeleza, intensifica o real”, fabricando algo mais interessante que a própria realidade. O que separa real e imaginário é o ponto de vista estético. No pós-modernismo verifica-se uma dificuldade do homem em representar o mundo confuso e complexo, fragmentado, repleto de informação, onde as contradições ocupam lugar de destaque. Com a perspectiva de crise ética qual é o papel conferido a educação, considerando que enquanto o homem existir, tem ele a possibilidade de modificar sua conduta e imprimir direção diferente às suas ações? Podemos dizer que os processos de mudança envolvem os paradigmas, que por sua vez influenciam as ações, pois “Fazem-nos acreditar que o jeito como fazemos as coisas é ‘o certo’ ou ‘a única forma de fazer’. Assim costumam impedir-nos de aceitar idéias novas, tornando-nos pouco flexíveis e resistentes a mudanças” (VASCONCELLOS, 2003 p. 31) Devemos enfatizar neste momento o papel relevante da educação com base no proposto pela Unesco: A educação deve tentar vencer estes novos desafios: contribuir para o desenvolvimento, ajudar a compreender e, de algum modo, a dominar o fenômeno da globalização, favorecer a coesão social. Os professores têm um papel determinante na formação de atitudes — positivas ou negativas — perante o estudo. Devem despertar a curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual e criar as condições necessárias para o sucesso da educação formal e da educação permanente. (DELORS, 2001, p. 152)                                                            
Morin (2002, p.23) afirma que no processo educacional “A verdadeira racionalidade, aberta por natureza, dialoga com o real que lhe resiste. Opera o ir e vir incessante entre a instância lógica e a instância empírica; é o fruto do debate argumentado das idéias, e não a propriedade de um sistema de idéias”, o que contrapõe a que Santos considera como essência da pós-modernidade quando “preferimos a imagem ao objeto, a cópia ao original, o simulacro”. E é sobre essa essência da pós-modernidade que, ao falar sobre o aprender a ser, neste mundo aonde o processo globalizador que começou na economia, realçou as diversas culturas e permeia o processo educacional aponta para a preocupação da educação no sentido de evitar incorrer em riscos como: Risco de alienação da personalidade patente nas formas obsessivas de propaganda e publicidade, no conformismo dos comportamentos que podem ser impostos do exterior, em detrimento das necessidades autênticas e da identidade intelectual e afetiva de cada um. — Risco de expulsão pelas máquinas, do mundo do trabalho, no qual a pessoa pelo menos tinha a impressão de se mover livremente e de decidir por si própria”. (FAURE, 1972.)
O risco da alienação transforma o homem em uma máquina consumista e consumidora, aonde os valores éticos e morais se perdem, pois o homem esvazia-se de qualquer tipo de emoção e subjetividade, se isola, capitaliza, perde seus valores internos e o respeito por si, pelo outro e pela sociedade. Podemos dizer que os homens alteraram consideravelmente modelos sociais, econômicos, políticos, estéticos e éticos na busca de identidade, relativamente nova para a sociedade que se estabelece a partir da modernidade e com a pós-modernidade. Na modernidade buscou-se o sujeito pensante, dotado de razão, com capacidade para realizar experiências, explicar e transformar racionalmente os fatos a atos que caracterizavam o mundo a sua volta. O período moderno vem com a Revolução Industrial, com a ciência que constrói a máquina a vapor, a produção de bens materiais, o ritmo bem marcado do tempo. Ações e costumes se modificam, conseqüentemente determinados padrões de comportamento também, e que passam a compor os estudos éticos. Não se pode tratar de ética, sem fazer referência ao contexto social vivido.
                                                                
Não é possível dizer, por exemplo, que a idéia de vontade em Hegel é melhor ou pior do que a idéia de vontade em Kant, se não for analisado o contexto vivido e as idéias que precederam o pensamento de grandes filósofos. Idéias por sinal que contribuíram para delinear o pensamento político, jurídico, ético e por que não dizer educacional da sociedade. Na modernidade o homem não é servo dos senhores feudais. Tem patrão. Há ideologias no chão da fábrica. Correntes de pensamentos vêm tratar da questão do Bem e Mal, da justiça, da sabedoria. É a busca racional de respostas, encontro com a Verdade absoluta. Mas parece que o homem estava preso em uma caixa, pois o período aceitava modelo, estilo definido, a produção de bens avançando, e sufocando a necessidade humana de encontro com a tal Verdade. As criações do período moderno são organizadas para atender ao homem pós-moderno. A tecnologia avança, com luzes, imagens, palavras que levam a estabelecer projetos de vida tão vulneráveis, quanto às imagens captadas pelas câmeras de alta resolução e possíveis de serem modificadas, melhoradas, reorganizadas, “deletadas” a qualquer tempo em qualquer espaço. O pós-moderno nasce com a arquitetura, computação, arte, moda cinema, música, envolvido não mais em uma sucessão de fatos, mas em um embaralhado de acontecimentos
Na modernidade havia um estilo, organizado, no pós-moderno tudo é aceito, há uma sobreposição de estilos, da composição métrica dos versos, da narração estilizada com discursos bem marcados, encontra-se no pós-moderno a escrita em forma de imagens que anunciam e denunciam. Porém toda aceitação de estilos revela o niilismo, ou o vazio, a ausência de projetos. Onde tudo pode, afinal quem é o indivíduo que tudo pode? A pós-modernidade trouxe os discursos globais, mas as idéias que fortalecem os mesmos não surgem desveladas, não são objetivas, estão reunidas e articuladas pela linguagem, ou melhor, linguagens. Afinal a linguagem – palavra, desenho, escrita, pintura, foto, imagens carregam os códigos, geram mensagens e o consumo é de mensagens, mensagens que geram serviços. Coloca-se para fora da caixa, questões que no período moderno, ficaram trancadas, ou eram ditas por meio do LOGOS (da palavra, da razão, do espírito). A arte expressa questões que antes eram passíveis de se buscar a sua lógica, de sofrer críticas infindáveis, pois poderiam desviar a humanidade do caminho de busca da Verdade.
São aceitos no pós-moderno o pensar, o refletir, o expressar questões como:
CORPO – EMOÇÃO – POESIA – INCONSCIÊNCIA – DESEJO – ACASO – INVENÇÃO. Na ética se passou a tratar do bem e do mal para além do sujeito, no sistema, elaborado e definido por indivíduos que em determinado momento, aparentemente apresentam interesses comuns. O pós-moderno é repleto de informações, estas muito rápidas, complexas, globais, que apresentam o mundo que se vive, mas que por conta da agilidade das informações não é possível representa-lo somente pela palavra. Neste sentido o enfoque da educação está no aprender a ser reflexivo, na tentativa de nos impulsionar há uma nova maneira de ser e estar, com responsabilidade ética, conotações analítica e avaliativa, não baseada exclusivamente em causas, mas principalmente nas conseqüências, na coerência sobre as formas de pensar e agir.
 REFERÊNCIAS:
DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. 6. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2001FAURE, Edgar (Org.). Apprendre à être. Relatório da Comissão Internacional sobre o Desenvolvimento da Educação UNESCO. Paris: Fayard, 1972 MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2002. VASCONCELLOS, Maria José Esteves. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. 2. ed. São Paulo: Papirus, 2003. VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. Coleção primeiros passos, 16ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2003 SANTOS, Jair F. O que é pós-modernismo. 21ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2000
 A Cavaleiros do Templo nº 26, registra esta verdadeira Peça de Arquitetura e ao mesmo tempo, parabeniza a Autora deste artigo: Simone Zattar - participante desde Seg, 26 de Novembro de 2007.
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UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO Simone Zattar

sábado, 15 de janeiro de 2011

O MAÇOM E A SOLIDARIEDADE

A Solidariedade é uma das marcas características do Homem, que o distingue das demais criaturas porque brota de seu íntimo e se origina da Lei Natural impressa pelo Criador em seu espírito. Basta atentarmos para as incontáveis tragédias que diuturnamente os meios de comunicação de massa nos colocam diante dos olhos. Em meio aos quadros terríveis, alguns dantescos, invariavelmente aparecem, como anjos de misericórdia, aqueles que doam-se a si mesmos para minorar os sofrimentos alheios, às vezes sob o risco ou até mesmo com o sacrifício de suas próprias vidas. Se formos ao dicionário, encontraremos como definição que Solidariedade é: “Adesão ou apoio, no sentido moral, à causa, empreendimentos, princípios, etc., de outros de tal forma que um indivíduo se vincula à vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, de uma nação ou da humanidade como um todo.”
 Se nosvoltarmos,agora, para a instituição maçônica veremos que nela a Solidariedade constitui uma das colunas mestras de  sua construção, dada a universalidade da Ordem. É por meio desse sentimento que nos unimos, em espírito, a outros Irmãos Maçons, inclusive àqueles de cuja existência sequer temos conhecimento mas com quem, a cada dia, do meio-dia à meia-noite, trabalhamos espiritualmente para construir a Paz e erguer o Templo da Fraternidade Universal.  Como diz a Quinta Instrução de Aprendiz, a Solidariedade é o laço que nos une e nos fortalece na luta incansável e ininterrupta que devemos manter contra os inimigos magnos da felicidade do Homem. Mas, ainda que exaltada dentro da Ordem, ela não pode ser praticada apenas dentro do universo maçônico e deixada de lado na vida profana. Isso seria uma incoerência, porque antes de sermos Maçons somos irmãos universais, independente de nossas nacionalidades, cor, crença política ou religiosa.
Se um semelhante nosso sofre, quem quer que seja ou onde esteja, nossa natureza comum de filhos do mesmo Pai deveria nos irmanar nesse mesmo sofrimento. Mas, é justamente aí, na visão do sofrimento que se tornam nítidos os dois lados contraditórios do problema: Luz e Trevas. Por que, diante de tragédias dos últimos anos, como as de Biafra, Ruanda, Angola, Zaire, África do Sul, Bósnia, para citar apenas algumas das mais cruentas, se vemos exemplos da mais exaltada Solidariedade de um lado, de outro também se destaca uma fria Indiferença de tantas pessoas e mesmo nações?  O monstro de crueldade, Stalin, que durante tantos anos dirigiu com mão de aço a União Soviética, disse certa vez que “uma morte é tragédia, mas milhões são apenas uma estatística” e a realidade do mundo de hoje continua dando razão àquela afirmação de crueza inaudita. Quando o sofrimento se torna, apesar de concreto, uma mera abstração que desaparece ao apertar do botão da televisão ou do fechamento da página do jornal nós nos separamos dele, deixando de vê-lo sob a ótica da Lei Natural. Não nos irmanamos, pois, não o sentimos como nosso também; nos alienamos dele, simplesmente.
Ao longo de minha vida, tanto profana como maçônica, tive a oportunidade de me deparar com inúmeras abordagens, textos e concepções sobre a Solidariedade, alguns superficiais, outros por demais filosóficos mas, alguns também de conteúdo maravilhoso e inspirador. Dentre esses, lembro-me bem deste que se segue e que reproduzo na esperança de que sirva para alimentar a chama da Fraternidade e da Solidariedade em nossos corações, única forma de nos sentirmos verdadeiramente unidos e irmanados com todos os que sofrem e choram na solidão gelada em que são colocados pelo desamor.  “Um discípulo chegou-se a seu Mestre e perguntou-lhe:
- Mestre, qual a diferença entre o Céu e o Inferno?
Respondeu-lhe o Mestre:
- Vi um grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento. Ao redor dele estavam muitos homens famintos. Eles não podiam se aproximar do arroz, mas possuíam longos palitos de dois a três metros de comprimento. Pegavam, é verdade, o arroz mas não conseguiam levá-lo à própria boca porque os palitos eram muito longos. E assim, famintos e moribundos, embora juntos, permaneciam solitários curtindo uma fome eterna diante daquela inesgotável fartura.  Isso era o Inferno. - Vi outro grande monte de arroz, cozido e preparado como alimento. Ao redor dele estavam muitos homens famintos, mas cheios de vitalidade. Eles não podiam se aproximar do arroz, mas possuíam longos palitos de dois a três metros de comprimento. Pegavam, é verdade, o arroz mas não conseguiam levá-lo à própria boca porque os palitos eram muito longos. Mas, com seus longos palitos, ao invés de levá-los à própria boca serviam-se uns aos outros o arroz e assim saciavam sua imensa fome, numa grande comunhão fraterna, juntos e Solidários. Isso era o Céu.”
Reflitamos um pouco sobre o que essa parábola oculta em sua linguagem figurada e se o mundo hoje não é, em grande parte, aquele primeiro grupo de homens, juntos mas solitários, padecendo de fome diante da fartura. Ao depararmos com o sofrimento, o que sentimos? O aguilhão da culpa, por nada fazermos, ou uma identificação?  De nada serve racionalizar o problema, dizendo: “Não posso fazer nada. Esse problema está muito longe e não tenho como ir até lá” ou “Faço o que posso com quem está mais próximo de mim e sempre contribuo com o Tronco de Beneficência de minha Loja”. Pode-se fazer mais, sim.  Pode-se estender a ponte e compartilhar o sofrimento em espírito. Pode-se erguer os olhos para o Senhor da Compaixão e orar, em união com todo o sofrimento do mundo.  Se sou Solidário apenas porque uma regra me diz que devo sê-lo que mérito há nisso, se até uma criança é capaz de seguir regras, ainda que não saiba discernir o seu conteúdo? Se sou Solidário apenas com quem está mais próximo de mim, o que estou realizando se até mesmo os animais são capazes de defender os seus?
Cada um de nós recebeu, embutida no espírito pelo Criador, a semente da Solidariedade. Ela está dentro de nós mas não lhe damos um solo, não a irrigamos, não nos tornamos jardineiros. Carregamos a semente adormecida, encerrada em uma cela; não a colocamos na terra. Temos medo que ela morra, o que é verdadeiro num certo sentido pois morrer ela precisa para que a árvore nasça. Cada desabrochar é morte e nascimento e a semente tem que morrer mas é precisamente por isso que temos medo, porque protegemos a semente.  Diz uma história oriental que certo rei tinha três filhos, todos fortes e talentosos e estava indeciso e confuso quanto a qual deles entregar o reino. Assim, chamou um Mestre e perguntou-lhe o que deveria fazer para resolver o impasse. O Mestre aconselhou-o a sair em uma longa viagem deixando com cada filho uma determinada quantidade de sementes de uma flor muito rara e dando-lhes instruções para que as preservassem o mais cuidadosamente possível, eis que suas vidas dependeriam disso. Satisfeito com o conselho do Mestre, o rei procedeu como lhe fora dito e partiu em viagem.
O filho mais velho era mais experiente nas coisas do mundo e calculou que o melhor seria guardar as sementes a salvo e assim poder devolvê-las a seu pai, intactas. Assim pensou e assim fez. Colocou-as em um cofre e pendurou a chave em uma corrente que levava permanentemente presa ao pescoço.  O segundo filho calculou que sendo as sementes de uma flor muito rara, deveria vendê-las e fazer um bom dinheiro. Quando o pai retornasse, compraria outras sementes novas pois ninguém saberia dizer a diferença. Assim pensou e assim fez.  O terceiro filho era menos experiente nas coisas do mundo e mais inocente e calculou que as sementes deveriam ter um significado. Pensou consigo mesmo, “As sementes existem para crescer. A própria palavra já tem o sentido de Origem, o que indica que ela é uma busca e a menos que se torne algo, não tem significado. Ela é como uma ponte que se tem que atravessar”. Assim pensou e assim fez. Foi ao jardim do palácio e plantou as sementes.  Após uma longa ausência, retornou o rei e quis logo saber das sementes, mandando chamar os filhos à sua presença.                                                                           
O mais velho pensou que o mais novo iria ficar muito mal perante o pai, porque destruíra as sementes; e o mesmo se daria com o segundo, porque as vendera. Mas, o mais novo não estava preocupado em vencer, apenas em preservar as sementes e isso só conseguira quando entendera que elas precisavam morrer e depois renascer, para dar novas sementes.  O rei chamou o mais velho e disse-lhe: “És um estúpido e por isso perdeste o reino, porque uma semente só pode ser preservada se tem a oportunidade de morrer no solo, se tem a oportunidade de renascer”.  Ao segundo filho disse: “Agiste melhor que teu irmão mais velho, mas também perdeste o reino, ainda que tenhas compreendido que as sementes envelheceriam. Mas, a quantidade não mudaria. Quando a semente é preservada, multiplica-se por milhões”.
Ao terceiro filho disse: “É teu o reino, porque soubeste compreender, na inocência, a mensagem que antes dos tempos já te fora dada pelo Criador”.

BIBLIOGRAFIA
Ir.'.Antonio Carlos de Souza Godói
A.’.R.’.L.’. Nove de Abril  de Mogi Guaçu http://www.samauma.biz/site/portal/index.html
 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

POR MISERICÓRDIA, ABRA A PORTA DO SEU CORAÇÃO.

Amados Irmãos. O momento não nos permite questionar ou discutir o que representa a Hospitalaria Maçônica no âmbito maçônico ou profano. Nem mesmo se cumprimos ou não nosso dever, enquanto Maçons que somos.O momento é de União, de darmos as mãos e nos cotizarmos em prol daqueles que, por conta dos intempéries do tempo, passam por agruras imensuráveis, as quais, por não estarmos vivenciando, não se mostram tão graves como na cristalina  realidade que são. As necessidades prementes nos dão conta de que a prioridade é ainda a identificação de cadáveres (376 até agora, confirmados), mas, absolutamente consciente, sei que logo, logo, serão necessárias várias atitudes que visem o suprimento das necessidades básicas dos atingidos pela catástrofe. A região serrana do estado do Rio de Janeiro, foi acomedida também por  uma devastação que, até aqui, acha-se que será a maior já presenciada. Portanto, bem assim sabendo, urge que a nossa Potência, bem como a todas  que queiram entrar nesta corrente de fraternidade, 
através das  Augustas Lojas que se unam em prol de uma campanha a favor dos necessitados de tal catástrofe. Em sendo assim, na condição de simples Irmão e hospitaleiro, venho conclamar a todos os Irmãos para que se imbuam do interesse de ajudar e, através de suas Lojas, se unam e passem a arrecadar todo e qualquer tipo de ajuda possível.                                                                    

 Temos a certeza absoluta de que todas as Potências estarão unidas para o levante do verdadeiro Exército Maçônico, não importando a Grande Administração e sim, o dever de cumprir como Maçons que somos, na ajuda aos necessitados. Aos Veneráveis de toda a Nação Maçônica,  que movimentem  na ação de suas Lojas que, certamente, com a voluntariedade de seus hospitaleiros, estarão dispostas para abrir espaços no recebimento de tudo que for possível arrecadar. Para se ter uma idéia, os dados da catástrofe até  hoje são:- 14.000 (quatorze mil) desabrigados;
- Mais de 548 mortos - Cinco áreas atingidas: Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e Itaipava.

Em sendo assim, acreditamos no seu espírito frtaerno de, seja de que forma for, ajudar no que for possível. Estamos disponibilizando nossa Loja para que sirva de Posto de Arrecadação, o que pedimos a todas as Lojas de nossa jurisdição.
E, à medida em que formos angariando boas quantidades, enviaremos para a Grande Loja, que,  certamente, estará encontrando uma forma para entregar todo o material arrecadado. Para qualquer orientação, estamos nos disponibilizando a ajudar. Unamo-nos e avante... Força total para a felicidade de ajudar aos imediatos.
Pela Hospitalaria de minha Loja e, com certeza, também, por nossa Grande Hospitalaria, pedimos a todos os IIRR.'. que a hora é esta, somos Maçons e   precisam de nossa ajuda. Por favor meus Irmãos, está na hora de colocarmos em prática o que também juramos e ao mesmo tempo, mostrar a força que existe em nossa Irmandade, independente do Grande Oriente em que esteja. Não estamos discutindo Potências, até porque, AJUDA NÃO PODE TER RÓTULO.

ATENÇÃO A TODOS DA CAVALEIROS DO TEMPLO Nº 26
 A pedido de nosso Venerável Mestre Ailton de Oliveira, vamos  marchar na direção da ajuda em que nosso Ir.'.Antonio Carlos Santos - Hospitaleiro da Aug.'. Resp.'. Loja Respandescer da Fenix nº 25 vem solicitando a todos.
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO E MISERICÓRDIA AOS IRMÃOS NECESSITADOS



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

UM MODERNO FRANCÊS

O Rito Moderno ou Francês  foi criado  em Paris no ano de  1761, constituído aos 24 de dezembro de 1772 e, finalmente, proclamado aos 09 de marco de l773, pelo Grande Oriente de França, sendo Grão Mestre Luís Felipe d'Orléans, Duque de Chartres, instalado solenemente aos 22 de outubro de 1773. Na sua fundação, compunha-se apenas dos três primeiros graus e adotava  as primeiras Constituições de Anderson de l723. Na época havia grande paixão pelos altos graus, surgindo a cada momento novos graus e novos ritos, numa flagrante indisciplina. Em virtude da pressão de irmãos, o Grande Oriente de França se viu compelido a procurar uma fórmula para harmonizar as diferentes doutrinas que vicejavam desordenadamente num emaranhado proliferar de altos graus, por influência da Cavalaria, da nobreza e de misticismos, que  serviam a vaidade dos que procuravam a Maçonaria, desfigurando a Ordem. Assim, o Grande Oriente de França nomeou uma comissão de maçons de elevada cultura para estudar todos os sistemas existentes e elaborar um rito composto do menor número possível de graus e que contivesse os ensinamentos maçônicos.                                                                   
Após três anos de estudos, a comissão desistiu da empresa, mas recomendou  manter  apenas os três graus iniciais. O Grande Oriente acatou as conclusões da comissão e enviou circulares a todas as lojas da obediência, aos 03 de Agosto de l777, afirmando que  só seriam reconhecidos  os três primeiros graus simbólicos, o que causou uma grande  reação  de alguns  irmãos,  porque  o  Rito de Perfeição ou  de  Heredon  já  contava  com  25 graus.  Em  razão disso, em 1782, criou uma nova comissão, com o nome de Câmara dos Ritos, cujas conclusões foram acolhidas,  e, em conseqüência, em l786,  nascia o Rito Francês ou Moderno de 7 grau.
Graus Simbólicos:
1º  Grau - Aprendiz
2º  Grau - Companheiro
3º  Grau - Mestre 
Graus Filosóficos:
1a. Ordem - 4º  Grau - Eleito
2a. Ordem - 5º  Grau - Eleito Escocês
3a. Ordem - 6º  Grau - Cavaleiro do Oriente ou da Espada
4a. Ordem - 7º   Grau - Cavaleiro Rosa-Cruz
Só  em  l785,  foram  editados  rituais  oficiais para os três graus simbólicos, resultado da uniformização e da codificação das práticas das Lojas Francesas nos anos anteriores. Com o Regulateur de 1801, todos os graus do Rito Moderno passaram a ter o seu ritual. Houve um período, em Portugal, no qual o Rito Moderno chegou a funcionar com um grau 8 (Kadosh Perfeito Iniciado) e até um grau 9 (Grande Inspetor). Atualmente, no Brasil, se reorganizou o Rito Moderno, principalmente por  motivos administrativos,  nos 9 graus, os dois últimos na 5a. Ordem, acrescentando-se:

5a. Ordem -  8º  Grau - Cavaleiro da Águia Branca e Preta, Cavaleiro Kadosh Filosófico, Inspetor  do Rito. 5a. Ordem - 9º  Grau  -  Cavaleiro  da  Sapiência  -  Grande           Inspetor do Rito. Os três primeiros graus se reúnem nas chamadas Lojas Simbólicas, filiadas às chamadas Obediências Simbólicas. Os  Graus  4 a  7 se reúnem   nos  chamados   Sublimes  Capítulos. O Grau  8  se  reúne  no  Grande  Conselho  Estadual. E, o Grau 9 se reúne no Supremo Conselho, que tem jurisdição nacional sobre todos os Graus Filosóficos.
O Rito Moderno, no que diz respeito aos graus simbólicos, é o mesmo rito que a Grande Loja da Inglaterra, a dos “Modernos”, praticava antes de sua fusão com a dos “Antigos”. As inversões das colunas, os modos de reconhecimento nos 1º  e 2º  graus, o início da marcha com o pé direito, a Palavra Sagrada do Aprendiz , eram práticas dos “Modernos Ingleses”. Mas, não são essas divergências que distinguem o Rito Moderno dos outros ritos. No Grande Oriente do Brasil, Potência mãe da Maçonaria Brasileira, existem atualmente aceitos 6 (seis) ritos: 1.- Adonhiramita; 2.- Brasileiro; 3- Escocês Antigo e Aceito; 4.- Francês ou Moderno; 5.- Schröder; 6.- York.  Tal diversidade não constitui fator de dissensão, porque todos, além de serem unidos pelos fortes laços de Fraternidade e de um Ideal comum, obedecem a normas legais, tais como as Constituições do Grande Oriente do Brasil e dos Grandes Orientes Estaduais, ao Regulamento Geral da Federação, leis e decretos.
O Rito Moderno, que é fruto da Maçonaria Francesa, entende que o maçom deve ter a faculdade de pensar livremente, de trabalhar para o bem-estar social e econômico do cidadão, de defender os direitos do homem e uma melhor distribuição de rendas.  Essa tendência filosófica humanista é que parece contrapor-se aos aspectos de religião cultual O Rito Moderno não considera a Maçonaria como uma Ordem Mística, embora seus três primeiros graus estejam impregnados da  mística das civilizações antigas.  A busca da verdade, transitória e inefável, realiza-se pelo aprendiz na intuição, pelo companheiro na análise e pelo mestre na síntese, num processo evolutivo e racional. Os padrões do pensamento da Maçonaria Francesa são  racionais   e  científicos, e   se  prendem  à  época moderna, ao Humanismo. A síntese dos debates da Assembléia, em 1876, que levaram à resolução de 1877, mostra bem, que : - ”A franco-maçonaria não é deísta, nem é atéia, nem sequer positivista. A instituição que afirma e pratica  a solidariedade humana, é estranha a todo dogma e a todo credo religioso. Tem por princípio único o respeito absoluto da liberdade de pensamento e consciência. Nenhum homem inteligente e honesto poderá dizer,  seriamente, que o Grande Oriente de França quis banir de suas lojas a crença em Deus e na imortalidade da alma quando, ao contrário,   em nome da liberdade absoluta de consciência, declara, solenemente, respeitar as convicções, as doutrinas e as crenças de seus membros”. “O Rito Moderno mantém-se tolerantemente imparcial, ou melhor, respeitosamente neutro, quanto à exigência, para os seus adeptos, da crença específica em um Deus revelado, ou Ente Supremo, bem como da categórica aceitação existencial de uma vida futura;  nunca por contestante ateísmo materialístico, mas unicamente, pelo respeito incondicional ao modo de pensar de cada  irmão, ou postulante.  Demonstra  apenas, a  evolução das crenças estimulando os seus seguidores ao uso da razão, para formar a  sua  própria opinião.  Procura ensinar que a  idéia de Deus resulta da consciência e que as exteriorizações do seu culto não passam de um sentimento íntimo, que se  pode traduzir das mais diversas maneiras.” O Rito Moderno não admite a limitação do alcance da razão, pelo que desaprova o dogmatismo e imposições ideológicas e, por ser racionalista, e portanto, adogmático,  propugna pela busca da Verdade, ainda que provisória  e em constante mutação. A filosofia do Rito se opõe a qualquer espécie de discriminação. A não admissão de mulheres dá-se em decorrência de tratados e não da natureza do Rito.
O Rito Moderno, afinal, é um desafio, que vale a pena  arrostar.

                                                                      
                                                                                                           BIBLIOGRAFIA
Texto extraido da Aug.’. Ofic.’. LUZ DO ORIENTE, onde externamos o mais profundo respeito e admiração por todos os IIRR.'. desta Resp.'. Loja.

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO