CAVALEIROS DO TEMPLO


Este blog tem como objetivo único, cooperar em leituras e estudos voltados para o segmento Maçônico, com textos de diversos autores e abordagens diferentes para um único tema.

Por Yrapoan Machado






quinta-feira, 10 de março de 2011

A CRUZ E SEUS SIMBOLISMOS



A Cruz, pode ser encontrada em um número muito grande de variações. Símbolo antiqüíssimo e universal, a cruz é encontrada com grandes variações morfológicas. O significado é sempre o da conjunção dos opostos: o eixo vertical (masculino), com o eixo horizontal (feminino); o positivo com o negativo; o superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o passivo; o Sol com a Lua; o dia com a noite; o masculino e o feminino a vida com a morte; e assim por diante. A Cruz é a disposição de dois objetos, um atravessado sobre o outro; é a insígnia de várias ordens honoríficas; é o antigo instrumento de suplício, formado por duas peças atravessadas uma sobre a outra, em que se prendiam criminosos.

O significado do símbolo da cruz é sempre a conjunção dos opostos: o eixo vertical (masculino) e o eixo horizontal (feminino); o positivo e o negativo; o homem e a mulher; o superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o passivo; o Sol com a Lua; a vida com a morte, etc., pois tudo no universo (e no homem) nasce e se desenvolve a partir do choque doloroso de forças antagônicas. É a união dessas forças antagônicas que exprime um dos principais significados da cruz, que é o do choque de universos diferentes e seu crescimento a partir de então, traduzindo-a como um símbolo de expansão. A Cruz afirma assim a relação básica entre o Celestial e o terreno, e que é, através da crucificação (o conhecimento dos opostos), que se chega ao centro de si mesmo (a iluminação). Apesar de ter sido difundida pelo cristianismo como símbolo do sofrimento de Cristo à crucificação, a figura da cruz constitui um ícone de caráter universal e de significados diversificados, amparados por suas inúmeras variações.
É possível detectar a presença da cruz, seja de forma religiosa, mística ou esotérica, na história de povos distintos (e distantes) como os egípcios, celtas, persas, romanos, fenícios e índios americanos. Ao situar-se no centro místico do cosmos, a cruz assume o papel de ponte através da qual a alma pode chegar a Deus. Dessa maneira, ela liga o mundo celestial ao terreno através da experiência da crucificação, onde as vivencias opostas encontram um ponto de intersecção e atingem a iluminação.
                                                                                                                                    

 
Cruzes no Rito Escocês Antigo e Aceito                         
Os principais tipos de cruz, com interesse para o Rito Escocês Antigo e Aceito, são os seguintes:






Cruz Simples
Em sua forma básica a cruz é o símbolo perfeito da união dos opostos, do masculino com o feminino, mantendo seus quatro “braços” com proporções iguais. Alguns estudiosos denominam esta como Cruz Grega. Formada por quatro segmentos iguais (como um sinal de +), é a forma básica, símbolo perfeito da união dos opostos. É também chamada de cruz grega.

                                                 
  

Cruz de Santo André
Símbolo da humildade e do sofrimento recebe esse nome por causa de Santo André, que implorou a seus algozes para não ser crucificado como seu Senhor por considerar-se indigno. Acredita-se que o santo foi martirizado em uma cruz com essa forma. Em aspa- com o formato de um “xis” (x) – simboliza a união do mundo superior com o mundo inferior e tem esse nome porque consta que  Santo André teria sido supliciado numa cruz com esse formato. Ela simboliza, também, o infinito incognoscível, pois suas hastes divergem até ao infinito. É uma das “chaves” para alfabetos maçônicos.


Cruz de Santo Antônio ou Tau
recebeu esse nome por reproduz a 19a letra grega Tau. É considerada por muitos, como a cruz da profecia e do Antigo Testamento. Dentre suas muitas representações estão o martelo de duas cabeças, como sinal daquele que faz cumprir a lei divina, encontrado na cultura egípcia, e a representação da haste utilizada por Moisés para levantar a serpente no deserto. Reproduz o desenho da letra grega tau (T). Símbolo muito antigo, já era usado pelos antigos egípcios, como a representação de um martelo de duas cabeças. Sinal “daquele que faz cumprir”; para os gauleses, representava o martelo do deus escandinavo Thor.                                                                                                                  
Cruz Quádrupla

                                                             

Formada por duas paralelas horizontais e duas verticais (#), que se cruzam, formando um quadrado fechado no centro, ela reforça, por ser dupla, a união dos opostos. Simboliza também, pelo espaço delimitado que forma, a limitação da capacidade do homem. Junto com a cruz de Santo André, é “chave” para alfabetos maçônicos.





 Cruz Ansata
Um dos mais importantes símbolos solar da cultura egípcia. A Cruz Ansata consistia em um hieróglifo representando a regeneração e a vida eterna, vida ou ato de viver e formando parte das palavras saúde e felicidade. Como símbolo microcósmico, isto é, análogo ao homem, o círculo representa a cabeça humana, o eixo horizontal os braços e o eixo vertical, o resto do corpo. A idéia expressa em sua simbologia é a do círculo da vida sobre a superfície da matéria inerte. Existe também a interpretação que faz uma analogia de seu formato ao homem, onde o círculo representa sua cabeça, o eixo horizontal os braços e o vertical o resto do corpo. Importante símbolo solar egípcio, é uma cruz em tau, com um círculo na parte superior, a qual, na realidade, era um hieróglifo, com o significado de vida.
Esotericamente, expressa a idéia do círculo da vida, colocado na superfície da matéria inerte, para vivificá-la. Também, como a estrela hominal de cinco pontas, essa cruz pode ser chamada de hominal, ou seja, assimilada à figura humana, com o círculo representado a cabeça, a haste horizontal representando os membros superiores, e a haste vertical representando o tronco e os membros inferiores.

Cruz de Malta, ou Cruz de São João

                                                                                        
Também conhecida como e emblema dos Cavaleiros de São Joã,o da Ilha de Malta, que foram levados pelos turcos para a ilha de Malta. A força de seu significado vem de suas oito pontas, que expressam as forças centrípetas do espírito e a regeneração. Até hoje a Cruz de Malta é muito utilizada em condecorações militares.
Com oito pontas como significado místico — ou quatro, bipartidas na extremidade — é, no sentido místico, a representação das forças centrípetas do espírito.



Cruz de Lorena, ou Cruz Patriarcal



Outrora conhecida como Cruz de Lorena, o seu nome é alusivo à região da Lorraine (Lorena), situada na parte oriental da França. Possui um “braço” menor que representa a inscrição colocada pelos romanos na cruz de Jesus. Foi muito utilizada por bispos e príncipes da igreja cristã antiga.  Formada por um ramo vertical e por dois horizontais desiguais – o inferior mais longo do que o superior – representava os bispos e príncipes da Igreja cristã primitiva. É emblema privativo dos membros efetivos do Supremo Conselho.


Cruz Forcada, ou Teutônica

                                                                             

Composta de um ramo vertical e outro horizontal, cada um deles tem, nas pontas, um pequeno ramo tangencial, formando uma bifurcação. É chamada de forcada porque forcado é um utensílio de lavoura, formado por uma haste de pau, terminada em duas ou três pontas ; e forcada é o ponto de bifurcação.






Cruz Rosa-Cruz 
Os membros da Rosa Cruz costumam explicar seu significado, na intersecção dos braços da cruz, é interpretada como o corpo físico do homem, com os braços estendidos, em saudação ao Sol – que simboliza a Luz Maior – no Oriente. E com a rosa em seu peito permite que a luz ajude seu espírito a desenvolver-se e florescer. Quando colocada no centro da cruz a rosa representa um ponto de unidade. Com a rosa , no centro da cruz, simboliza a alma humana, o “eu” interior, que vai se desenvolvendo no homem, à medida que ele recebe mais luz. Colocada no centro exato da cruz, a rosa representa o ponto de unidade. O Sol representa aqui a LUZ MAIOR. A rosa parcialmente desabrochada, no centro da cruz, representa a alma do homem, o seu interior, desenvolvendo-se dentro dele à medida que recebe e conquista mais Luz. Essa rosa no centro da cruz, também representa o ponto da unidade.
Diante o  exposto, chega-se à conclusão de que somos em síntese uma CRUZ em evolução no Universo, e que só depende de nós próprios, qual a melhor ou pior forma que ela se apresentará perante o Supremo Arquiteto do Universo, quando tivermos que nos confrontar com a LUZ DIVINA.

Cruz Cristã
                            

O mais conhecido símbolo é o mais exaltado emblema da fé cristã, também chamada de CRUZ LATINA. Na origem, era um patíbulo, constituído por uma trave vertical de madeira e outra trave horizontal, próximo ao topo. Os romanos a utilizaram para a execução de criminosos, da mesma forma que ainda nos dias de hoje se usa a forca com a mesma finalidade. Por conta disso, ela nos remete ao sacrifício que Jesus Cristo ofereceu pelos pecados das pessoas. Além da crucificação, ela representa a ressurreição e a vida eterna.




Cruz de Anu





Utilizada tanto por assírios como caldeus para representar seu deus Anu, esse símbolo sugere a irradiação da Divindade do Espaço em todas as direções.





Cruz Gamada (Suástica)

                                                                                     

Dos mais importantes símbolos de toda a humanidade. A suástica representa a energia do cosmo em movimento, o que lhe confere dois sentidos distintos: o destrógiro, onde seus “braços” se movem para a direita e representam o movimento evolutivo do universo (positivo), e o sinistrógiro, onde ao mover-se para a esquerda nos remete a uma dinâmica involutiva (negativo). No século passado, essa cruz adquiriu má reputação ao ser associada ao movimento político-ideológico do nazismo.



Cruz de Jerusalém




Formada por um conjunto de cruzes, possui uma cruz principal ao centro, representando a lei do Antigo Testamento, e quatro menores dispostas em cantos distintos, representando o cumprimento desta lei no evangelho de Cristo. Tal cruz foi adotada pelos cruzados graças a Godofredo de Bulhão, primeiro rei cristão a pisar em Jerusalém, representando a expansão do evangelho pelos quatro cantos da terra.






Cruz da Páscoa

                                                                                   

 Chamada por alguns de Cruz Eslava possui um “braço” superior representando a inscrição INRI, colocada durante a crucificação de Cristo, e outro inferior e inclinado, que traz um significado dúbio, dos quais se destaca a crença de que um terremoto ocorrido durante a crucificação causou sua inclinação.





Cruz do Calvário
                                                                    



Firmada sobre três degraus que representam a subida de Jesus ao calvário, essa cruz exalta a fé, a esperança e o amor em sua simbologia.







Cruz Papal
                                          
Derivação da Cruz Patriarcal, usada como hierarquia por todos os Papas conhecidos.









BILBIOGRAFIA
Esta Peça de Arquitetura foi editada pela ARL MAÇÔNICA OBREIROS DE IRAJÁ, através de seu site www.obreirosdeiraja.com.br e a Cavaleiros do Templo nº 26 respeitosamente sente-se honrada em poder divulgar este belíssimo trabalho.
                                                               
          NON  NOBIS,  DOMINE, NON NOBIS, SED NOMINI TUO DA GLORIAN
















quinta-feira, 3 de março de 2011

RELACIONAMENTO FRATERNO – PERDÃO - RETIDÃO - INVEJA


Uma simples desatenção de nossa parte em relação a outrem - mesmo que não intencional – pode, às vezes, gerar um desafeto. De modo geral, os nossos inimigos são pessoas que prejudicamos deliberadamente ou ainda cujos interesses contrariamos através de nossa conduta. Os inimigos nem sempre são claramente identificáveis. Perdão - Perdoar aos que nos inspiram indiferença, ódio e desprezo, não nos querem bem; aos que nos ferem; aos que nos causam mal, que nos ultrajam e nos perseguem é tarefa espinhosa; mas, é precisamente isso que nos torna superiores a eles; se nós os odiarmos como nos odeiam, não valeremos mais do que eles.
               
No evangelho de Mateus, Jesus inicia uma sessão de ensinamentos com a seguinte frase: “Se o seu irmão pecar contra você (...)”. Diante do que é colocado, Pedro levanta uma palpitante questão: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim?” O Mestre dos Mestres responde de forma enigmática, dizendo que não deveria fazê-lo somente sete vezes, mas sim, “setenta vezes sete” (Mateus 18.21-22). É interessante que a primeira preocupação que nos ocorre ao lermos este trecho é qual seria o significado da frase ”setenta vezes sete”. Isso muitas vezes desvia a nossa atenção de alguns outros elementos bem mais importantes no texto. Um deles é o fato que este conjunto de ensinamentos trata dos desencontros entre “Irmãos”.
                                                                            
No entanto, se ambicionamos crescer espiritualmente, não há outro jeito. Devemos ter em mente que não é um feito impossível, basicamente, compete-nos começar por honrar e venerar o G.’.A.’.D.’.U.’. , confiando na Sua Justiça; melhorar o nosso procedimento, praticando o bem de todas as formas ao nosso alcance. Perdoar aos que nos tenham ofendido, pois aquele que se recusa a perdoar, não somente não é maçom, como não é nem mesmo cristão. Orar pelos que nos vêem como inimigos. O sacrifício que nos obriga a amar aqueles que nos ultrajam e nos perseguem é penoso; mas. é precisamente isso que nos torna superiores a eles; se nós os odiarmos como nos odeiam, não valeremos mais do que eles. Não se odeia quando se preza, odeia-se apenas aquele que está à nossa altura ou superior a nós. Perdoar é experimentar um pouco de Deus. Deus conhece os nossos méritos e sabe medir nossos esforços e apenas Dele devemos esperar a recompensa pelas nossas ações. Que o Grande Arquiteto do Universo permita-nos, ao recebermos palavras duras e malévolas, um insulto, injúria ou injustiça, que voltemos os olhos para Ele e jamais que o nosso braço se levante contra um Irmão para vingar o agravo.
                                                               
É admirável como a Sabedoria Divina transforma o ódio em pura afetividade, unindo os maiores desafetos em laços de genuína fraternidade através do trabalho regenerador e do perdão. Somos protagonistas de grandes erros e enormes males. Admiramo-nos como podemos transportar conosco os rancores por tempo indeterminado, protelando soluções definitivas; como o ódio é força perniciosa que se volta sempre sobre quem o alimenta, lesando-o de forma muito mais grave do que o alvo de nossas intenções, devemos repudiá-lo até mesmo por “malandragem” sabedoria. Assim, ao confiarmos na justiça de Deus, cedo ou tarde vamos encontrar a oportunidade para reparação do mal que causamos. O Grande Arquiteto do Universo, em sua magnanimidade, reúne os desafetos sob adequadas condições para que o amor sublimado prevaleça, apagando todos os vestígios de raiva, ódio e ressentimentos. Em contrapartida, se nos pautamos pelo bem, mostramos aos nossos inimigos e desafetos que estamos nos transformando.
                                         
Por outro lado, é notório que não conseguimos atrair simpatia para a nossa pessoa em todos os círculos. No presente estágio em que a humanidade terrena se encontra, é impossível agradar a todos os que nos cercam. Como também é fato que nem todos com os quais convivemos nos agradam ou se afinam conosco. No entanto, temos que contribuir com o melhor das nossas possibilidades para o equilíbrio da existência comum, e cumprimento de um juramento solene. Retidão - O maçom tem por obrigação demonstrar que é possuidor da virtude da Retidão necessária para quem deseja vencer na ciência e na virtude. Retidão significa que as ações dos maçons devem ser retilíneas, sem contornos, subterfúgios e desvios. O comportamento social e ético, esotérico e espiritual, deve para o maçom ser “transparente”. Simbolicamente, o maçom “transita” a sua jornada sobre a Régua das Vinte e Quatro Polegadas, significando que durante todo o dia deve manter-se correto. A sinceridade, a coragem e a perseverança, deverão ser companheiros inseparáveis do maçom. Cremos que algumas medidas nos parecem indispensáveis para evitarmos granjear desafetos gratuitos. São reflexões que nos conduzem a conclusões relevantes e nos fazem calar todo impulso de crueldade que ainda teima em dirigir-nos os atos e habitar-nos as intenções. Entre elas sempre:
- honrarmos e venerarmos o Grande Arquiteto do Universo; 
- tratarmos todos os homens, sem distinção de classe e de raça, como nossos iguais e irmãos;
- praticarmos a Justiça recíproca, como verdadeira salvaguarda dos direitos e dos interesses de   todos. Agindo com justiça e com compaixão estaremos certos em todas as circunstâncias;
- tratarmos a todos que nos procuram com respeito e consideração;
- irmos ao encontro dos deserdados da fortuna e dos aflitos, praticarmos a Caridade e a Beneficência de modo sigiloso, sem humilhar o necessitado, incentivando o Solidarismo, o Mutualismo, o Cooperativismo e outros meios de Ação Social;
- ampliarmos a nossa disposição de ouvir o que os outros têm a nos dizer;
- não ofendermos e muito menos humilharmos a quem quer que seja;
- combatermos a ambição, o orgulho, o erro e os preconceitos, que acarretam o obscurantismo; 
- lutarmos contra a ignorância, a mentira, o fanatismo e a superstição; 
- dilatarmos a nossa capacidade de Paciência e Tolerância, que deixa a cada um o direito de seguir sua religião e suas opiniões, pois que cada um está situado num degrau de evolução;
- demonstrarmos empatia pelas necessidades dos outros; e, se necessário, extirparmos o mal que se aninha, mas sem abdicarmos da generosidade;
- por fim, se possível, tentemos – ou pelo menos facilitemos - a reconciliação com o inimigo. Se não for possível um entendimento, deixemos ao desafeto o ônus do fracasso. 
Por outro lado, não convém abrigarmos dentro de nós sentimentos de inimizade contra quem quer que seja. Compartilhar espaços com quem nos prejudicou ou tenta nos prejudicar, reiteramos, não é tarefa fácil. Todavia, não devem partir de nós atitudes inamistosas, sobretudo em Loja. Inveja – A inveja não é propriamente um vício ou ato de maldade; ele pode surgir e desaparecer em uma fração de segundo. É a reação inesperada que alguém possa ter ao presenciar que um conhecido seu, ou próprio irmão, receba um favor ou um destaque. Obviamente, essa atitude é maléfica ao próprio agente, que carreia para dentro de si uma porção de “veneno”. A inveja, por sua vez, como excrescência da alma humana, constitui um eficiente modo de construção de inimigos. Corroído pelo importuno sentimento, seu infeliz portador só vê demérito onde há mérito. Normalmente, o indivíduo invejoso se sente incomodado com as conquistas, capacidades e recursos alheios, entre outras coisas.
                
Infelizmente, as inimizades – sejam elas motivadas pela inveja ou não – estão presentes em todos os agrupamentos humanos. As organizações humanas são terreno fértil para inimizades e inveja, inclusive nas Lojas maçônicas. Dentro da Maçonaria, constatamos, infelizmente, a presença de invejosos, que sofrem quando alguém é eleito para cargo elevado, ou quando um autor do meio lança uma nova obra, ou quando um irmão recebe uma condecoração, ou até mesmo um simples elogio. Irmãos sentem inveja da amizade, do relacionamento, da capacidade intelectual, da oratória, da posição social conquistada por outro e assim por diante. Sendo a inveja uma reação negativa, ela deve ser eliminada prontamente; os atos de desamor ferem a quem não ama; a inveja vem sempre acompanhada por outro sentimento menor, como a cobiça, e tudo que é negativo, a Maçonaria a repele e evita.
               
A reação contra o “pensamento invejoso” é o aplauso imediato e o rejúbilo com o qual foi agraciado por algo que aspiraríamos para nós. Essa atitude negativa não ocorre apenas dentro das Lojas maçônicas, mas também no mundo profano. Concluindo - Devemos ler, reler e meditar sobre a 4ª Instrução. Ela realça nossos possíveis erros e defeitos mostrando como repará-los. Todos nós devemos colher os frutos de seus ensinamentos, oportunidade de amizade saudável e relacionamento fraterno. Aquilo que for semeado será colhido, semeai a boa semente que seus frutos serão bons!

BIBLIOGRAFIA
A Cavaleiros do Templo nº 26 parabeniza o Irmão Klebber S Nascimento pela brilhante Peça de Arquitetura apresentada no TEMPLO DE ESTUDOS MAÇÔNICOS do site http://www.formadoresdeopiniao.com.br
 

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

quarta-feira, 2 de março de 2011

TRABALHO EM EQUIPE - TOLERÂNCIA É O SEGREDO!

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanchedesses, depois de um dia de trabalho, muito duro. Naquela noiteongínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, lingüiça e torradasbastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperadoum pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez,foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geleia e engolindo cada bocado. Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse: " - Amor, eu adorei a torrada queimada... só porque veio de suas mãos"
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse: " - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente, todos os dias!
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro." 
Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando, ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha de frios como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar e brincávamos juntos durante este tempinho, com sua mãe você chorava, pelo xampu, pelo pentear, etc. A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apóia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai; novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor. De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos. Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, à você e ao próximo.
Penso que, o grande problema do mundo atual e globalizado, é a intolerância pelo ser e o correr incansável pelo ter! Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio. Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração dele; você apreciará o calor de cada alma, incluindo a sua. As pessoas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez sentir.

Texto enviado pelo companheiro Luiz Carlos Dias do Rotary Clube.

UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

terça-feira, 1 de março de 2011

LIVRE E DE BONS COSTUMES

A partir do momento que alguém se torna Maçom, há de se conscientizar que haverá um caminho longo a percorrer.  Pode-se dizer que é um caminho sem fim.  Ao longo dessa caminhada há bons e maus momentos.  Os bons deverão ser aproveitados como incentivo, e os maus não poderão ser motivo de esmorecimento e desistência da viagem iniciada.  A linguagem, sempre empregada nas Lojas Maçônicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que deve talhar-se a si mesmo para se tornar uma pedra cúbica.  É o início da sua jornada Maçônica.  O nutrimento elementar para a viagem é conhecido do Maçom desde de nossa primeira instrução recebida:   A régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel.  Com o progresso, o Maçom vai recebendo outros objetos, tais como o nível, o prumo, o esquadro, o compasso, a corda, o malhete e outros.  Os utensílios de trabalho, obviamente, são simbólicos.  Todos os símbolos nos abrem as portas sob condição de não nos atermos apenas às definições morais.  E é com o manuseio dessas ferramentas que se começa a tomar consciência do valor iniciático da Maçonaria em nossa 3a instrução.  O espírito Maçônico ensina, aos seus adeptos, um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens.  Se isso não for absorvido, não será um bom Maçom, livre e de Bons costumes.
Livre e de Bons Costumes implica que, apesar de todo homem ser livre na real acepção da palavra, pode estar preso a entraves sociais que o privem de parte de sua liberdade e o tornem escravo de suas próprias paixões e preconceitos. Assim é desse jugo que se deve libertar, mas, só o fará se for de Bons Costumes, ou seja, se já possuir preceitos éticos (virtudes) bem fundamentados em sua personalidade. O ideal dos homens livres e de bons costumes, que nossa sublime Ordem nos ensina, mostra que a finalidade da Maçonaria é, desde épocas mais remotas, dedicar-se ao aprimoramento espiritual e moral da Humanidade, pugnando pelos direitos dos homens e, pela Justiça, pregando o amor fraterno, procurando congregar esforços para uma maior e mais perfeita compreensão entre os homens, a fim de que se estabeleçam os laços indissolúveis de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre os povos.
Livre, palavra derivada do latim, em sentido amplo quer significar tudo o que se mostra isento de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição. A qualidade ou condição de livre, assim atribuído a qualquer coisa, importa na liberdade de ação a respeito da mesma, sem qualquer oposição, que não se funde em restrição de ordem legal e, principalmente moral. Em decorrência de ser livre, vem a liberdade, que é faculdade de se fazer ou não fazer o que se quer, de pensar como se entende, de ir e vir a qualquer parte, quando e como se queira, exercer qualquer atividade, tudo conforme a livre determinação da pessoa, quando não haja regra proibitiva para a prática do ato ou não se institua princípio restritivo ao exercício da atividade. Bem verdade é que a maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral, onde nós homens nos aprimoramos em benefício de nossos semelhantes, desenvolvendo qualidades que os possibilitam ser, cada vez mais, úteis à coletividade. Não nos esqueçamos, porém, que, de uma pedra impura jamais conseguiremos fazer um brilhante, por maior que sejam nossos esforços.   
O conceito maçônico de homem livre é diferente, é bem mais elevado do que o conceito jurídico. Para ser homem livre, não basta ter liberdade de locomoção, para ir aqui ou ali. Tem liberdade o homem que não é escravo de suas paixões , que não se deixa dominar pela torpeza dos seus instintos de fera humana.Não é homem livre, não desfruta da verdadeira liberdade, quem esta escravizado a vícios. Não é homem livre aquele que é dominado pelo jogo, que não consegue libertar-se de suas tentações. Não é homem livre, quem se enchafurda no vício, degrada-se, condena-se por si mesmo, sacrifica voluntariamente a sua liberdade, porque os seus baixos instintos se sobrepuseram às suas qualidades, anulando-as. Maçom livre, é o que dispõe da necessária força moral para evitar todos os vícios que infamam, que desonram, que degradam. O supremo ideal de liberdade é livrar-se de todas as propensões para o mal, despojar-se de todas as tendências condenáveis, sair do caminho das sombras e seguir pela estrada que conduz à prática do bem, que aproxima o homem da perfeição intangível.
Sendo livre e por conseqüência, desfrutando de liberdade, o homem deve, sempre pautar sua vida pelos preceitos dos bons costumes, que é expressão, também derivada do latim e usada para designar o complexo de regras e princípios impostos pela moral, os quais traçam a norma de conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, para que estas se articulem seguindo as elevadas finalidades da própria vida humana. A idéia e  o sentido dos bons costumes não se afastam da idéia ou sentido de moral, pois, os princípios que os regulam são, inequivocamente, fundados nela. O bom maçom, livre e de bons costumes, não confunde liberdade, que é direito sagrado, com abuso que é defeito, crê em Deus, ser supremo que nos orienta para o bem e nos desvia do mal. O bom maçom, livre e de bons costumes, é leal. Quem não é leal com os demais, é desleal consigo mesmo e trai os seus mais sagrados compromissos, cultiva a fraternidade, porque ela é a base fundamental da maçonaria, porque só pelo culto da fraternidade poderemos conseguir uma humanidade menos sofredora, recusa agradecimentos porque se satisfaz com o prazer de haver contribuído para amparar um semelhante.                                                                                     
O bom maçom, livre e de bons costumes, não se abate, jamais se desmanda, não se revolta com as derrotas, porque vencer ou perder são contingências da vida do homem, é nobre na vitória e sereno se vencido, porque sabe triunfar sobre os seus impulsos, dominando-os, pratica o bem porque sabe que é amparando o próximo, sentindo suas dores, que nos aperfeiçoamos. O bom maçom, livre e de bons costumes, abomina o vício, porque este é o contrário da virtude, que ele deve cultivar, é amigo da família, porque ela é a base fundamental da humanidade. O mau chefe de família não tem qualidades morais para ser maçom, não humilha os fracos, os inferiores, porque é covardia, e a maçonaria não é abrigo de covardes, trata fraternalmente os demais para não trair os seus juramentos de fraternidade, não se desvia do caminho da moral, quem dele se afasta, incompatibiliza-se com os objetivos da maçonaria.

O bom maçom, o verdadeiro maçom, não se envaidece, não alardeia suas qualidades, não vê no auxílio ao semelhante um gesto excepcional, porque este é um dever de solidariedade humana, cuja prática constitui um prazer. Não promete senão o que pode cumprir. Uma promessa não cumprida pode provocar inimizade. Não odeia, o ódio destrói, só a amizade constrói. Finalmente, o verdadeiro maçom, não investe contra a reputação de outro, porque tal fazer é trair os sentimentos de fraternidade. O maçom, o verdadeiro maçom, não tem apego aos cargos, porque isto é cultivar a vaidade, sentimento mesquinho, incompatível com a elevação dos sentimentos que o bom maçom deve cultivar. Os vaidosos buscam posições em que se destaquem; os verdadeiros maçons buscam o trabalho em que façam destacar a maçonaria. O valor da existência de um maçom é julgado pelos seus atos, pelo exercício do bem.


BIBLIOGRAFIA
Marcos Antonio Cardoso de Moraes
A.’.M.’.
Dicionário Aurélio – 1999
Ritual de Ap.·.M.·. do REAA
Adaptação do Texto Original do Ir.·. Nery Saturnino - A.·.R.·.L.·.S.·. Amor e Fraternidade.
                                                  
UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O CONCEITO DE GADU

Esse ensaio tem como objetivo uma leitura dos conceitos humanistas do filósofo Ludwig Feuerbach (1804/1872) aplicados à maçonaria. É mais uma colaboração a se colocar definitivamente de lado todas as especulações que implicam na negação desta como religião ou de seu caráter religioso que alguns maçons insistem promiscuamente em lhe atribuir. Para familiarizar o leitor, apresento inicialmente um bosquejo do pensamento filosófico de Ludwig Feuerbach. A essência do pensamento de Feuerbach é resumida na forma de uma teologia humanista que desloca a divindade de um Deus exterior ao homem para o próprio Homem. Segundo Feuerbach a religião (todas) racionaliza Deus, mas o faz sobre o sujeito errado, os predicados atribuídos a Deus deviam ser imputados à Humanidade tendo ela todas as condições para se tornar no que realmente pode ser: Deus. Essa exegese revela que, sob um primeiro sentido sobrenatural, se esconde o verdadeiro significado antropológico do fenômeno religioso. Tudo o que o homem atribui a Deus, na realidade, pertence a sua própria essência.
Feuerbach não nega Deus, apenas o reconduz àquilo que considera ser a sua verdadeira personalidade, o homem. O homem é o criador de todos os Deuses ou, dito por outras palavras, o sujeito de qualquer religião só pode ser humano. Ele afirma que foi este pressentimento que levou a teologia ortodoxa a inventar um Deus homem – Cristo. Não sendo a maçonaria uma religião, nem sendo sua missão unificar credos religiosos diferentes, não existe, portanto, um Deus maçônico único e a crença em Deus tal qual apresentada pelos teólogos, não deve ser a pedra basilar do edifício filosófico, doutrinário, da maçonaria, mas sim o princípio humanístico da evolução incessante pelo qual a crença do Grande Arquiteto do Universo, que o maçom não conhece, mas concebe em seu imaginário, traduz uma idéia de entidade dinâmica, produto de postulados abstratos revestidos de atributos humanos e que, na realidade, são projeções da própria essência humana e, nesta medida, há uma identidade essencial com o Deus admitido nas religiões. 
A utopia maçônica de tornar a “humanidade mais feliz” passa pelo necessário investimento no caminho ‘evolutivo’ do homem, de modo a torná-lo um ser socialmente melhor, mais evoluído. É necessário se ter em mente que o homem a ser ‘transformado’ pela maçonaria já existe – simbolicamente, na forma de Pedra Bruta – portanto, a obra maçônica deverá ser ordenada e dirigida pelo Grande Arquiteto, que nela irá operar na matéria bruta já existente e transformá-la em sua morada, mas esse ente abstrato, no qual o maçom deve depositar a sua crença, não deve ser confundido com o Deus das religiões, Aquele que criou o mundo a partir do nada, o que poderá gerar uma desordem intelectual e, em alguns, espiritual.  Tal conflito pode ser evitado, proposta desse trabalho, se procurarmos entender o conceito de Grande Arquiteto do Universo com base na teologia humanista de Feuerbach, o que nos levará à descoberta do deus-racionalizado que já existe dentro de cada um de nós na forma de atributos humanos a serem despertos pelo autoconhecimento. Despertando nossa percepção a esses atributos, estaremos separando os nossos objetivos e isolando os conflitos, uma vez que a espiritualidade de cada um estará não somente preservada, cada um com sua crença religiosa, mas, acima de tudo respeitada por todos como parte da tolerância e da fraternidade despertas pela efetiva prática da racionalidade.
                                                              
O conceito de Grande Arquiteto do Universo deve permanecer inefável, pois ele se apresenta como o ‘modelo’ da perfeição a ser perseguida, uma vez que a grande obra humanística da maçonaria é a transformação do homem - o erguimento do ‘templo interno’ para que nele habite o ‘deus’ íntimo de nossa própria compreensão que deve se manifestar no maçom, com sua completa liberdade de manifestação - pela luz da sabedoria, ou seja, através de sua evolução o maçom deverá se automodelar e se tornar habitável pelos atributos humanos que atuarão em sua personalidade e o transformará em um homem virtuoso próximo a utópica perfeição do homem.
    
"A religião é o ópio do povo" (em alemão "Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes") é uma citação da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (em alemão, Kritik des hegelschen Staatsrecchts) de Karl Marx, obra publicada em 1844. A comparação da religião com o ópio não é original de Marx e já tinha aparecido, por exemplo, em escritos de Immanuel Kant, Herder, Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer, Moses Hess e Heinrich Heine. Este último, grande poeta, em 1840, no seu ensaio sobre Ludwig Börne escreveu: “Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança.” Moses Hess, num ensaio publicado na Suíça em 1843, também utilizou a mesma idéia: “A religião pode fazer suportável  a infeliz consciência de servidão... de igual forma o ópio é de boa ajuda em angustiantes doenças.” Marx vai contestar Feuerbach profundamente, acusando-o de apelar para uma essência humana em detrimento de um constructo social.
Cito as Teses de Marx sobre Feuerbach.
Teses sobre Feuerbach Karl Marx 1845                                    
1- A principal insuficiência de todo o materialismo até aos nossos dias - o de Feuerbach incluído - é que as coisas [der Gegenstand, a realidade, o mundo sensível são tomados apenas sobre a forma do objecto [des Objekts] ou da contemplação [Anschauung]; mas não como atividade sensível humana, práxis, não subjetivamente. Por isso aconteceu que o lado ativo foi desenvolvido, em oposição ao materialismo, pelo idealismo - mas apenas abstratamente, pois que o idealismo naturalmente não conhece a atividade sensível, real, como tal. Feuerbach quer objetos [Objekte] sensíveis realmente distintos dos objetos do pensamento; mas não toma a própria atividade humana como atividade objetiva [gegenständliche Tätigkeit]. Ele considera, por isso, na Essência do Cristianismo, apenas a atitude teórica como a genuinamente humana, ao passo que a práxis é tomada e fixada apenas na sua forma de manifestação sórdida e judaica. Não compreende, por isso, o significado da atividade "revolucionária", de crítica prática. 2- A questão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade objetiva não é uma questão da teoria, mas uma questão prática. É na práxis que o ser humano tem de comprovar a verdade, isto é, a realidade e o poder, o caráter terreno do seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da práxis é uma questão puramente escolástica.
                 
3- A doutrina materialista de que os seres humanos são produtos das circunstâncias e da educação, [de que] seres humanos transformados são, portanto, produtos de outras circunstâncias e de uma educação mudada, esquece que as circunstâncias são transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele próprio de ser educado. Ela acaba, por isso, necessariamente, por separar a sociedade em duas partes, uma das quais fica elevada acima da sociedade (por exemplo, em Robert Owen). A coincidência do mudar das circunstâncias e da atividade humana só pode ser tomada e racionalmente entendida como práxiss revolucionante.
                                                                                                                                  
4- Feuerbach parte do fato da auto-alienação religiosa, da duplicação do mundo no mundo religioso, representado, e num real. O seu trabalho consiste em resolver o mundo religioso na sua base mundana. Ele perde de vista que depois de completado este trabalho ainda fica por fazer o principal. É que o fato de esta base mundana se destacar de si própria e se fixar, um reino autônomo, nas nuvens, só se pode explicar precisamente pela autodivisão e pelo contradizer-se a si mesma desta base mundana. É esta mesma, portanto, que tem de ser primeiramente entendida na sua contradição e depois praticamente revolucionada por meio da eliminação da contradição. Portanto, depois de, por exemplo a família terrena estar descoberta como o segredo da sagrada família, é a primeira que tem, então, de ser ela mesma teoricamente criticada e praticamente revolucionada. 5- Feuerbach, não contente com o pensamento abstrato, apela ao conhecimento sensível [sinnliche Anschauung]; mas, não toma o mundo sensível como atividade humana sensível prática.
                                                                                 
6- Feuerbach resolve a essência religiosa na essência humana. Mas, a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo. Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais. Feuerbach, que não entra na crítica desta essência real, é, por isso, obrigado: 1. a abstrair do processo histórico e fixar o sentimento [Gemüt] religioso por si e a pressupor um indivíduo abstratamente - isoladamente - humano; 2. nele, por isso, a essência humana só pode ser tomada como "espécie", como generalidade interior, muda, que liga apenas naturalmente os muitos indivíduos. 7- Feuerbach não vê, por isso, que o próprio "sentimento religioso" é um produto social e que o indivíduo abstrato que analisa pertence na realidade a uma determinada forma de sociedade. 8- A vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que seduzem a teoria para o misticismo encontram a sua solução racional na práxis humana e no compreender desta práxis.
          
9- O máximo que o materialismo contemplativo [der anschauende Materialismus] consegue, isto é, o materialismo que não compreende o mundo sensível como atividade prática, é a visão [Anschauung] dos indivíduos isolados na "sociedade civil". 10- O ponto de vista do antigo materialismo é a sociedade "civil"; o ponto de vista do novo [materialismo é] a sociedade humana, ou a humanidade socializada. 11- Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.
Texto enviado por nosso Venerável Mestre Ailton de Oliveira
BIBLIOGRAFIA
IR.’.. Ubyrajara de Souza Filho  e complementado pelo IR.’.. Francisco Maciel,  inserindo a contestação de Max aos conceitos humanistas do escritor e filósofo Ludwig Feuerbach
“à luz do humanismo de Feuerbach”Fonte:
Publicado pela primeira vez: por Engels, em 1888, como apêndice à edição em livro da sua obra Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Alemã Clássica, Estugarda 1888, pp. 69-72. Publicado segundo a versão de Engels de 1888, em cotejo com a redação original de Marx.
Traduzido : do alemão por Álvaro Pina.
Transcrito por Fred Leite Siqueira Campos para The Marxists Internet Archive.
Copyright: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.
Fonte na web: http://www.marxists.org/portugues/mmaciel escriba.

                                                                                     UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO